Grupo Vieira da Cunha
Trovoadas esparsas

Tempo hoje

Min 10 / Max 21 +mais
15/05/2018 - 10h13

Uma Dobra no Tempo

Aventura utiliza do fantástico para ensinar lições de convivência

Uma menina, no período entre a infância e a adolescência, com resistência para enfrentar as mudanças em sua vida. De repente acaba em um mundo fantástico, onde encontra amigos mágicos e precisa enfrentar um adversário que simboliza todos seus medos e inseguranças. Esta história você já viu várias vezes, talvez sem perceber que era o mesmo conto, apenas escrito de forma diferente.

Além da toca do coelho
Temos praticamente o mesmo enredo em Alice no País das Maravilhas (1933,1951, 2010) O Mágico de Oz (1939), Labirinto (1986), e vários outros filmes similares. Agora uma trama parecida, mas com outra roupagem, volta aos cinemas através de uma nova obra infanto-juvenil dos estúdios Disney. Em "Uma dobra do tempo" (A Wrinkle In Time, EUA, 2018), uma outra menina tenta utilizar teorias científicas para atravessar o universo e encontrar o pai desaparecido.

Variações sobre o mesmo tema
A grande diferença entre estas histórias é a temática, a qual a protagonista está envolvida, que sempre faz referência a época em que obra foi escrita. No livro de Alice, lançado em 1865, temos uma trama que versa sobre a passagem para a fase adulta de uma menina que precisa aprender a se comportar como dama. Era isto ou ter a sua cabeça cortada. Em Mágico de OZ, a garota Dorothy precisa descobrir que, independente da idade, o que vale são seus amigos simples e que não existe lugar como o lar. Já em Labirinto, a menina Sarah precisa aprender que tão importante quanto crescer é cuidar das tarefas simples que lhe são fornecidas, como cuidar do irmãozinho. Deve fazer isto mesmo que precise enfrentar o rei dos anões, interpretado pelo grande músico/ator David Bowie.

A ciência do reencontro
Em "Uma Dobra no Tempo", a trama é muito similar a todas as anteriores. Nele somos apresentados a Meg (Storm Reid, 12 Anos de Escravidão, 2013) irmã de um garoto prodígio de nome Charles Wallace (Deric McCabe). O pai das duas crianças, Dr. Alex Murry (Chris Pine, Mulher Maravilha, 2017), está desaparecidos há anos. Isto devido as suas experiências sobre dobrar o tempo e o espaço. Alex acreditava que se dois pontos do Universo possuem sentimentos, um pelo outro, eles podem atravessar o espaço para se encontrarem. Para isto não importa a distância entre eles. Fazendo testes sobre esta tese, o cientista acabou sumindo sem deixar vestígios.

Publicidade




Não estamos no Kansas
Já sem esperanças de reencontrar o Pai, Meg é apresentada, por seu irmão prodígio, a algumas mulheres peculiares que lhes ensinam como "Tesserar" até o outro lado do universo. São elas as senhoras "Que", "Qual" e "Quem". Estas mulheres. que são um misto de alienígenas e outros seres poderosos, conseguem ensinar Meg a abrir portais para chegar até seu pai. A menina viaja então até o outro lado do universo, acompanhado das senhoras, do seu irmão e do amigo, Calvin. Este embarca na aventura como interesse romântico da menina.

Lagartas falantes e Macacos Voadores
Há vários planetas distante da Terra, a menina encontra seres diversos, como flores sussurrantes e uma couve voadora. Obviamente também descobre um grande mal, que nada mais é que seus próprios sentimentos negativos que precisam ser enfrentados. Meg precisa combater uma vastidão escura que se espalha pela galáxia e está contaminando tanto seu pai quanto seu irmão. Se não for impedida ela tomará conta de todo cosmo. Para enfrentar este vazio a menina precisa se impor sobre suas dúvidas, medos e aflições que anos de buling na escola a fizeram adquirir.

Muito além do arco-íris
Uma dobra no tempo é um filme interessante obviamente pelo seu colorido e seus efeitos visuais. No entanto, certamente são as Senhoras Que, Qual e Quem que roubam a cena. A primeira é interpretada por Reese Witherspoom (Água para Elefantes, 2010) e traz uma colorida Senhora que tenta impulsionar Meg através da crítica aos seus erros e inseguranças. A segunda, a Senhora Quem (Mindy Kaling, Oito Mulheres e um Segredo, 2018), destaca-se por apenas proferir citações já efetuadas por grandes pensadores. A ultima, Senhora Qual (interpretada pela apresentadora Oprah Winfrey) ocupa o papel de incentivo a menina, auxiliando que ela reacenda seus potenciais.

A felicidade acima das cores
 Se fugirmos da parte visual e da interpretação das senhoras, o filme se destaca principalmente pelo protagonismo que busca fornecer aos seus personagens. A diretora do filme é a afrodescendente, Ava DuVernay (Selma uma Luta pela Igualdade, 2015), que se consagra nesta película como a primeira mulher negra a dirigir um filme com orçamento acima dos US$ 100 milhões. Certamente ela foi escolhida para poder fornecer mais realismo a uma história fantástica que possui um casal inter-racial como pais da heroína, onde a protagonista tem características afrodescendentes, e onde suas "madrinhas" são três mulheres de diferentes nacionalidades. O filme tenta passar uma mensagem que, independente da etnia, ou do quanto a sociedade te estigmatize, existe espaço para vencer e abrir espaço para crescimento e felicidade.

Ciência, o novo labirinto
Para fazer isto, o filme utiliza o elemento mais próximo da magia que possuímos atualmente: a ciência. Termos científicos são utilizados com tanta frequência quanto alguns inventados especificamente para as obras anteriores sobre meninas perdidas. A autora se ocupa de uma linguagem bastante acadêmica para dar a mesma credibilidade a este mundo imaginário, que foi fornecida ao mundo louco de Alice no País das Maravilhas, no século XIX, ou do Mágico de Oz, no início do século passado.

Um caminho dourado para a vida adulta
Vale a pena assistir "Uma Dobra no Tempo" principalmente pelas lições que o filme pode fornecer. As crianças poderão tirar ensinamentos de moral e de convivência bastante elevados que as auxiliarão a viver em comunidade. Que "Uma Dobra no Tempo", não seja a última história deste tipo, e que, de tempos em tempos, surjam novas Alices e Dorothys, para auxiliar a mostrar aos nossos jovens os caminhos para adentrar a vida adulta. Certamente os contos imaginários de meninas como Meg conseguem oferecer além de diversão, um ótimo mapa para percorrer estes novos mundos, que a cada dia as crianças vão descobrindo.


Trailers
https://youtu.be/C4oTKPIDsZQ
https://youtu.be/eSX_4Zj8YLE
https://youtu.be/_lYWNxrafTs

  • amigo

É preciso estar logado para deixar o seu comentário. Clique aqui para fazer seu login.

Comentários (0)

  • Nenhum comentário para o conteúdo.

Postagens mais recentes de Blog do Cinema

mais postagens de Blog do Cinema

JP no Facebook