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26/06/2019 - 10h05

Dércio Braúna

Dércio Braúna nasceu em Limoeiro do Norte, Ceará, em 1979. Poeta e contista contemporâneo. É mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará. Publicou os livros de poesias “O pensador do jardim dos ossos, A selvagem Língua do Coração das Coisas, Metal sem Húmus, além de volumes de contos e teóricos abordando as relações entre a história universal e a literatura africana. Sua escrita caracteriza-se pelo uso de diferentes formas e recursos linguísticos. Aborda em sua essência temas comuns e significativamente inquietantes da existência humana, entre os quais, morte, amor, solidão, esperança... Poesia plural. Relevante. Densa. Que se reinventa a cada palavra, a cada sentido ou significado. Pungente. Melancolia acometida de arte.

Por: Tiago Vargas

 

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Oráculo

a poesia não está na palavra
(como uma coisa em si)
mas no olho de quem vê
o que lhe carrega o nome
[in A selvagem língua do coração das coisas]

Dércio Braúna




METAFÍSICA PELOS DENTES

Arrasto a dentes
esses meus dias pelo mundo.

É com eles,
com sua inabalável verdade,
que considero a medida de minha fé.

Só conheço esse deus
(e seu canto calcário);
o resto é essa lúcida alegria
de saber que tudo é inútil
e, ainda assim, seguir gritando
“esta necessidade
de humanidade
entre nós
que como lâmina
nos fere
e urra
estrondosamente.”

Dércio Braúna

 


 

A vida

Continua quando amore acabam...outros começam...
Continua quando amigos se vão...outros chegam...
Continua quando pais morrem...

Continua quando nascem vidas novas...quando vidas velhas sobem degraus...
Continua quando somos pais e os filhos vão viver suas vidas...
Continua quando passamos noites em claro esperando por um milagre...

A vida continua... continua...continua...

Noemi Vidal


Na casa de minha infância
Tem jardim, tem horta, tem pomar
E a árvore genealógica escorre saudade.

Zaira Cantarelli

 

PRATOS QUEBRADOS
Sem abraços, sem beijos, sem mãos estendidas.
A lembrança que fica, a saudade que vai,
Paixões amorosas, no momento sofridas,
Tristeza profunda que no pranto se esvai.

Como cerrar de cortinas, no fim de festa,
Este poema retrata um amor não vingado.
Momentos frustrantes, desgosto é o que resta,
Instante dramático de amor terminado.

Emocionantes são os fatos nas cenas finais,
Papéis destruídos, depois de amassados,
Retratos bonitos, que foram rasgados.

Ofertas de mimos que no amor é normal,
Que são devolvidos ao teor do rancor,
Insofismáveis provas de pratos quebrados.
João Francisco Severo

 

Paulinho
O teu sorriso alegra meu dia
Tuas palavras acalmam minha ira
Tua presença me completa
Minha felicidade é a tua felicidade
Os meus sonhos agora são os teus sonhos
E a cada dia a vida mostra motivos para ser feliz
Felicidade pela simplicidade do amor compartilhado
No entardecer e no amanhecer dos dias iguais
Que se tornam diferentes pela tua presença.
Rosana Ortiz

 

Era uma vez
Um poema que nasceu eterno
Sem rédea
Do escárnio pele
Ao verso que traduz íris cega
Reverberando consumição
Sucumbindo fome ferrão
Tracejado por mãos sem tato.

Cris Mb

  • amigo

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