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21/02/2019 - 09h39

Alita-Anjo de Combate

Filme sobre Mangá traz ação desenfreada para o cinema americano

Mangas e Animes. Estas são as palavras que os japoneses usam para nominar, respectivamente, as Histórias em Quadrinhos e os Desenhos Animados. Por serem produzidos sobre influência do universo oriental, estas produções são consideradas um pedaço a parte do mundo nerd. Elas tem uma linguagem própria, muito mais densa e dramática que programas feitos no novo mundo.

Cópias japonesas
Várias vezes o cinema americano buscou replicar a fórmula japonesa destes produtos de comunicação. A maior parte das tentativas resultou em fracasso. Entre os desastres cinematográficos podemos citar: Dragon Ball - Evolution (2009), O Último Mestre do Ar (2010), Deathnote(2017) e Ghost in the Shel (2018). Nesta temporada, novamente Hollywood tenta emular a arte nipônica. Está em cartaz "Alita - Anjo de Combate", que promete ser fiel aos mangás, ao contrário das outras cópias citadas.

Do lixo para as telas
Em Alita, somos apresentados a um mundo tecnológico e decadente, que sobreviveu a uma guerra pouco explicada, acontecida 300 anos antes. No início do filme conhecemos o Doutor Dyson Ido (Christoph Waltz, Bastardos Inglórios, 2009), uma mistura de médico e engenheiro cibernético. Logo na abertura ele está em um lixão, buscando peças para reciclagem, a serem utilizadas em robôs e ciborgues. Inesperadamente ele encontra o dorso do que parece ser uma robô feminina. Logo ele explica que trata-se de uma ciborgue, que está com o cérebro intacto. O doutor a leva para seu laboratório para tentar recuperá-la. Ele utiliza um velho corpo, que já possuía, para reconstituir a menina e colocá-la na ativa.

Bela Adormecida Cibernética
Após algum tempo, finalmente Alita (Rosa Salazar, Bird Box, 2018) é religada. Ao conhecer Dyson a garota fica espantada com o novo mundo, e mais ainda ao saber que esteve fora de ação durante 300 anos. No início a ciborgue age como uma adolescente normal, tentando se integrar a cidade de Iron City. Ela ensaia um namoro e pratica esportes de rua, se envolvendo com os garotos da região. Em seguida descobre possuir habilidades de combate bem superiores a qualquer humano que convive. Basta ser ameaçada que a menina entra em modo de combate e encara adversários bem maiores que ela. Nisto Alita toma conhecimento que, na cidade onde ela está vivendo, existe uma onda de assassinatos. Diversas garotas tem sido abatidas sem piedade. Contrariando as ordens de Dyson, ela resolve buscar o assassino. Isto ao mesmo tempo que tenta descobrir sua origem e a extensão de seus poderes. O grande problema desta busca é que ela poderá descobrir segredos nada agradáveis sobre si e principalmente, sobre seus poucos amigos.

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Lindos Olhos Grandes
Na parte visual Alita é um show de iluminar os olhos, literalmente. Os diretores resolveram utilizar na atriz principal olhos grandes como dos personagens de um mangá. Era uma aposta arriscada, mas que visualmente ficou muito boa para o filme. Embora a Alita se pareça com um personagem de quadrinhos japoneses, ela consegue se inserir perfeitamente em meio aos humanos normais. Assim como Alita, o filme apresenta Ciborgues e Robôs de toda a ordem e tamanhos, que interagem perfeitamente com a população, sem que você perceba.

Rollerball na favela
A construção daquele mundo também é muito bem feita, com uma favela tecnológica em terra e uma cidade inacessível nos céus, o clássico da maioria dos filmes distópicos atuais. Outra situação interessante de Alita é a representação de um jogo que a menina participa, claramente inspirado no filme Rollerball - Os Gladiadores do Futuro (1975). A partida é muito interessante e acaba tendo uma função importantíssima para a trama. Por último, e mais importante, a ação é impressionante. As lutas são belíssimas, com uma coreografia perfeita entre os participantes, que obviamente tiveram uma grande ajuda do CGI.

Juntando pedaços
No entanto, se Alita é interessante pela parte visual, o roteiro deixa muito a desejar. Após o primeiro ato, a impressão que fica é a que existe uma tentativa de mesclar as principais fases da heroína na HQ ou nos desenhos animados, em um só filme. Isto sem um roteiro com desenvolvimento linear. Funciona mais ou menos assim: a garota é descoberta, conhece seus poderes, busca os assassinos, participa de uma liga de mercenários, joga rollerball, descobre seu passado, enfrenta inimigos... Isto tudo acontece em cenas espaçadas sem conexão aparente, deixando a história bastante confusa e com pouco nexo.

Misturando culturas
De qualquer forma vale a pena assistir o filme pela sua beleza visual. Sem sombra de dúvidas o longa é uma das melhores fusões ocidente e oriente dos últimos tempos. Não é perfeito, mas vale pelos efeitos e pela ação desenfreada, do início ao fim da película. Que os americanos tenham aprendido um pouco mais com Alita e que consigam avançar nas próximas adaptações do oriente. Vamos torcer para que, num futuro próximo, consigamos assistir um filme divertido como os de Hollywood, mas com a profundidade filosófica dos japoneses. Que o próximo longa, live action, de animes seja uma fusão perfeita, como a apresentada nos ciborgues de "Alita - Anjo de Combate".


Trailers

https://youtu.be/kLp9sjjoPqo
https://youtu.be/tfVgjW17U1E
https://youtu.be/UgrCecj-XNU
https://youtu.be/Rdk7cI66kGM  

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