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21/11/2018 - 08h57

Consciência Negra

Tudo começou em meados de 1530, quando nosso regime colonial trouxe para a Bahia os primeiros escravos africanos. Durante séculos, o número de negros no trabalho forçado só aumentou até que, finalmente em 1888, a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, extinguiu a escravidão no país e os libertou. O grande problema dessa independência foi que os escravos não sabiam realizar outro tipo de ofício, continuando nas casas de seus patrões, mesmo desprendidos. Com isso, a tão esperada carta de alforria não chegou por completo. Comemorado no dia 20 de novembro, o dia da consciência negra tem como premissa ressaltar, relembrar e refletir sobre a causa e sua conjuntura na sociedade contemporânea. Essa data foi escolhida como símbolo por marcar a passagem de seu representante máximo, Zumbi dos Palmares. Os poemas dessa edição do literário evidenciam essa percepção, espelham o preconceito, a igualdade social e resinificam as suas (e também nossas) lutas e conquistas.

Por: Tiago Vargas


Negro tambor

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Atravessa os mares
Ecoa nas matas
Gritos de Palmares...
Negro tambor
Geme o açoite
Criando nações
No escuro da noite...
Negro tambor
Já foi libertado
Mas morre aos poucos
Lembrando o passado!

Leonardo Leão




Diamantes Negros

Somos todos brasileiros
Miscigenados ou não
O certo que temos
Sangue negro nas veias
O que importa é o coração...
Foi preciso uma lei
Para libertar nossos irmãos
E conscientizar a nação
Que Deus não faz distinção
Entre o preto e o branco
O que importa é o coração...
Pois todos somos seus filhos
Não importando a cor
Pois o que vale é o amor...
E que lindo diamante
É a nossa nação
Com povos tão coloridos
Feito primavera e verão...
Porque para mim:
Somos todos negros sim!!

NediGarske

 

Negrófila

Amo preto.
Pão, café e feição.
Vestido, bolsa e sapato.
Luvas e guarda chuva.
Capas de livros e rosas.
Canetas e laços nos cabelos.
O pretume da noite
A rapa do arroz quieimado,
O escurecível dos poemas,
O beijo daquele negro safado.
... E a sombra( (da caneta)

EleanaRoloff

 

Negra...

Que dormia tranquila um sono descuidado,
Passiva, indiferente, enfarada talvez,
Sob o ministério azul do céu todo estrelado...
Negra, imensa, disforme, enegrecendo a noite...
... Brutal e impura
Branca de espuma, ébrio de amor,
Tenta despir o seio duro
E virginal da terra em flor.

Enio Santos

 

Blues do luar

Garotinha branca rasgue a foto do Hitler
Enterre o senhor da guerra.
Antigamente nos trilhos do trem
Sentíamos a pulsação da terra.
Antes não tinha na escola,quadro negro
Mas meu sorriso já era de giz.
Não sou mais escravo hoje tenho emprego
E a liberdade de ser feliz.
Garotinha branca, não adianta...
O céu nunca foi azul de verdade.
Garotinha branca, quando anoitece...
Você embarca no ônibus da igualdade.
Garotinha branca, por que você.
Não canta o blues que eu fiz
Pra sua inconsciência dormir?
Garotinha branca não é só o luar...
Que encanta,eu já nascei assim,
Foi Deus que roubou a beleza da noite
E ofereceu pra mim.
Garotinha branca que graça teria
Se o céu fosse sempre azul?

Cleiton Leal




Morena nunca fui
Nunca fui morena
Mas muitos me fizeram ser assim!
Me perdi nas redondezas...
Escondendo a minha negritude
E por muito tempo me escondi,
E no meio das certezas
Na negritude eu renasci,
Hoje tenho atitude.

Descobri que morena nunca fui.
Neste tempo me achei...
Comecei a sorrir.
E a minha identidade
Nunca mais aniquilei.
Negra, sim!
Até o fim!
Escrever é Essencial
Luciara Lopes

 

A BELA DO QUILOMBO

A moça bela, que encanta com com seu sorriso espontâneo,
Bela forte coração esculpido, pela sua alegria do seu ser
Bela que encanta a todos seus amigos , que rodopeia , nas rodas dos festejos que relembram seus antepassados, nobres
Nobreza sem coroa, rainha de si mesma linda de alma e coração
Sua pela negra reluz , resplandece o que realmente és , a bela do quilombo
Negra sim, com coração forte com uma beleza incomum

Gilmara Alves

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