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24/01/2019 - 10h00

IO

Mais que ficção científica, filme da Netflix é ótima obra reflexiva

O novo filme lançamento da Netflix, "IO", é mais uma das tantas obras sobre apocalipse, que inundam o catálogo. No entanto, o drama de Ficção Cientifica "IO" é muito mais pé no chão que as várias outras obras a disposição. Não espere do longa zumbis famintos, alienígenas perversos ou uma grande guerra nuclear, que acabou com a sociedade. Na história o malfeitor somos nós mesmos, que não tratamos bem a nossa casa. Por este motivo, somos obrigados a buscar exílio em outros planetas áridos. Na história acreditamos que outros corpos celestes são melhores para viver, que nossa pequena bola azul.

Hoje o sol não apareceu
Em "IO" as atividades industriais da humanidade fizeram que o planeta Terra mudasse completamente sua atmosfera. No lugar do oxigênio, fundamental para qualquer forma de vida, nosso mundo acabou inundado por uma mistura gasosa a base de amônia. Esta impossibilita a respiração e proíbe qualquer aparecimento do sol. Nesta realidade, a humanidade organizou suas poucas chances de resistência e enviou centenas de naves para IO, uma das luas de Júpiter, que possui uma estação espacial humana em sua órbita.

O fim da aventura na terra
Neste cenário apocalíptico somos apresentados a Sam Walden (Margaret Qualley, Death Note, 2017), uma garota que aparenta ser muito jovem e mesmo assim é uma brilhante cientista. Inicialmente ela surge em meio a área contaminada de uma cidade destruída, buscando amostras de insetos que estão conseguindo sobreviver na atmosfera gasosa. Não demora e a menina foge do local, se dirigindo para sua base, que fica em um dos poucos bolsões de ar restantes de nosso mundo. No alto de uma montanha ela realiza experiências com abelhas, análise de ambiente e conversa com seu namorado, que já está em IO. Faz isto através de um computador. A vida parece bucólica e sem muito avanço. É uma clara espera pelo fim, com muita pouca esperança.

Meu planeta, adeus
Nisto chega até o local um balão de ar. Ele traz Micah (Anthony Mackie, Vingadores: Guerra Infinita, 2018), um afrodescendente vindo de uma zona bem mais abatida que a de Sam. O sobrevivente veio buscar o pai da menina, cientista chefe da base, que está em outra área do bolsão de ar. Micah quer levá-lo até o lançamento da última nave que irá para IO.

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Fugindo na arca de Noé
A garota obviamente resiste a viagem, pois acredita que ainda exista chance para a terra, através de suas experiências. Não demora para que ela se apaixone pelo pretenso salvador. Agora ela precisa decidir rapidamente se continua no planeta e enfrenta seu fim eminente ou parte com Micah para a jornada espacial, buscando um alento de vida em outra parte da galáxia. O tempo está passando e o ar rareando. É hora de decidir.

Olha só, o meu amor
Nesta situação o filme tem poucas cenas de ação, mas se consagra pela sua velocidade bucólica e sua narração reflexiva. Com este instrumentos apresenta desde a dor do isolamento, o espanto de encontrar uma nova realidade ou mesmo o romance inter-racial e arrebatador, entre duas pessoas que não ganham carinho físico de ninguém há muito tempo. Seria paixão, somente desejo ou necessidade de companhia?

O final da odisseia terrestre
Ao assistir "IO" esqueça efeitos visuais característicos de filmes de apocalipse. Tudo é muito básico. Os gastos devem ter sido mais pesados apenas na construção das cidades contaminadas. Estas são perfeitas, desde a arquitetura até a iluminação sombria. O filme se destaca mesmo pelo seu caráter reflexivo. A película nos faz pensar qual é melhor saída quando se tem um grande problema. Seria ficar e tentar reformar a realidade avariada, até que a situação volte a estar a contento. Ou talvez o ideal seja abandonar o que já está decrépito e ter a coragem de buscar algo novo, do zero, onde sua vida possa ser melhor. O correto é quem luta para mudar ou quem tem a coragem de construir um mundo novo.

A única astronave
"IO" é um ótimo filme, mas para nos fazer pensar, e não para que nossa adrenalina suba as alturas, com raios, monstros e escapes impossíveis. Trata-se de um verdadeiro lembrete do que pode acontecer ao planeta se não pararmos de poluir, explorar indevidamente os recursos naturais ou não auxiliarmos na renovação de suas reservas. "IO" é um recado necessário, principalmente porque não temos naves indo para Júpiter, a nossa disposição. A bolha de ar está diminuindo. Cabe a nós fazer com que ela não desapareça subitamente. "IO" nos mostra as consequências, mas somos nós que podemos mudar o final desta história.


Trailers
https://youtu.be/gROwjIPXU1k
https://youtu.be/oC1npfCmhMw

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