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31/01/2019 - 09h40

Máquinas Mortais

Filme desperdiça batalhas entre cidades que se movimentam

Seguidamente aparecem filmem que são uma grande esperança, mas flopam, como se diz na gíria cinematográfica. Estes tem ótimo diretor, um orçamento enorme e efeitos especiais deslumbrantes. No entanto, a trama é tão fraca que toda a expectativa gerada vai por terra. Na ficção científica isto é mais comum que deveria. Talvez você se lembre de obras como "Waterworld" (1995), dirigido pelo Oscarizado Kevin Costner, com um investimento recorde para a época. Ao chegar nas telas, simplesmente naufragou. Outro deste time foi o "Destino de Júpiter" (2015), desenvolvido pelas Irmãs Wachowski (Matrix, 1999-2003). Os efeitos visuais eram fantásticos, mas o roteiro, quanta diferença...

Máquinas Enferrujadas
Nem a superpoderosa Disney escapa desta sina. Podemos trazer uma infinidade de filmes do estúdio que tinham tudo para dar certo, como "John Carter - Entre Dois Mundos" (2012) e "Tomorrowland" (2015). Isto só para citar os mais recentes. Na verdade, megaproduções que não correspondem ao investimento vem desde a época de "Cleópatra" (1963), o filme, não o personagem histórico. Este ano já temos um novo exemplar desta linhagem. Estou falando de "Máquinas Mortais", que foi realizado por Peter Jackson, e ficou bem abaixo da grandeza de quem produziu a saga de "O Senhor do Anéis" (2001 - 2003).

O Fim do Mundo, de novo
Em "Máquinas Mortais" somos levados a mais um mundo pós apocalíptico. Neste a humanidade sobreviveu ao que eles chamam de "A Guerra de Sessenta Minutos". No conflito, armas eletrônicas acabaram com as principais cidades do mundo, levando a humanidade para uma realidade no estilo stean-punk, de "Mad Max" (1979-2015). Diferente da turma de Mel Gibson, aqui a solução é outra. Os sobreviventes do holocausto resolveram colocar motores e rodas colossais nas próprias cidades. Isto para que as maiores metrópoles cacem e devorem os menores agrupamentos, numa clara crítica a dominação econômica internacional. Através dos recursos ingeridos as megalópoles se mantêm vivas e podem continuar se desenvolvendo.

Brexit as avessas
O filme começa no momento em que Londres faz o contrário que o brexit pretende. A cidade invade a Europa, com suas imensas rodas, e busca degustar uma pequena cidade mineira. Essa foge desesperadamente. Após uma bela perseguição, a capital britânica finalmente consegue ingerir o povoado. Todas as partes da vítima são desmanteladas e recicladas. Já os cidadãos capturados são redirecionados para trabalhos inferiores.

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Estas facadas...
No momento de reajustar os mineradores, somos apresentados a Hester Shaw( Hera Hilmar, Um Homem Comum, 2017) que estava na pequena cidade. A menina utiliza a incorporação do povoado para se aproximar do supremo engenheiro britânico. Este fornece sustentação técnica para cidade tração. A garota se aproxima do líder e tenta matá-lo com uma facada. Hester só é impedida de esfaquear Thaddeus Valentine (Hugo Weaving, Matrix,1999) graças a intervenção do jovem historiador Tom Natsworthy (Robert Sheehan, A Estrada Interior, 2014).

Descendo pelo Ralo
Ao tentar prender a menina, Tom acaba caindo com ela para fora da cidade. Mesmo relutante, tem de acompanhá-la para que possam encontrar outra cidade para aportar. Na jornada ele encontra inúmeros adversários e descobre que talvez a garota não estivesse tão errada em querer assassinar o engenheiro. Agora o casal deve tentar voltar a Londres. Tom precisa ir além disto e decidir se mantém seu estilo de vida anterior ou ajuda Hester a salvar milhares de pessoas daquela realidade.

Expectativa Frustrada
Confesso que eu tinha Máquinas Mortais como uma das maiores expectativas para este ano cinematográfico. No entanto, o roteiro é muito pouco desenvolvido. Ao mesmo tempo que os diálogos são explicativos demais, sobre a vida dos personagens, quase nada é dedicado para elaborar como se instala uma megalópole sobre rodas. A química do casal principal também não é boa. Embora ter protagonistas adolescentes acabe trazendo o público de "Jogos Vorazes"(2012-2015) e "Maze Runner"(2014-2018), para assistir a obra, acredito que atores com mais experiência poderiam trazer uma carga dramática maior a história.

Condomínio Optimus
Nem tudo é perdido, as cidades estão perfeitas. Os povoados se montam e desmontam como Transformers e passam credibilidade para o que esta na tela. Isto mesmo sendo impossível transitar com algo daquele tamanho. Também é interessante a quantidade de cidades. Existem as de rodas, óbvio, mas também as que se movimentam em patas, como se fossem uma centopeia. Uma nova cidade está instalada no meio do mar bravio e outra é mantida nos céus, em um balão. Todas possuem veracidade incrível. São cheias de cores, nuances, pessoas se movimentando e várias locações. Infelizmente, mesmo com toda esta tecnologia, esqueceram de explicar como diabos se faz para colocar o parlamento inglês sobre rodas, após sobreviver a um ataque nuclear. Esqueçam explicações, é um filme de puro realismo fantástico. Você deve aceitar isto para não ficar fazendo cálculos de engenharia durante toda a exibição da história.

A Fórmula por favor
"Máquinas Mortais" até é divertido, mas se esperava bem mais de quem produziu "O Senhor do Anéis". Talvez valha a pena torcer para que a obsessão de Peter Jackson, em fazer continuações, o incentive a investir em nesta nova franquia. Quem sabe ele traga mais um filme ou dois sobre as cidades tração. Estes certamente terão roteiros mais densos e atores mais experientes pelo tempo. Se isto for feito, estarei na primeira fila do cinema, ansioso, esperando a resposta de como se faz para colocar uma cidade inteira sobre rodas. Sinceramente, se me explicarem como colocar uma simples casa, sobre pneus de bicicleta, já vou sair super satisfeito.


Trailers

https://youtu.be/QoMS3Wn_h4E
https://youtu.be/i8FYCz0Zb74

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