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09/05/2019 - 09h51

A Maldição da Chorona

James Wan traz bons sustos baseados em lenda mexicana

A primeira vez que ouvi falar da Chorona foi no episódio inaugural do seriado Supernatural (2005-2019). Depois a mesma lenda foi vista na comemoração de Hallowenn, da série Grimm (2011-2017). Estava claro que aquele conto, do fantasma da mulher de branco, tinha um grande apelo popular. O mestre do terror, James Wan, dono de sucessos como “Jogos Mortais” (2004-2018), “Sobrenatural” (2010-2018), “Invocação do Mal” (2013/2016), “Annabele” (2014-2019) e “A Freira” (2018) percebeu isto e nos apresenta “A Maldição da Chorona” (The Curse of La Llorona, EUA, 2019). O filme faz parte do universo integrado de terror do diretor, com direito a aparição da boneca Annabele.

Ódio materno
Em A Maldição da Chorona somos apresentados a um conto mexicano do século passado. Nele uma camponesa se casa com um estancieiro, tendo dois filhos. Certo dia a moça descobre que está sendo traída. Como vingança arrasta os filhos para o rio, os afoga e depois se suicida. Conta a lenda que, depois disto, ela foi amaldiçoada e passa buscando crianças nas margens dos rios para afogá-las, como fez a seus filhos.

Nada como a mãe
Logo o enredo passa para a década de setenta. Nesta época somos apresentados a família Garcia, composta pela mãe, Anna e os filhos Sam e Chris. Anna é assistente social e está cuidando de um caso onde uma mãe, de origem latina, insiste em esconder seus filhos do mundo. A assistente se obriga a tirar as crianças da mãe, devido a marcas estranhas nos braços das crianças. Ao fazer isto acaba atraindo uma força maligna para dentro da sua própria casa. Seus filhos agora começam a apresentar comportamentos estranhos e queimaduras no corpo. Eles estão enfrentando um mal centenário e para combater isto será necessário a ajuda de um ex-padre, que mistura sua fé com a magia dos xamãs indígenas. Será que a força de uma mãe e feitiços ancestrais são páreos para todo ódio e tristeza da chorona¿

Olhos vidrados
Confesso que quando vi o material publicitário não me animei muito com a Chorona. Mas o filme é muito bom, como toda obra de James Wan. O primeiro destaque é para a maquiagem, misturada com os efeitos visuais, que realmente apavoram o espectador. A apresentação do monstro é parecida com do filme “A Freira”, com o corpo putrefato e olhos amarelos, marcantes e assustadores. O CGI também permite alguns superpoderes para a assombração. Estes são muito condizentes com a história. As lágrimas da chorona são acidas e queimam a pele das crianças.

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Los Gringos
Falando dos sustos, os jump scare (pulos de medo) são bem posicionados, dando agilidade ao enredo. Existem ainda várias reviravoltas durante a trama, que fazem a história valer a pena. São resoluções bastante criativas, fugindo do óbvio dos filmes de terror. Utiliza-se para isto desde a liturgia da igreja católica para criar água benta, até a crença dos descendentes maias e astecas que a serragem de determinada árvore afasta os maus espíritos. Vale também ressaltar que todo o elenco principal é composto por latinos. Muito justo para representar uma lenda mexicana. Uma preocupação que deveria ser obrigatória, mas é pouco observada no cinema americano.

Noites sem sono
A Chorona é interessante graças a sua técnica cinematográfica, óbvio, mas também nos chama a atenção pela similaridade de histórias que ouvimos quando crianças. Ela não se baseia em vampiros impossíveis, mas nos contos da mulher de branco que ouvíamos antes de dormir (ou não) ou em volta de uma fogueira. É uma lenda perpetuada de várias formas por todos que acreditam no além. É esta relação com o monstro que nos faz sentir tanto medo dele.

Produto Nacional
Nisto fico imaginando quantas outras lendas poderiam ser levadas as telas e certamente fariam as pessoas tremer. Do Brasil, o Chupa Cabra, o Boi Tata, o Sucupira, o Saci Pererê, entre outros, seriam ótimos monstros para Hollywood. Certamente dariam muito trabalho para caçadores de monstros, como os irmãos Winchester e a família Grimm. Tenho mais certeza ainda que nossos monstros dariam muito lucro, se caíssem nas mãos de gênios como James Wann. Não tenho dúvidas, com nossas lendas o diretor iria chorar novamente, mas de tanto fazer dinheiro. Quem sabe um dia, ou noite mal-assombrada.


* Marcelo Figueiró é Bacharel em Comunicação Social, especializado em Publicidade e Propaganda. Apaixonado por cinema, escreve resenhas e críticas sobre a sétima arte para vários blogs e jornais do Rio Grande do Sul.


Trailers
https://youtu.be/6Y3QdYdobFw
https://youtu.be/Pdh-TBuTIJA


Elenco e Referências
La Llorona - Marisol Ramirez -  Toque de Recolher 2006
Anna Tate-Garcia - Linda Cardellini, Vingadores: Era de Ultron, 2015
Padre Perez - Tony Amendola, Annabelle, 2014
Rafael Olvera - Raymond Cruz, Dia de Treinamento, 2001
Detetive Cooper - Sean Patrick Thomas, Fonte da Vida, 2006
Chris Garcia - Roman Christou
Samantha Garcia (Sam) - Jaynee-Lynne Kinchen  

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