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Edição Impressa
17/10/2017 - 09h25

A Morte te dá Parabéns

Sucesso das bilheterias mistura “Feitiço do Tempo” com “Pânico”

Filmes de viagem no tempo normalmente enchem os cinemas. Quem não gostaria de mudar algo que fez no passado ou visualizar o que poderia acontecer se nossa história fosse alterada. Nos dias de hoje, tem sido frequente a exibição de um tipo específico de viagem temporal. Estou falando das fitas sobre loops.

Voando em círculos
A expressão “loop” é utilizada na informática quando o computador fica repetindo a mesma ação por erro. Na aeronáutica é usada quando um avião fica fazendo piruetas no eixo de um círculo. Já no cinema, o termo refere-se a filmes que voltam sempre ao mesmo ponto em que começaram, dando a oportunidade do protagonista refazer a história.

Feitiço do tempo
O filme que melhor trabalhou este tema certamente foi “Feitiço do Tempo” (1993), onde o ator Bill Murray, interpreta um arrogante repórter meteorológico,que fica preso a um mesmo dia e precisa melhorar sua personalidade para sair dele. Outro filme que trabalha o tema é “Corra Lola, Corra” (1998), do alemão Tom Tykwer. Nele a protagonista tenta impedir a morte do namorado e nos é mostrado todas as suas possíveis ações neste repetido momento desastrado.

Experiências que voltam
Os filmes de ficção científica também tem boas histórias de loop, como “Contra o tempo” (2011), com JakeGyllenhaal, e no “Limite do Amanhã” (2014), com Tom Cruise. Nestes o motivo do retorno temporal é explicado no final e no início da trama, respectivamente.Mantem-se a necessidade de não se cometer os mesmos erros a cada retorno. Pois agora os filmes de terror e suspense também tem um loop para chamar de seu. O filme “A Morte te dá Parabéns” está no topo das bilheterias americanas e traz uma protagonista vivendo um retorno eterno ao dia de seu aniversário, que também é de sua morte.

Várias vezes chata
Em “A Morte te dá Parabéns”, de Christopher Landon (Atividade Paranormal, 2010/2015),somos apresentados a Tree Gelbmann, vivida por Jessica Rothe (La-la-Land, 2017). A menina é uma jovem acadêmica,patricinha e enfadonha, que acorda sem lembrar como foi parar no quarto de um colega nerd. Logo de cara o filme mostra de que forma a menina trata seus colegas, professores e amigos. Sempre com o mais absoluto desprezo, arrogância e empáfia.

Quando em círculos nunca se é bastante rápida
A garota está de aniversário, mas rejeita qualquer forma de carinho que as pessoas demonstram com ela. Sua preocupação é apenas na festa que irá participar a noite ou em pegar o seu professor mais velho, e bem casado, para passar de ano. Mesmo agindo desta forma, tudo iria bem na vida da garota, se um serial killer mascarado, no melhor estilo do filme Pânico (1996), não resolvesse assassiná-la.

Morrendo de novo
Pois é justamente isto que acontece. Um assassino maluco, vestindo uma máscara de bebê (do mascote do time da universidade) dá cabo da menina de uma forma violenta. O problema é que a garota, no lugar de morrer, retorna ao ponto em que começou o filme, no quarto do colega nerd.

Disco arranhado
Após morrer e retornar mais umas duas vezes, tentando entender o que está acontecendo, finalmente a menina percebe que deve eliminar prováveis suspeitos pela sua morte. Só assim conseguirá sobreviver e ir adiante. O problema é que ela deve fazer isto antes que seu corpo se deteriore com tantas mortes. Isto pois, embora volte no tempo, cada ceifamento deixa nela marcas físicas que vão agravando sua saúde. 

De volta ao terror
Além de ser um loop, o filme é um retorno a fitas adolescentes de assassinos como o já citado Pânico, ou os clássicos “Hallowen” (1978)“Sexta-feira Treze” (1980), ou a Hora do Pesadelo (1984). A fita consegue mesclar bem gêneroscomo ficção/fantasia, terror/suspense e filmes adolescentes com comédia. Como nos anteriores tenho certeza que a máscara do assassino passará a ser uma das mais vendidas do próximo dia das bruxas americano.

Retornar por quê?
Embora seja bem conduzida, a fita tem alguns problemas, como não explicar nunca o porquê dos loops. Talvez seja o aniversário, mas nunca fica claro.Quanto à interpretação a atriz principal até consegue segurar bem o papel. Seu único vacilo é no momento em que tem de se transformar de menina malvada para uma boa pessoa, visando finalmente avançar no tempo.

Murray não voltará
Falta a garota a experiência de Bill Murray, em Feitiço no Tempo, para a metamorfose da protagonista. Naquele filme o comediante consegue convencer perfeitamente do desenvolvimento de sua personagem. Ele chegaa emocionar quando se torna um ser mais evoluído, no final da fita. Em “AMorte te dá Parabéns”, que inclusive cita o filme de Murray num easteregg,a garota não consegue ter a mesma profundidade e a transformação em boazinha fica falsa.

Complexo como um carrossel
Cá entre nós, o filme não é para ter profundidade mesmo. Trata-se de apenas mais uma fita de fim de semana. Divertida, bem produzida, com uma história interessante, mas sem pretensão maior. O grande problema é que, com a boa bilheteria que está fazendo, podem ter certeza que serão geradasvárias continuações da película.

Círculo sem fim
Dai meu caro leitor, quem ficará num loop seremos nós, revendo a mesma história, com outra roupagem, por anos a fio. Se os derivados avançarem na história, sem problemas. Eu topo acordar vários anos seguidos na porta do cinema para ver um novo conto desta história.
 

Trailer
https://youtu.be/XVF84CJGVuY 

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