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22/06/2019 - 09h44

Godzilla II: O Rei dos Monstros

Filme é a oportunidade de corrigir o rumo antes da batalha com King-kong

No mundo audiovisual a expressão Fan Service ou Fanservice tem ganhado enorme destaque. Conforme o site Jornalismo Junior, ela “tem sua origem no universo dos animes e dos mangás. Consiste na introdução de elementos supérfluos, muitas vezes com conotação sexual ou erótica, com o simples objetivo de entreter o público”. A expressão evoluiu e conforme o site Nexo, “O ‘serviço para os fãs’, consiste na adição de elementos, cenas ou situações em narrativas audiovisuais a fim agradar ao público que as acompanha”. O líder do site Omelete, Érico Borgo, insiste que “SOU FÃ QUERO SERVICE”, como se todo filme precisasse ter alguns detalhes, falas ou cenas, reservadas apenas para o entendimento dos obcecados por determinadas obras. Os Fanservices ganharam maior importância ainda com a criação dos universos integrados do cinema. Portanto era de se esperar que em “Godzila II : O Rei dos Monstros”, encontrássemos alguns. Mas não imaginávamos que estes fossem tão “monstruosos” e quase acabassem com a obra.

Este universo é enorme
Godzila 2 é o terceiro filme de uma tentativa da Legendary Pictures em criar um universo integrado sobre monstros gigantes. A ideia foi copiar o que está sendo feito pela Marvel e DC com seus super-heróis e por M. Night Shyamalan, no mundo de Corpo Fechado (2000) e Vidro (2019). Para isto estava tudo indo muito bem. A empresa tinha feito um filme razoável com o primeiro Godzilla, de 2014. Depois lançou um bom filme sobre King Kong. O macaco gigante apareceu no meio da Guerra do Vietnã, em uma ilha perdida, no longa “Kong: A Ilha da Caveira” (2017). O filme trouxe o gorila muito maior do que jamais havíamos visto no cinema. O símio tinha como elenco de apoio que Brie Larson (Capitã Marvel, 2019) Tom Hiddleston (Thor Ragnarok, 2017) e Samuel L. Jackson (Vingadores Guerra Infinta, 2018). Todo este megaelenco foi convocado para preparar o encontro entre os dois bichos que deverá acontecer em 2020. No entanto, antes de promover o quebra pau entre gigantes, a Legendary, resolveu fazer mais um filme sobre o lagarto atômico. Era importante refrescar a memória dos fãs antes da batalha final.

Onde está Wally?
Em “Godzila 2: O Rei dos Monstros” o lagarto gigante está desaparecido, desde o filme de 2014, quando salvou a humanidade de um casal de monstros que usavam pulsos eletromagnéticos para causar destruição. Já na época atual, existe uma agência, a Monarch, que busca encontrar “titãs”, monstros como Godzilla, que estão espalhados por todo mundo. Na Monarch, a cientista Emma Russel consegue desenvolver um aparelho que aparentemente consegue se comunicar com estas criaturas. No primeiro teste do equipamento, a base é invadida por um grupo eco terrorista. Eles desejam despertar todos os monstros para que estes passem a controlar a terra. Os terroristas acreditam que assim o planeta retornará a seu curso natural, impedindo a devastação causada pelo ser humano com suas guerras, poluição e crescimento desacelerado.

Precisando de uma mãozinha
Na invasão, os terroristas levam o aparelho de comunicação. Também raptam a Doutora Russel e sua filha, Madisson. Logo que sabe da situação, o marido da cientista, Mark Russell, que também esteve envolvido com os monstros, busca formar uma equipe com cientistas e operativos da Monarch para tentar encontrar a filha e evitar que os gigantes sejam despertados. Para isto Russel sabe que precisará de uma ajuda gigante, o auxílio do Lagarto Godzilla. Este é o único ser que possui poder suficiente para enfrentar os monstros que serão libertados. Russel só não tem certeza se o titã deseja ajudar a humanidade. 

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Exagerando na Decoração
Houve um outro filme sobre Godzilla, feito por americanos, em 1999. Se comparado a ele certamente o Rei dos Monstros é uma bela fita. No entanto, se comparado ao primeiro filme do monsterverso, o Godzilla de 2014, ou mesmo a Ilha da Caveira, o longa tem vários problemas. O maior deles é que o roteiro está repleto de fanservices para fãs quase inexistentes. Como o filme é uma preparação para o combate “Kong x Godzilla”, que sairá em 2020, em todo o momento o diretor encontra um espaço para citar o macaco ou sua película. Não são poucas vezes que os cientistas deste filme se referem explicitamente a King Kong ou mesmo a Ilha da Caveira, nos relembrando que ambos os bichos estão no mesmo universo. Já sabemos disto, não insista.

Quem mesmo?
Outro Fanservice desnecessário é a forma que os humanos se expressam cada vez que aparece um monstro novo. Mothra, Rodan ou Ghidorah são apresentados com uma euforia enorme pelos personagens. É como se conhecêssemos tudo da vida destes animais. Quem são eles mesmo? Fora o fã mais fanático de Godzilla, que viu todos os filmes japoneses sobre o lagarto, dificilmente alguém do público conhecerá estes bichos. Deveriam, portanto, ser apresentados aos poucos, e não introduzidos como se fossem uma grande estrela aparecendo. Não os conhecemos e não nos envolvemos emocionalmente com eles. A partir daí, nem com o filme também.

Lagarto na Fumaça
Fora isto, a obra tem outros problemas. Embora tenham feito todo um estudo, nos movimentos de um URSO, para compor Godzilla, o monstro não tem uma definição clara. Deveria ser mais detalhado nestes tempos de Thanos e de Jurassic World. As batalhas também aparecem sempre em momentos escuros e enfumaçados, usando uma estratégia para baixar os custos de produção. Isto jamais poderia acontecer, se tratando de um filme de monstros enormes. Para finalizar, os seres humanos, que conduzem toda a trama, as vezes parecem completamente desnecessários. De que adianta aquelas formigas ficarem correndo de um lado para outro, enquanto os gigantes ficam se engalfinhando quando bem entendem.

Para arrumar o time
Mesmo com todos estes problemas, acho que o Godzilla 2 é uma obra necessária. Funciona como o time que joga mal e precisa ser corrigido pelo técnico antes da grande final. Agora a Legendary vai poder observar todos os erros que cometeu, para acertar na megaluta entre Godzilla e Kong, marcada para o ano que vem. Não basta fazer fanservice para agradar a torcida, primeiro é preciso fazer o filme ser bom, para ter alguma torcida. “Somos fãs, queremos service”, mas no caso de Godzilla, antes de mais nada, queremos um filme decente. Apenas desta maneira iremos nos importar, a ponto de saber a posição exata de cada escama de Goodzilla, e torcer para que a bilheteria do lagarto atômico seja gigante, como a sua franquia realmente merece.


Trailers
https://youtu.be/yyJBHeU0sBE
https://youtu.be/Cve9ouQp0tE
https://youtu.be/14fCST9CZxs


Elenco, Citações e Referências
Mark Russell - Kyle Chandler, A Hora Mais Escura, 2012
Emma Russell - Vera Farmiga Invocação do Mal, 2013
Madison Russell - Millie Bobby Brown, Stranger Things, Desde 2016
Jonah - Charles Dance, Game of Thrones, 2011 – 2019
Dr. Stanton - Bradley Whitford, Corra, 2017
Dra. Vivienne Graham - Sally Hawkins, A Forma da Água, 2017
Dr. Ishiro Serizawa - Ken Watanabe, A Origem, 2010
Dr. Chen - Zhang Ziyi O Tigre e o Dragão, 2000 

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