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19/12/2018 - 09h47

Bruna Escaleira

Bruna Escaleira nasceu em 27 de outubro de 1988 em São Paulo. É jornalista e escritora. Pesquisa literatura e feminismos na USP e faz parte do coletivo Circular de Poesias. Escreve desde que aprendeu a combinar as letras. Hilda Hilst, Silvina Ocampo e Florbela Espanca são algumas de suas referências. Publica poemas e prosas no blog Algo-a-declarar.blogspot.com desde 2007. Estranhamento é sua primeira obra completa e reúne criações de 2012 e 2013. Seus versos se caracterizam como uma espécie de visita íntima, pessoal onde qualquer ideia ou conceito esbarra na poesia demarcando uma presença física forte e simbólica. Autora contumaz e talentosa. Marcante. Ousada e Íntegra.

Por: Tiago Vargas

 

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desvertebrados

entre a nuca e o cox existe um caminho
que você desconstrói com as pontas dos dedos
derreto aos pou qui nhos
devezevaporo

nossos centros de gravidade se transportam de um por outro
no balanço, se misturam
criam outra dimensão

e depois de acordar, encharcada
me pergunto: que cola?
suas mãos deslizantes descolaram cada vértebra
e me grudaram na cabeça

juntos, transcendemos
os limites do esqueleto

desestruturados
construímos o prazer

Bruna Escaleira




 

despir-se

escrever é o ato público
mais íntimo
porque as letras tocam apenas
quando a pele se faz eu lírico
só o poeta nu
escuta as flores

Bruna Escaleira

 

litros de coisas equivocadas

quando eu não sabia que quantidade não é a única medida
nunca tinha te provado em colheradas
nem sentido dor em machadadas
e não tinha ideia de que duração não serve pra nada
assim como rimas furadas
de cabeças todas erradas

Bruna Escaleira

 

 

Volúpia

Todas nós, mulheres do mundo, somos Virgens Marias,
parimos virgens e continuamos virgens;
todas nós, mulheres do mundo, temos um José ausente,
insuficiente;
todas nós, mulheres do mundo, queremos um anjo Gabriel
que nos visite ao anoitecer;
todas nós, mulheres do mundo, temos um amante invisível,
que nos acende, nos santifica e nos penetra com sua luz;
todas nós, mulheres do mundo,
somos o nosso próprio milagre, o nosso próprio Deus,
o nosso próprio diabo.Somos mães, irmãs e filhas de nós mesmas.
...
Tereza Duzai

 

Não há nada mais...

Coração vazio
Alma sombria
Lábios sem gosto.
Lembrança,
Do que já foi,
Afeto
Poesia
Amor

Tatiana Linhares

 

Epidérmicas relações

Tempo de relações
Fugazes, volúveis, Bambas
De (não) ficar.
Em desencontrados/encontros
Líquidos sentimentos
Arranjos efêmeros, Descarte
“Não me delete por favor”
Cenas insólitas da crosta
Solos em decomposição
Folhas amassadas , Em branco
Programa livre
De registros
Vazio de sentido
Opaca existência , De superfície
Tecendo
Fins sem começos
E sem direito à Linha do tempo.

Magalhe Oliveira

 

Tua beleza

Tua beleza triunfante flui desvendando
enigmas da tua alma.
Ela é expressão
da sublimidade e dos segredos do teu coração.
Beleza absoluta, singular e extraordinária.
Uma dádiva da Divindade
sucessiva e reinventada a cada amanhecer.
Um dom que vem do céu com o potencial
de inspirar o mais puro amor.

Gabriela Vidal Domingues


NUANCES

Canto o amor
Enquanto me
Encanta as estrelas...
E pela silente rua
Sob a luz
Azul-lilás da lua
Dispo-me dos véus
E me mostro nua.
Entre flores macias
De alfazema
Espero pela dádiva
Do reencontro e
Pela posse tua.

Liane Korberg

 

Ela gosta de escrever
Ele também,
Ambos lêem
Mas não se vêem,
Ela curte esporte
Ele sair a noite,
Seus corações batem
No mesmo ritmo,
Vivem pelo mesmo compasso
Mas cada um segue seus passos,
Ela observa o céu se satisfaz com o pouco...
Sorrisos dos outros...
Ele carrega no coração outros sonhos
Eles vivem em mundos opostos,
E sabem que o respirar de cada um é o mesmo.
Mas não cabe saber
O que o outro sabe,
Pois o saber dele
Ela não sabe entender,
Ela deve um dia querer saber o saber
Que ele sabe.

Luciara Lopes

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