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20/03/2019 - 09h50

Décio Pignatary

Décio Pignatary foi ensaísta, romancista, contista, cronista, professor, jornalista, tradutor, publicitário e poeta. Nasceu na cidade paulista de Jundiaí, em 20 de agosto de 1927. Desde o começo dos anos 50 realizava experiências com a linguagem poética, incorporando recursos visuais à fragmentação de palavras. Tais inovações verbais culminaram no concretismo, movimento estético fundado ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Publicou traduções de Dante Alighieri, Goethe e Shakespeare, entre outros clássicos. Suas obras mais destacadas foram “Poesia, pois é poesia’’ e “Semiótica da arte e da arquitetura’’. Poeta do estranhamento, da interrogação como solução permanente. Inquieto e criativo. Vigoroso na linguagem entre o visível e o discursivo. Inovador. Faleceu em São Paulo, no dia 2 de dezembro de 2012.

Por: Tiago Vargas

 

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JANEIRO/FEVEREIRO
Calendário Philips 1980

Nem só a cav
idade da boca
Nem só a língua

Nem só os dentes
e os lábios
fazem a língua
Ouça
as mãos
tecendo a língua
e sua linguagem
É a língua
têxtil

O texto
que sai das
mãos
sem palavras
Décio Pignatary




 

 

CHUVA
Este cheiro de terra molhada
Me faz lembrar do passado.
Da minha infância
Da adolescência
E da minha mãe...
Chove lá fora
E cada vez que chove
Voltam as lembranças
De um tempo bom...
Onde tudo o que tínhamos
Era o amor e a união...
Chove também
No meu coração...
Onde as lágrimas representam
O pranto da alma.
Pois tenho uma saudade sem fim
Que insiste em morar
Dentro de mim...
Nedi Garski

 

Mudanças

Não foram apenas as palavras que mudaram,
Não foram apenas as pessoas que mudaram,
Não foram apenas os modos de demonstrar que mudaram.
O jeito de sentir mudou, tornou-se mais discreto, como que se amar fosse o maior dos pecados, nesse tempo em que vivemos todos escondidos atrás de um celular, com sentimentos contidos.

Maju N.G.

 

Livro de recordações

Na esquina do tempo
livros e memórias
nas histórias família
visitando o passado

na busca o resgate
das origens da vida
na saborosa outrora
do lugar onde nasci

nas letras o estudo
da língua, literatura
na vocação a poesia
que registra nostalgias

escrevendo passados
também antepassados
como robinda existência
nas mãos meu livro de recordações.

Jorge Corrêa

 

Diz-me baixinho o teu nome
Sussurra-me o teu desejo
Cala-me dos lábios. A fome.
No silêncio do teu beijo

Despe-me a alma aos poucos
Com gestos ternos e doces
Cobre-me os olhos, que loucos
São, nesse teu corpo que despes

Que seja a tua pele dentro da minha
Pela noite que se avizinha
Uma dança de estrelas pairando a lua...

E que pela manhã o último luar entre
Olhos dentro de mim, sobre teu ventre.
E me digas somente, baixinho: ...- Sou tua!-…

Enio Santos

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