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03/01/2019 - 09h47

Bandersnatch

Netflix permite Inovação de Black Mirror onde você decide a história

Black Mirror é uma série de TV iniciada em 2011, no Chanel 4, do Reino Unido, contando histórias relacionadas a inovação, tecnologia, comunicação e interatividade. Os episódios, sempre descontinuados, acontecem normalmente em um futuro ou presente distópico. Logo no sua primeira trama, a série mostrou o quanto seria impactante. Trouxe um conto sobre um primeiro ministro inglês que deveria ter relações com um animal, em frente as câmeras de uma rede mundial, para salvar a princesa britânica da morte, nas mãos de um sequestrador. Mais que um episódio repugnante, o texto bem escrito discute até onde uma pessoa deve se submeter para conseguir a aceitação ou rejeição da opinião pública.

Muito Além da Imaginação
A cada temporada a série vem se tornando mais perturbadora e já debateu também a obsessão das pessoas por likes, de redes sociais, ou dos aficionados, por seriados de ficção cientifica. Aos poucos a série inglesa começa a ocupar o lugar de "Além da Imaginação" (1958 -1964), outro programa que marcou época. Pois após ser adquirida pela Netflix, em 2015, Black MIrror tenta o seu salto mais arriscado. A série traz um longa metragem completamente interativo, onde o espectador pode escolher dezenas de decisões, que serão tomadas pelo protagonista durante a história.

Sua história, eu decido
A obra que me refiro é "Bandersnatch", recentemente lançada no catálogo do serviço de streaming. Nela é oferecido ao espectador opções do que o personagem principal deve fazer, desde pular de uma janela, até jogar leite no seu computador. O espectador tem poucos segundos para escolher com seu mouse, ou controle remoto, o que deve ser feito. Cada decisão leva o filme para um caminho e um final diferente. Conforme os produtores da obra, existem dezenas de finalizações diferentes para a história que estamos assistindo e interferindo.

Em busca da história perfeita
A trama traz como protagonista o jovem Stefan Butler (Fionn Whitehead, Dunkirk, 2017). Ele é um programador de jogos obcecado pelo livro "Bandersnatch" que possui vários finais, conforme as decisões do leitor. Stefan consegue uma oportunidade de apresentar um projeto de jogo sobre o livro para a empresa de games Tuckersoft, gerenciada por Mohan Thakur (Asim Chaudhry, Eaten by Lions, 2018). O projeto de Stefan é aceito e Mohan dá um prazo exíguo para o programador finalizar o jogo, afim de comercializá-lo.

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Péssimos Tutoriais
Junto, a empresa oferece ao garoto a tutoria de Colin Ritman (Will Poulter, Maze Runner, 2014), seu ídolo em criação de games. Este, mais do que lhe instruir configurações, acaba abrindo a mente do novato para outro mundo, existente por trás da criação de jogos eletrônicos. Agora Butler precisa finalizar o jogo, ao mesmo tempo que tenta se manter no mundo real, longe da influência de Colin. O jovem programador precisa também se fazer entender pelo pai e pela psicanalista. Muitas vezes estes mais atrapalham sua permanência na realidade, do que o ajudam a manter os pés no chão.

Metendo o dedo
"Bandersnatch" é um filme, mas se fosse vendido como game acredito que poderia ser bem aceito. Certamente as pessoas que gostam de jogos eletrônicos terão mais facilidade em utilizar a plataforma, mas ela foi construída com gravações reais e analógicas, que obrigam a obra a ser enquadrada como cinema. O longa é realmente revolucionário, principalmente porque as pessoas adoram ter o poder de interferir nas histórias assistidas. Não fosse assim, programas como o antigo "Você Decide", ou os reality shows como "Big Brother" e "A Fazenda" não fariam tanto sucesso.

Beco sem saída
Na verdade, se existe algo que me desagradou na experiência foi que, muitas vezes, a decisão tomada leva o personagem para um beco sem saída, um lugar onde a história não tem como avançar. Isto te faz ter que retornar vários minutos da trama. Só depois de tomar a decisão certa você consegue ir adiante. A construção depressiva da história também não me agradou muito. Mas esta normalmente é a linha narrativa de Black Mirror, e certamente a visão do diretor David Slade (30 Dias de Noite, 2007), portanto, não existe o que discutir. De outro lado, a caracterização dos anos 80 está bem adequada, mostrando a fascinação pela febre inicial dos videogames, e trazendo detalhes de programas de auditório ridículos, entre outras coisas. Para os fãs da série, também é legal procurar inúmeros easter-eggs de outros episódios, espalhados por toda a história.

A decisão correta
"Bandersnatch" é um filme, ou jogo, interessante, mas sua principal importância é pelo caráter inovador da forma que é apresentado. Há décadas os serviços de televisão e cinema tentavam encontrar uma plataforma onde o expectador pudesse interferir diretamente na história. O longa é o que mais se aprofunda nesta possibilidade, com seres humanos "reais". Claro que existe muitas falhas na proposta ainda. Há erros inclusive no roteiro. Mas certamente é uma experiência que será muito mais desenvolvida para o futuro. Que mais filmes como "Bandersnatch" sejam colocados a disposição. Que aos poucos passem a nos ensinar experiências importantes, para que possamos tomar as decisões corretas, também na nossa vida real.


Trailers

https://youtu.be/rnrCdi53G7A
https://youtu.be/gY6BrU-W0P4

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