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05/06/2019 - 10h09

Ana Elisa Ribeiro

Ana Elisa Ribeiro nasceu em Belo Horizonte em 1975. É autora de mais de uma dezena de livros literários, técnicos e infantis. Entre as publicações poéticas destaques para Anzol de pescar infernos (Patuá, 2013, semifinalista do prêmio Portugal Telecom), Xadrez (Scriptum, 2015) e Por um triz (RHJ, 2016, infantojuvenil). No gênero, suas principais influências são Cacaso, Chacal, Ana Cristina César e Paulo Leminski. Do óbvio para o raro. Poetisa singular, de escrita sincera que faz parecer interessante os contextos da rotina. Sua poesia é reta, direta. Sedutora. Sintética na própria linguagem. Coloquial e contemporânea. No melhor sentido da palavra.

 Por: Tiago Vargas




 

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DA ESCRITORA

Já a metade
da minha vida
passei nesta lida
com letras,
papel, projeto,
poemas, falida.
Já a metade,
conforme contei
outro dia.
E prestes já
a contar
mais da metade,
em breve,
estimando,
quem sabe,
que, ao cabo,
pareça
ter sido
leve.
 Ana Elisa Ribeiro

 

EU NÃO TENHO A ALMA DE UM CORRIMÃO

          Eu sou mais elo, de liga e do laço.
          Respeito para mim é coisa fina,
          assim como o abraço.
          Mais do que as transas e os beijos,
          as mãos dadas me parecem mais sinceras.
          Tão ruins quanto as promessas
          são as esperas.

Ana Elisa Ribeiro

 

 EL NIÑO

a poesia
tem se escondido
atrás das coisas.

e tenho
me esforçado pouco
para encontrá-la.

talvez a encontre
já morta.

se envelhecida, (ressequida)
já será
vantagem.

— poesia
também sofre
na estiagem.

Ana Elisa Ribeiro


 

Abraça-me

Neste dia frio
te encontrar na rua
ao acaso

abrir teu casaco
me encostar no teu peito
sugar teu calor

Respirar o ar quente da tua
respiração
Quase um beijo

E,sem pressa,
sem pressão,
só me deixe ficar aqui

Eleana Roloff

 

VOCÊ NO MEU CORAÇÃO
Ocupa um lugarzinho
Em um cantinho
Dentro de um cofrinho
Bem fechadinho...
Dentro do meu coração
Vermelho cor da paixão...
Pulsando a todo instante
É valioso e brilhante...
Faz muito tempo que guardo
Com todo o meu carinho
Este teu coraçãozinho...
Ele ficará para sempre
Guardado dentro de mim
Pois contém um amor
Que nunca terá fim...
Nedi R. Garske

 

Sementes e ciclos

Em todas as fases da planta
Existe uma tentativa...
Para torna-se semente outra vez
É preciso somar forças
É preciso sonhar outra vez...
Passar pelos ciclos da vida
E voltar sempre inteiro
Colocar um sorriso em cada roteiro.
Ver nas flores uma passagem...
Crer que todo processo
Faz parte de uma viagem...
Quando o cair da semente, traz novamente vida
Em cada sonho uma acolhida...
Alguém que te pede e floresce
E um dia volta para casa
Se tornou então semente debaixo de suas asas.

Melissa Streck

 

Os encontros são raros
Os desencontros são comuns
O relógio marca o tempo
Que passa rápido
E nos perdemos nas horas
E perdemos tanto tempo
Os dias
Os meses
Os anos
A vida passa
E quando vemos
O vento muda
E a vida se vai
E ficamos sem tempo.
Rosana Ortiz

 

A JANELA DOS MEU OLHOS
Uma casa sem janelas
Sem portas
Continha uma biblioteca escondida
E os olhos da curiosidade me aguça.
Uma fresta na paredes rabiscadas
Me servem de consolo.
E no teto
Um pequeno buraquinho
Ilumina um estreito corredor.
E o cheiro de mofo
Me alucina.
Entre livros e poeira
Um me avista
E sua escrita
Enchem meus pensamentos de fervor.

Jorge Ritter 

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