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14/11/2017 - 09h06

Depois daquela montanha

Aventura se destaca pelo tratamento digno que fornece a relacionamento inter-racial

Estamos vivendo um momento em que efeitos em CGI inundam as produções cinematográficas. Isto não é ruim, pois permite que os diretores tenham a possibilidade de materializar toda a sua imaginação no cinema. Não fosse as imagens geradas por computador, certamente não teríamos este retorno das grandes bilheterias. O público lota as salas para ver histórias impossíveis, de seres fantásticos ou de super heróis. No entanto, as vezes é bom dar uma respirada nos efeitos especiais. Vale a pena assistir uma aventura adulta, com uma história factível e os tradicionais efeitos práticos, mais baratos, mas que te envolvem tanto quanto os gráficos informatizados. Uma boa pedida deste gênero está em cartaz. Trata-se de "Depois daquela Montanha" (The Mountain between us, EUA, 2017), aventura romântica baseada no livro de Charles Martin e dirigida pelo israelense Hany Abu-Assad (O Idolo, 2015).

Cade a noiva?

No filme, a fotojornalista Alex Martin (Kate Winslet, Titanic, 1998) está com dificuldades para chegar em seu próprio casamento, devido a uma tempestade que impede viagens com aeronaves de grande porte. Na mesma situação está o médico Ben Bass (Idris Elba, Thor - Ragnarok, 2017) que iria pegar o mesmo avião da moça para realizar uma cirurgia.

Descida rápida

Ao perceberem que estão com problemas idênticos, os dois resolvem contratar um pequeno avião bimotor para contornar a tempestade. Tudo parecia ir bem na viagem, até que o piloto tem um ataque cardíaco. O mau súbito acontece em pleno voo. Desgovernada, a aeronave cai no topo de uma altíssima montanha congelada. O piloto não sobrevive a queda, mas o casal sim, junto com o cachorro labrador do aviador. O desastre gera algumas fraturas nos tripulantes. Isto atrapalha sua fuga imediata do local do desastre.

Ou vai ou desce

Agora eles precisam decidir se tentam descer a gigantesca montanha coberta de neve ou esperam a chegada de um possível socorro. Nesta indecisão acabam enfrentando o frio intenso, a falta de comida e até o ataque de animais selvagens. Poderá este envolvimento ir além da luta pela sobrevivência e se tornar um interesse romântico? Esta é o grande mote do filme, junto com a luta pela suas vidas, é claro.

Todos Iguais

Como já falamos "Depois daquele montanha" é uma aventura romântica com efeitos práticos. Sua construção é melosa, leve e divertida, embora o clima tenso do desafio imposto pelas baixas temperaturas. Mas o destaque da película não é apenas o romance. A fita é relevante por conter um bem desenvolvido envolvimento inter-racial entre os dois protagonistas. Idris é tratado no romance com o respeito que deveria ser dado a qualquer ator, de qualquer etnia, no cinema.

Soco no preconceito

Na maioria das vezes os homens negros ocupam papéis secundários como ajudantes, trabalhadores, escravos, quando atuam com homens e mulheres brancos. Dificilmente os permitem ser protagonistas. Neste filme Elba ocupa uma posição que poderia ser desempenhada por Mel Gibson ou Harrison Ford, em seus melhores momentos. Como esperado, sua etnia não prejudica em nada a trama, posicionando-o de uma maneira bem adequada ao momento que vivemos. É uma fita doce, mas também um soco na barriga dos preconceituosos. Um exemplo para esta época tão sombria.

Discreto e certeiro

Vale a pena ver "Depois daquela montanha" por vários motivos: pelos efeitos práticos, pela aventura, pelo romance e principalmente por ter a coragem de realizar um combate ao preconceito de uma forma discreta e distante do discurso panfletário.

Uma última dica

Ah, fora isto o filme te passa uma informação muito importante. Se Kate Winslet te convidar para uma viagem NÃO VÁ. Que moça azarada. Depois de seu passeio no Titanic, e agora no bimotor de "Depois daquela montanha", fica comprovado que existe uma forte tendência de seus parceiros acabarem congelados quando a acompanham. Pior é que, como os efeitos do filme são práticos, não dá nem para usar um ar condicionado escondido para fugir do frio.

 

A Noiva

Terror mostra que é possível romper o mercado internacional com pouco dinheiro

Filmes europeus, quando conseguem entrar no chamado circuito comercial de cinema, normalmente são muito bons. É preciso ser bastante eficaz com a plateia para furar o bloqueio dos blockbusters americanos e agradar o público. Portanto, é alta a expectativa que temos quando vamos assistir "A Noiva" (Nevesta, Rússia, 2017), filme de terror russo, que está em cartaz nas salas de projeção de todo o país.

Foto macabra

A fita começa bem. A trama inicia contando a história de uma homem do século XIX, recém-casado, que perde sua esposa. Abalado, ele resolve seguir uma antiga tradição de tirar uma fotografia da morta com a pupila dos olhos desenhada sobre suas pálpebras. Conforme o folclore local, ao se fazer isto, a alma do falecido fica presa no negativo da foto. Este poderá então resuscitar no corpo de outra pessoa.

Casamento ruim

Dois séculos mais tarde, o jovem Ivan (Vyacheslav Chepurchenko), decide levar sua noiva, Nastya (Victoria Agalakova), para conhecer sua família no interior russo. A visita teria o objetivo de organizar o casamento do casal. Logo após a viagem a menina percebe que a ideia pode ter sido um grande erro.

Se esgueirando nas sombras

Após ser apresentada a família, a moça começa a ver sombras demoníacas e outras alucinações. Para descobrir o que está acontecendo resolve explorar a velha casa de campo, cheia de passagens secretas e outros segredos. Nisto acaba desvendando situações bastante incomuns.

Cade o noivo?

Piorando a situação, seu noivo simplesmente desaparece. A garota fica então nas mãos dos estranhos parentes do rapaz. Agora a jovem precisa decidir se tenta descobrir o paradeiro do noivo, ou fica a sua espera, colocando sua própria alma em risco.

Prefira o Português

"A Noiva" é uma história que começa bem, com um flashback bem organizado, mostrando os problemas acontecidos no passado. No entanto, no desenrolar da fita, a trama acaba se perdendo. Existem problemas de narrativa que vão desde falta de continuidade, péssima atuação a mau aproveitamento de uma história que poderia ser boa. Infelizmente esta é apresentada de uma maneira fraca e bastante óbvia para filmes de terror. Para piorar ainda mais a cópia legendada é dublada em INGLÊS. Portanto, se for assistir, opte pelas fita com voz em português. Nossas traduções são bem melhores que as dos gringos.

Os camaradas tentam

De qualquer forma é interessante ver "A Noiva" por ser uma obra de um país que nem sempre conseguimos ter acesso. A Rússia é uma potência cultural interessante e tem se aventurado em fazer seus próprios blockbusters, como o filme de heróis "Os Guardiões" (2017). Não é bom, mas eles tentam.

Pelo produto nacional

Particularmente, ao ver um filme de terror estrangeiro, sou obrigado a pensar. Onde estão os filmes de terror brasileiros? Temos um forte folclore com seres fantásticos que facilmente poderiam ser transformados em monstros. Possuímos também religiões, cultos e lendas que dariam boas histórias. Um filme de terror, como prova "A Noiva", normalmente é barato. Se bem feito poderíamos romper as barreiras internacionais com nossa mitologia.

Além do Zé do Caixão

Está na hora de nossos diretores e produtores transporem as produções trash do Zé do Caixão e elaborarem películas de terror com qualidade. Seria importante aproveitar esta onda de filmes místicos para adentrar neste grande nicho de cinema do mercado mundial. Com certeza, se o russo "A Noiva" conseguiu sair de seu país, podemos ir muito além do casamento no circuito internacional.

 

Trailer - Depois daquela montanha

https://youtu.be/k-cdPmoQEsc

https://youtu.be/FV9cnUDNT2k

 

Trailer - A Noiva

https://youtu.be/uUs5Zq2ysjg

https://youtu.be/qVFVyCMtiKY

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