Grupo Vieira da Cunha

Ensolarado

Tempo hoje

Min 5 / Max 16 +mais
07/02/2019 - 10h42

Nightflyers

Trama de George R.R. Martin leva brutalidade de Westeros para o espaço

O autor George Raymond Richard Martin, ou George R.R. Martin, possui uma das mentes mais aclamadas da literatura de ficção atual. Não é para menos. Ele é o criador da saga "As Crônica de Gelo e Fogo", que deram origem ao seriado "Game of Thrones"(2011-2019). A história sobre reis e plebeus que se digladiam por gerações, enfrentando zumbis, bruxas e dragões, para conquistar o trono de ferro, é uma das preferidas dos amantes de séries. Quando foi anunciado um novo programa, baseado em outro conto de Martin, a nação nerd entrou em polvorosa. Só que desta vez a história não é numa época medieval. Tampouco possui a magia como uma das suas bases narrativas. A trama é no futuro, no espaço, na poderosa nave "Nightflyer", que fornece nome ao seriado, produzido pelo canal Syfy e que chegou recentemente ao catálogo da Netflix.

A caminho da luz
Em Nightflyers, o planeta Terra está enfrentando vários problemas no futuro (grande novidade), que podem levar a extinção de todo ser vivo em sua superfície. Nisto cientistas descobrem evidências da existência de alienígenas, no limite do sistema solar. Logo uma equipe é montada, para ocupar a gigantesca nave Nightflyer. Esta deverá viajar por meses, até chegar ao ponto de encontro com os extraterrestres. A esperança dos terráqueos é que os visitantes forneçam a receita para uma nova fonte de energia, que poderá salvar nosso planeta.

Juntos vamos além
A força da série está na tripulação da Nightflyer. A espaçonave é enorme e abriga dezenas de tripulantes. Sua dinâmica lembra a da nave Enterprise, de Jornada nas Estrelas (1979-2016), mas com apresentação mais soturna que a ponte de comando do Capitão Kirk. Em Nightflyers o foco fica em um grupo reduzido de passageiros, que concentram a ação. Neste conjunto está o cientista Karl D’Branin (Eoin Macken, Resident Evil 6 - O Capítulo Final, 2016), que descobriu os aliens. Ele faz a viagem para dar sentido a sua vida, após a morte da própria filha. O capitão da espaçonave é Roy Eris (David Ajala, Velozes e Furiosos 6, 2013), que só aparece através de um holograma. Existe ainda o jovem telepata desequilibrado, Thale (Sam Strike, Monster Party, 2018), que deverá ser usado para efetuar o contato com os extraterrestres.

Plantando Estrelas
Também esta na nave o descrente Rowan (Angus Sampson, A Maldição da Casa Winchester, 2018). Ele é um cientista que questiona os motivos da missão e se apaixona pela botânica de bordo, Tessia (Miranda Raison, Assassinato no Expresso Oriente, 2017). Sim, a nave possui uma área que abriga centenas de plantas. O grupo é composto ainda pela Doutora Agatha Matheson, (Gretchen Mol, 13º Andar, 1999), uma psiquiatra que deve manter a sanidade do telepata, mas possui um segredo que pode piorar a situação. Junto a ela, está a tímida biohacker Lommie (Maya Eshet, Keep Watching, 2017), que acessa computadores através de um implante cibernético, e sua namorada, a astronauta Melantha Jhirl (Jodie Turner-Smith, Woman in Deep, 2016). Esta foi criada artificialmente e é geneticamente modificada para se adaptar a vida no espaço.

Publicidade




Flutuando com o Inimigo
Conforme a Nave se aproxima de seu destino, problemas vão aparecendo. Inicialmente eles tem origem no descontrole do telepata. No entanto, logo a tripulação descobre que alguém está boicotando a missão. Seria um dos tripulantes ou os próprios aliens que não desejam visitas indesejadas¿ Certamente será importante descobrir a verdade, antes de tocar a campainha de vizinhos tão poderosos.

Sangue no Espaço
Se a pluralidade da tripulação lembra Star Trek, o clima da série é bem mais pesado que a série dos anos 60. Em Nightflyers mortes dolorosas acontecem em quase todos os capítulos, com a mesma quantidade de sangue que George Martin gosta de colocar em Game of Thrones. A tripulação vê passageiros explodirem na pressão do espaço, serem decapitados por lasers, e até verterem sangue em serras elétricas. Sem dúvidas é uma ficção adulta e para quem tem estomago.

Contos sem Gravidade
Neste clima sombrio, a série traz uma história linear, com um objetivo básico que é chegar até os ETs. Mas, também existe espaço para utilizar flashbacks sobre a vida dos tripulantes e apresentar episódios procedurais, com uma trama fechada dentro do capítulo. Entre estes se destaca o que a Nightflyer aborda uma nave perdida, com uma tripulação só de mulheres. Elas vivem há décadas no espaço. Em outro a biohacker enfrenta a própria alma da nave. Num terceiro o cientista principal recebe uma sonda espacial inundada pela sua matéria orgânica. O aparelho teria vindo do futuro, imerso em carne e sangue.

Espaço para Maiores
Como se pode ver, Nightflyers não é para crianças. Na verdade é uma das séries de ficção científica mais hardcore que já assisti. Óbvio que, por ser produzida pelo canal ScyFy, não pode-se esperar a mesma qualidade de "Game of Thrones", da poderosa HBO. Mesmo assim é um ótimo entretenimento, para visitarmos outro universo de George R. R. Martin, enquanto esperamos a volta de Westeros. Vamos torcer para que a complexidade da nova série não afaste os espectadores. Que Nightflyers ganhe sua segunda temporada e possa se desenvolver, até chegar perto da popularidade da principal atração de George. Para aqueles que singraram um continente inteiro, nas costas de um dragão, em Game of Thrones, talvez viajar ao espaço profundo, em busca de alienígenas, seja uma nova diversão a altura.


Trailers

https://youtu.be/g3DjDkgFXs4
https://youtu.be/JDEkHIeZPgQ
https://youtu.be/Nsf9wMijhfA
https://youtu.be/S6XPmSZmahg

  • amigo

É preciso estar logado para deixar o seu comentário. Clique aqui para fazer seu login.

Comentários (0)

  • Nenhum comentário para o conteúdo.

JP no Facebook