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20/11/2018 - 10h01

Apóstolo

Filme mescla terror, suspense e drama para trazer ótima obra para catálogo de streaming

Nos últimos tempos vários extremismos tem aflorado mundo afora. Entre estes o fanatismo religioso seguramente é um das manifestações radicais que mais tem preocupado filósofos e sociólogos. No cinema existem vários filmes interessantes sobre o tema. Entre eles podemos destacar: "Jim Jones - O Pastor do Diabo" (1980), "O Nome da Rosa" (1986) e "O Homem de Palha" (1973, Inglaterra, e 2006, EUA). Até mesmo o filme "A Volta ao Planeta dos Macacos"(1970), segunda obra, da primeira série dos símios falantes, discorre sobre o assunto, trazendo uma seita que adora uma bomba nuclear. Agora, a Netflix brinda seus assinantes com o ótimo longa "Apóstolo" (Apostle, EUA e Reino Unido, 2018), que nos faz refletir sobe o que leva os homens a seguirem seitas violentas e messiânicas que praticam todo tipo de maldade em nome de seu deus.

Invadindo a Ilha
Em "Apóstolo", Thomas Richardson (Dan Stevens, A Bela e a Fera, 2017) é o herdeiro de uma família, que está afastado da Inglaterra. Ao retornar para o lar, descobre que o pai faleceu e sua irmã foi raptada por um culto religioso. A seita deseja um resgate pela devolução da garota. No lugar de pagar o butim, Thomas decide se passar por um convertido e se infiltrar entre os crentes. Desta forma ele embarca disfarçadamente para a ilha dos fanáticos. Ao chegar no local acaba conhecendo o líder local, Pastor Malcolm Howe (Michael Sheen, Tron: O Legado, 2010), de quem conquista a confiança.

Irrigado a sangue
Na Ilha, Thomas descobre que seus habitantes acreditam que as lavouras do lugar eram estéreis. Graças a uma oferenda diária de sangue, uma deusa concedeu a fertilidade novamente as plantações do local. Para captar o sangue necessário, todas as noites os habitantes são obrigados a conceder vasilhas do líquido para os administradores da ilha. Mesmo assim, o líder dos fanáticos passa a caçar o irmão desconhecido de sua refém. Ele acredita que Thomas desembarcou na ilha com o dinheiro necessário para a manutenção do local, já que um novo período de estiagem parece estar se aproximando. Agora Thomas precisa se manter em segredo para salvar sua irmã. Faz isto enquanto descobre se as lendas são verdadeiras e se o resgate não o levará para sua própria morte.

Lentamente Horripilante
Apóstolo tem sido apontado como um dos melhores filmes do cadastro da Netflix. Mesmo assim, não espere nele um terror convencional. Na verdade o filme é coproduzido entre EUA e Reino Unido, fornecendo uma estrutura de roteiro lenta, comum aos filmes Europeus. A sua própria alcunha, de terror, pode ser bastante questionada. O que se sobressai é um drama que trata da vida dos fiéis da ilha, das praticas ilógicas da sua crença e da intolerância religiosa. O sobrenatural começa a se concretizar apenas no terceiro ato do longa, quando todas as situações são explicadas e realmente impactam o espectador.

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Banho de Lama
A fotografia, figurino e cenários também merecem destaque. A imagem dos barcos entrando na baia da ilha, por exemplo, é linda. Tanto isto é verdade que foi ela a escolhida para estar nos trailers da fita. Da mesma forma o figurino é exemplar, com roupas de época que se prestam a receber todo tipo de sujeira das adversidades, inclusive muito sangue, utilizado para os sacrifícios, ou lama, a qual os protagonistas são expostos em uma de suas tantas escapadas do perigo. O cenário também é perfeito. Nele foi recriada uma vila do início do século XX, dos países britânicos. Pena que todo este aparato só possa ser visto nas telas pequenas a disposição da Netflix.

Por que?
Apóstolo não é um grande filme de terror, nem tampouco é uma aventura, mas é uma película densa e de qualidade. Ela nos ambienta perfeitamente em meio a um grupo de fanáticos, enquanto tenta resolver o problema de Thomas e sua irmã. É uma ótima maneira de refletirmos sobre a que são levadas pessoas, que colocam sua vida inteiramente nas mãos de um ser intangível.

Fanatismo do bem
Fazemos esta análise de uma forma divertida, enquanto desconstruímos todos os quebra-cabeças da ilha e sua deusa. A fita ajuda a nos afastar de um mundo como aquele. Principalmente, nos faz perceber que talvez o único fanatismo que realmente vale a pena é pela arte, música, cinema, séries e outras formas de audiovisual. Este fanatismo sim pode nos conferir muita cultura e com ela, quem sabe, até mudar nossas vidas.


Trailer
https://youtu.be/K6p3Yv_a1d4

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