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12/12/2018 - 09h58

Almada Negreiros

O múltiplo autodidata

 

Desenhista, pintor, caricaturista, ilustrador, bailarino, cenógrafo, figurinista, artista plástico, ensaísta, romancista, dramaturgo e poeta... Este é o perfil múltiplo de Almada Negreiros, cuja produção artística nos enriqueceu substancialmente transitando em incursões pessoais, com amplitude em todas as direções e gêneros possíveis. Nascido em São Tomé e Príncipe em 7 de Abril de 1893, foi um dos fundadores da revista “Orpheu”, veículo de introdução do modernismo literário em Portugal, onde conviveu de perto com autores como, Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa, seu amigo particular, o qual chamava carinhosamente de presidente-rei. Construiu sua obra literária por entre tensões - dividido sobremaneira entre a intuição e a análise ou entre a vocação poética e o espírito ensaístico. Em todas suas manifestações escritas e criativas mostrou-se sempre com uma originalidade invulgar e uma grande capacidade de invenção e superação. Em sua poética, o autor autodidata destacou características veementes e de força irônica ímpar, frisando para a importância do paralelismo que assumia contornos de uma simplicidade vigente e recorrente. Definido por Pessoa como espontâneo e rápido, Negreiros foi formal e vigoroso; Um dos principais nomes da literatura em língua Portuguesa. Equilibrista de sensações, seu legado inventivo fala por si só.

Por: Tiago Vargas

 

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Canção da Saudade
Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gêmea que nasceu sem vida, e amo-a a fantasiá-la viva na minha idade.
Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.
Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.
Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
Eu amo àquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
Eu amo os cemitérios - as lajens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente.
Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'




Não sei sonhar senão a vida
[...] não sei viver senão o sonho.

Almada Negreiros

 

Mãe!
ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!

Mãe!
passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros



 

Sol e Lua

Nasce o sol nas manhãs quentes da vida.
Surgem os namorados, o encanto é dobrado.
Caminham nas calçadas contando piadas.
Passam os dias trocando beijos e carícias
como um parque de diversão, passos ao chão.
A noite chega e lá vem a lua.
Tudo é vida, então ele, sol, ela, lua.

Rosiele Rösing

 

Não
Por que eu terei de fazer escolhas?
Logo eu, logo eu!
Eu que não nasci para exercer funções…
Ah! Caros senhores, eu não estou apto à passividade – não correrei o risco de tal prejuízo.
Não serei parte dessa dignidade inferior.
Por hora, não haverá escolha;
Não haverá função;
Não haverá profissão.
Haverá apenas o exótico,
Um insuportável entre opressores.
Assim seja.
haha!…
De que valem seus pensamentos retrógrados?
Meus caros, eu não me submeterei!
Não foi uma decisão fácil,
Tão difícil é que poucos ousam tomá-la,
Mas EU NÃO ME SUBMETEREI.
Não serei mais um adestrado.
Permitam-me, antes, adestrá-los.
Pode ser?
Copie! Estude! Entregue o fone!
Oh, hipócritas!
Aceitem-me! Suportem-me!
Porque está decidido: não serei um obediente a mais.
Serei eu diante de vocês.

Bryan Chagas

 

UM MINUTO

Uma suspiro profundo
Uma esperança infinita
Uma saudade
Um sorriso
Um passo pro nada
Uma angústia
Um aviso
Um adeus
Uma canção
Uma paixão.
E lá se vai à vida.

Jorge Ritter

 

BELEZA

Beleza não é uma simples aparência.
Falo da beleza que os olhos são incapazes
De perceber.
A beleza que é eterna,
Jamais se desgasta,
Antes se renova a cada dia.
Beleza que encanta,
Fascina e conquista sem palavras.
Beleza que só os olhos da alma vêem,
Pois é divina e irradia luz
Por onde passa.
A beleza é espiritual,
Mistério divino que
Flui naturalmente do coração
Inundando nosso ser.
A verdadeira beleza é interna,
Força invisível que se expressa
No brilho do olhar.

GABRIELA VIDAL DOMINGUES

 

SINTOMAS DO AMOR

Borboletas no estômago,
Tremor...
Suor intenso, odor...
Cheirinho bom,
De flor...
Perda do apetite,
Acredite!
É possível se apaixonar,
Por um olhar...
Tenho umanovidade,
Para te contar:
Seu sintoma é de amor.
E não em remédio que cure,
Essa dor...
A sua presença é intensa,
E ele é a cura,
Para todas as doenças...

Nedi R. Garske

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