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13/12/2018 - 09h55

Aquaman

Herói secundário surpreende com filme divertido e de ótima qualidade gráfica

De todos os Super-heróis da DC/Warner, Aquaman sempre foi o mais descartável. Não é para menos, seus superpoderes eram somente respirar debaixo da água e falar com peixes. Imagine-o em uma batalha da Liga da Justiça, de Superman, Batman e Mulher Maravilha. Para Aquaman ter alguma serventia seria obrigatório que houvesse uma praia, um rio, um laguinho, uma caixa d'água ou balde. Só assim para ele poder fazer alguma coisa. Por conta disto o homem-peixe sempre foi trolado, tanto pelo Cartoon Networks (canal a cabo onde era exibido os Superamigos), até pela turma de nerds da série Big Bang Theory.

E o mar ficou soturno
Quando Zack Snider assumiu o controle dos filmes da DC, principalmente o da Liga da Justiça (2017), resolveu desconstruir a imagem do herói. No lugar de um louro de olhos azuis, colocou no papel o bruto Jason Momoa (Conan, 2011). Em uma de suas melhores performances como um selvagem, o ator foi apresentado marrento e cheio de tatuagens tribais. Saia de cena o interprete de peixes e entrava um verdadeiro tanque de guerra submarino, equivalente para a Liga da Justiça o que o Hulk é para os Vingadores. O grande problema é que Snyder foi demitido da DC, antes mesmo de terminar o filme da Liga. A partir dai a subsidiária da Warner resolveu dar um aspecto mais alegre aos seus filmes. A pergunta que ficava era: Como será o Aquaman a partir disto?

A vida vem do Oceano
Pois o novo filme da DC não decepciona. Na película, dirigida por James Wan (Invocação do Mal, 2013), Arthur Curry, o Aquaman, é um mestiço entre a rainha Atlanna (Nicole Kidman, Peso do Passado, 2018) e um faroleiro chamado Tom Curry (Temuera Morrison, Dora Aventureira, 2019). Esse a encontra ferida na pedra de seu farol e vive um romance com ela. Anos mais tarde, com Arthur já adulto ele recebe a visita da Princesa Mera (Amber Heard,Magic Mike, 2015). Esta vem informar que o Rei Orn (Patrick Wilson, O Passageiro, 2018), autointitulado o Mestre dos Oceanos e meio irmão de Curry, esta reunindo os reinos submarinos para um ataque ao mundo da superfície. Mera deseja que Aquaman reivindique o trono de Atlântida e acabe com a possibilidade de guerra.

Em busca do tesouro
Num primeiro momento Aquaman não aceita a missão, mas depois de um acidente com seu pai resolve enfrentar Orn. Retomar o reino submarino não será fácil, pois para isto ele deverá conquistar a confiança do povo atlante. Para alcançar este objetivo Mera sugere que o herói busque o lendário tridente do Rei Atlan, fundador da cidade submarina. Os dois partem em uma jornada pelos sete mares, tentando descobrir pistas de onde está o tridente. Eles precisam fazer isto antes que o Mestre dos Oceanos consiga convencer os povos aquáticos a invadirem a superfície. Para dificultar ainda mais a jornada, Aquaman e Mera terão de enfrentar os melhores soldados da Atlântida, o mercenário Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II, O Rei do Show, 2017) e todo tipo de monstro submarino.

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Beleza aquática
Aquaman era um filme que eu realmente não possuía muita expectativa. Ficava difícil imaginar como construiriam a Atlântida, como seria a ação dos personagens na água, até mesmo a fala e o movimento dos cabelos dos atores eram impensáveis. Pois Wan consegue entregar um filme onde todos estes quesitos funcionam perfeitamente. A Atlântida é linda, colorida e exuberante, apresentando várias estruturas e criaturas diferentes no seu convívio. Wan não se contenta em nos apresentar apenas uma cidade submersa. Ele traz todo um universo aquático, com diferentes seres, raças e culturas que viveriam abaixo do mar, surpreendendo positivamente o espectador. O alto custo da produção também garante que os detalhes menores dos personagens sejam críveis. O principal é que você sente que os protagonistas estão realmente debaixo d'água, fazendo-nos acreditar que um ser humano pode respirar no oceano profundo.

Mar tormentoso
Quanto ao desenvolvimento da história, seguramente é uma das mais bem elaboradas dos filmes da DC/Warner. O interessante é que no início a fita é emocional, depois passa para ação, brinca de ficção científica tipo Star Wars, imita uma aventura do estilo Indiana Jones, segue em um road movie subaquático, para acabar em uma grande batalha épica, de proporções de Senhor dos Anéis. O espantoso é que Wan consegue colar bem esta mistura e, mesmo sem ter muita interação com outros filmes da DC, você se convence que está assistindo uma grande história, de um bem montado universo de super-heróis.

Unindo os Mares
Além de tudo isto, Aquaman também se permite ser um filme que flerta levemente com o ativismo. O herói é um mestiço que poderá se tornar uma ponte entre dois mundos completamente diferentes. Ele se opõe a um déspota que quer impor sua vontade sobre todo o planeta. Para combatê-lo Arthur precisa ser "mais que um rei, mas um herói que defenda todos os reinos". Certamente esta é uma visão que pode ser crítica também ao nosso mundo atual, tão cheio de intolerância e individualismos que nos afastam cada vez mais uns dos outros.

Em águas seguras
Aquaman pode ter falhas, mas é um filme que fornece um grande avanço de qualidade nas fitas da DC. Certamente fará que o herói deixe de rimar com galhofa e torne-se um dos mais populares desta empresa de quadrinhos. Que o universo de Superman, Batman e Mulher Maravilha continue como o filme de Aquaman. Que seja divertido, alegre e atraente para todos os públicos. Se singrar os mares na mesma rota do filho ilustre da Atlântida, tenho certeza que a DC conseguirá finalmente navegar em águas seguras. Certamente conquistará uma nova legião de fãs no cinema, felizes com o que veem nas telas, dentro ou fora d'água.


Trailers

https://youtu.be/BvAoKEtoDdc
https://youtu.be/vknlB8LZdW8
https://youtu.be/OlJG6FbCu6Q

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