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06/02/2019 - 11h24

Raul Bopp

Raul Bopp nasceu no dia 4 de agosto 1898 na Vila Pinhal, distrito que pertencia ao município de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Foi jornalista, cronista e poeta. Participou com destaque na Semana da Arte Moderna de 1922, movimento que inaugurou o modernismo no Brasil. Cobra Norato foi sua obra fundamental; definida por críticos como paralelo em verso de Macunaíma, O herói sem nenhum caráter, de seu contemporâneo Mário de Andrade. A poética de Raul Bopp se caracterizou basicamente pela estrutura do verso livre, pelo uso de elementos do folclore, pelo emprego de elementos da cultura negra, pela oralidade satírica, uso de aliterações e pela recorrência dos cenários naturais brasileiros. Autor clássico, basilar. De escrita precisa e consciente. Fusão perfeita entre o erudito e o popular.

Por: Tiago Vargas




Monjolo Chorado do Bate-Pilão

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Fazenda velha. Noite e dia
Bate-pilão.

Negro passa a vida ouvindo
Bate-pilão.

Relógio triste o da fazenda.
Bate-pilão.

Negro deita. Negro acorda.
Bate-pilão.

Quebra-se a tarde. Ave-Maria.
Bate-pilão.

Chega a noite. Toda a noite
Bate-pilão.

Quando há velório de negro
Bate-pilão.

Negro levado pra cova
Bate-pilão.

Raul Bopp

Janeiro



 

Favela
Meio-dia.

O morro coxo cochila.
O sol resvala devagarzinho pela rua
torcida como uma costela.

Aquela casa de janelas com dor-de-dente
amarrou um coqueiro do lado.

Um pé de meia faz exercícios no arame.

Vizinha da frente grita no quintal:
— João! Ó João!

Bananeira botou as tetas do lado de fora.
Mamoeiros estão de papo inchado.

Negra acocorou-se a um canto do terreiro.
Pôs as galinhas em escândalo.

Lá embaixo
passa um trem de subúrbio riscando fumaça.

Janeiro me sufoca...
não é tão somente o calor do verão.
É tua falta.
O mês que era para ser de alegria
tornou-se sofrimento, saudade cortante.
O tempo vai passando,
a saudade aumentando.
Relembro nossos dias em verões de outrora,
belas e eternas lembranças...
janeiro me sufoca
calor nas ruas, frio na UTI...
sempre te amarei.

Rosana Ortiz

 

IMPULSÃO
Hoje posso tatear meus passos
Que vacilam incontrolavelmente no invisível a frente
Passos que ao passo que tocam
firmes a penumbra dos dias
Tornam-se vagos ao andarem involuntariamente
na imaginação do futuro.

Priscila Chruscinsky

 

Cura
Entre todas as opções você escolheu ficar
Escolheu abraçar o meu caos
Suportar o meu mau humor e mostrar-me
Que posso ser melhor do que fui ontem.
O teu abraço quente me envolve junto
A batida do teu coração
E de um jeito que eu não consigo entender,
Você acalma a tempestade dentro de mim,
E de repente não existe mais espaço para dor.
As feridas se cicatrizam. Como uma cura.
Você é a minha cura.

Rafaela Christine

 

Mudanças
Não foram apenas as palavras que mudaram,
Não foram apenas as pessoas que mudaram,
Não foram apenas os modos de demonstrar que mudaram.
O jeito de sentir mudou, tornou-se mais discreto, como que se amar fosse o maior dos pecados, nesse tempo em que vivemos todos escondidos atrás de um celular, com sentimentos contidos.
Maju N.G.


A distancia
Enquanto os anos passavam, a cada dia o encantamento aumentava ,
No silencio a admiração foi dando lugar a um amor puro quase inocente sem malicia
A cada carinho roubado, um olhares apaixonado , sorriso encantador tens humor sem igual
Quisera agora a vida permitisse amor distante

Gilmara Alves

 

Borboleta

A lagarta é feia, triste, enclausurada, oprimida, quase condenada...
Tem a palidez e os moldes do sofrimento.
Mas tem fé, tem inteligência, tem sentimento...
Movida pela alquimia, reverte a si mesma á símbolo de beleza.
Sutil, cheia de charme e leveza, é a melhor amiga da flor...

Jaqueline Machado

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