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Trovoadas esparsas

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29/08/2018 - 08h36

Olga Savary

Olga Savary nasceu em Belém do Pará em 1933. É contista, romancista, novelista, crítica, ensaísta, antologista, poetisa, jornalista e tradutora. Foi uma das pioneiras do haicai em português traduzindo inclusive alguns de seus maiores clássicos japoneses, como Bashô, Issa e Buson. Também foi tradutora de grandes expoentes da literatura latino-americana como Neruda, Borges, Fuentes, Vargas Llosa e Cortázar. Publicou dezesseis livros de poesias e participou de mais de 900 antologias como autora convidada ou organizadora - foi ela que organizou a primeira antologia de poesia erótica brasileira, em 1984. Acumulou vários dos principais prêmios da literatura nacional, entre eles o Jabuti de autor revelação em 1971, pelo livro Espelho Provisório. Magma é sua obra peculiar. Em sua escrita pungente e peculiar valoriza as origens ao utilizar palavras do idioma tupi em sua criação. Poetisa habilidosa de um texto forte; vigoroso, que escolhe e molda as palavras capaz de transformar simples relatos ou argumentações em arte singular. Múltipla. De linguagem clara e acessível. De pensamento aberto. Sua obra é para ser lida com a alma.
Boa leitura e bom divertimento.
Por: Tiago Vargas

 

David

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Não sendo bicho nem Deus
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.

Olga Savary


PAZ

Assim tão exata
sem se assemelhar a nada
sendo vária e vaga.

 

PELE

Um favo de mel na boca,
um torrão de sal na anca
roubam para a pele
o calor de animais
simples e vorazes, soltos
como numa catedral,

pele de asno,
pele de mel,
pele de água.


Poemas e fotografia: Olga Savary

Despertar

Cercamo-nos daqueles
Com discernimento
Pois deles é esperado
Nada menos que o céu.

Cercamo-nos daqueles
Que ainda creem
Na honestidade
Pois estes herdarão
A virtude nesta terra.

Cercamo-nos dos visionários
Dos loucos, pois estes
Têm a visão além
Da amplitude do infinito.

Cercamo-nos daqueles
Que não tem medo de errar
E preservam em seus ideais
Mesmo conhecendo o alto
Preço de mudar velhos conceitos.

Cercamo-nos daqueles
Que ainda acreditam
Na paz da plenitude
Pois um dia
A estes o mundo ouvirá.

Félix Korberg

 

Não sei...

Por onde começar?
Tenho tanto pra dizer
Não posso errar
Aonde é o início
Não sei onde é o meio
De traz pra diante
Não vão me entender
São tantas idéias
Tanta indagação
A cabeça pergunta
Responde o coração
Vem deles os meus tormentos
Pois raramente se entendem
Esses dois elementos

Air Carlos da Costa

 

O Contador de histórias

Hei moço!
Você é desse lugar?
Aqui antes era melhor
Logo ali tinha uma praça, o Biduca
Um domingo feliz
Vinha gente de fora para ver as águas dançando
Um cara sentado no banco cantando nos encantava
Tinha um lindo pôr do sol, o relógio para marcar o tempo
Aqui não existiam saudades
Nas madrugadas frias saíamos para namorar
Nos bares enfumaçados navegávamos em cantorias
As cinco esquinas eram coisas do destino
E as maldades do mundo ficavam do lado de fora
Hei moço!
Hoje estou sozinho nesse lugar
Contando histórias que ninguém quer saber
E todos passam sem prestar atenção
Com medo não param, me ignoram
Estão indo para não sei onde.
É triste ver todos correndo
Eles não ouvem a própria voz
Quase todos já se foram;
E o tempo passando.
Vai levando com o vento nossos pensamentos.
Hoje não nos reconhecemos mais
Talvez manhã quando acordarmos não haverá mais esse lugar.

(Para o Guidugli)

Jorge Ritter


Guidugli
Fotografia:
Jorge Ritter

 

reflexo
poeta-me os lábios
voragem da mordida
penumbra-me segredos
adormece-me oásis
carne consentida
translucida-me a pele
silhueta rompida
perverte-me os quadris
dança enfurecida
delira-me cabelos
olhos, pelos
ousa-me
imerecida
Vida
Cristina Macedo

 

Versos e vinhos

Meu verso
De amor
Se desfaz
Inteiro
Pelo
Muro
Ocre...

Quebrado o
Ritmo
Desarticuladas
As rimas
Nada mais
Resta
Do que foi
Uma obra
Prima.

Mas a ele
Mui pouco
Importa...
Segue seu
Rumo
Assoviando
Pela rua Torta.

Então tempo
Este consolador
Faz brotar
Em meu peito
Mudas de Primavera.

Para florir
sonetos
Retentores
De primaveras.

Liane Korberg

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