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28/11/2018 - 08h38

De Varjota para o Mundo

Maílson Furtado, 27 anos nasceu em Varjota, cidade 17 mil habitantes, no sertão do Ceará. Fã de Ariano Suassuna, Ana Cristina César e Chacal, o poeta escreveu "A Cidade'', obra escolhida não só como melhor publicação de poesia, mas também como livro do ano Prêmio Jabuti 2018, honraria máxima da principal premiação literária do país. Improvável e histórico. Inverossímil. Em 60 anos do Jabuti, essa foi a primeira vez em que o melhor livro foi de um autor independente, assim como são chamados aqueles que publicam se sem escritos sem apoio de uma editora. Mailson fez tudo sozinho, escreveu à mão os versos de "A Cidade'', fez o desenho que estampa a capa, editou, revisou e diagramou. E também vendeu no boca a boca, os 300 exemplares da tiragem inicial, pagas do próprio bolso. Seus livros anteriores foram "Sortimento'', "Conto a conto'' e "Versos Pingados'', todos produzidos de forma autônoma. Poeta visceral, original. Atípico. Extraordinário. Seu nome agora figura ao lado de ganhadores de edições passadas como Rubem Fonseca, Luis Fernando Veríssimo, Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Marina Colasanti...

Por: Tiago Vargas


ENSAIO À SAUDADE n°1

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a saudade passeia
passeia por tantas bandas
tantas tantas tantas
sempre a brincar de ir-não-ir
se enfeita num retrato já antigo
amarrotado
rasgado pelo tempo que o rugou
se desbota numa parede
sem pintura
de onde estava ontem
anteontem
a fazer qualquer besteira
se emborca numa rua
que já foi nua há vinte anos
das coisas d’agora
hoje não mais
a saudade passeia
passeia por onde nem mais
: por onde o trilho que o trem não mais corre
pelo orelhão que abençoou tantos filhos lá pelo rio de janeiro
pelo ontem que dobrou a esquina do calendário
pela saudade da saudade da saudade
pela morte que se prontifica a viver
a saudade nela mesma
passeia

Maison Furtado




sem leitor
não há escritor
palavra esculpida
precisa ser lida
virar semente
seguir em frente

Marion Cruz


Chuva sem você

uma bela chuva
no entardecer
belas lembranças,
não sei esquecer
tudo vai, vem
nessa chuva
pode ser bom ou mal,
não importa
se tem você
no final...

Sofia Veiga Oliveira

 

A mente

Aumente a lente da mente e pense
Sem pensar a mente se torna demente
Doente
Carente
ausente
Deprimente
Aumente a lente da mente
Já não basta o sistema
Oprimindo o poema
Já não basta tanta ordem
Dando razão para a desordem?
Sem a mente pensante
Tudo fica limitado
Todos para o mesmo lado
Em fileiras comandados
Lendo apenas o que está escrito na lousa ou no negro enquadrado
Todos no mesmo quadrado
Seguindo comandados por uma mente que ri da gente contente
Abra a lente e aumente o pensamento
Que oprime o poema
Siga mesmo sendo louco a tua miragem
Miragem?
A tua paisagem infinita de coragem
Vire a esquerda saia da fila
E liberte-se
Não posso
Não devo
Não quero, me deixar levar por insanas mentes
Que sequer sabemos o que sentem, comandando a gente .

Fátima Farias

 

PERMISSÃO
Parta...Pois
Paulatinamente
Passos pesados
Pisando passado
Passando pelo passeio
Paixão primaveril
Partituras plenas.
Payador, plebeu,Playboy
Parnasiano poeta de
Palavras plácidas.
Por isso...Por tudo
Por nada...Por mais.
Parta..Pois
Paulatinamente.
Liane Korberg

 

O homem, o livro, o cão

O homem sentou na cadeira
tinha um livro na mão
o cão deitou no chão
o cão leu o homem
o cão leu o livro
o homem não leu o cão
o cão foi embora
o homem não leu o livro
o homem não leu o homem
o livro foi embora.

Renate Schmidt  

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