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08/08/2018 - 08h00

Lara de Lemos

Nasceu em Porto Alegre no dia 22 de julho de 1923. Faleceu em 2010. Foi professora, jornalista, tradutora e poeta. Colaborou com periódicos gaúchos, como Correio do Povo e Zero Hora, e cariocas, como Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa, entre revistas e outros meios de comunicação. Ainda que tenha se dedicado mais à poesia, sua produção literária começou pela prosa. Em 1962, publicou com mais oito escritores, quatro contos na coletânea Nove do Sul; entre seus colegas de escrita estavam Josué Guimarães, Tânia Faillace e Moacyr Scliar. Na poesia, seu primeiro livro foi Poço de águas vivas (Vencedor do Prêmio Sagol). Lara de Lemos teve sua obra reconhecida por importantes críticos literários, como Paulo Rónai e Gilberto Mendonça Telles e, ganhou notoriedade ao compor, com Paulo César Pereio, em 1961, o Hino da Legalidade. Poetisa de linguagem contemporânea, estilo denso, vigorosa e pungente. Porta-voz de anseios e inquietações. Em sua escrita incomum e de vanguarda prevaleceu de forma explicita a poesia de caráter social e as questões de gênero. Poetisa atemporal. Estética e subjetiva. Lírica. Absoluta.

Por: Tiago Vargas




Poema
Para isso vim...
Não, não foi para isso que cheguei.

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Vim para dar-te o pássaro, inédito de vôos,
que há em mim.

Vim para secar o pranto
desse alguém que não és, mas que sonhei.

Vim para ver-te como queria que fosses
– tão indizível em mim. Tão indizível!

Vim para o refúgio da noite
e o doloroso presságio das manhãs.

Vim – campo, rosa, nuvem, pedra,
rio adormecido, luz.

Para isso vim e perdi-me

 

Da resistência
Cantarei versos de pedras.

Não quero palavras débeis
para falar do combate.
Só peço palavras duras,
uma linguagem que queime.

Pretendo a verdade pura:
a faca que dilacere,
o tiro que nos perfure,
o raio que nos arrase.

Prefiro o punhal ou foice
às palavras arredias.
Não darei a outra face.

 

De súbito é o susto
De súbito é o susto
estampado no rosto
refletido no espelho
parado na garganta.

Invasores transitam
pelo quarto
desrespeitam o sono
em furor incontido.

Colocam algemas
em pulsos inocentes.
Contra palavras – há muros
contra lamentos, murros.

Levam jovens na mira

de fuzis reluzentes

 

Lara de Lemos e Mário Quintana

 

POEMA DE MÚLTIPLA ESCOLHA - FAÇA SEU POEMA

Em que tempo vivo
em que hora? de aço ( )
de água ( )
de mágoa ( )
de arma ( )

em que tempo vivo
em que hora? de faca ( )
de ferro ( )
de fúria ( )
de fuga ( )

em que tempo vivo
em que hora? de canto ( )
castigo ( )
cegueira ( )
cadeia ( )

em que tempo vivo
em que hora? de teia ( )
de muro ( )
de usura ( )
de guerra ( )



 POEMAS POESIAS VERSOS


Kerouac

No papel em branco da tua vista
na taça de vinho derramado
no ganho do teu nariz tresloucado
na visão estreita de alguns pares

A estrada é uma janela aberta
entre Kansas e o Chuí
pisando o pó da civilização
não preciso de putrificação

A celebração jamais vai ter fim
o fim e o meio se confundem
a volta é longa e profunda
e os teus versos estão por aí

A estrada é uma veia aberta
entre New Orleans e aqui
pisando com sapatos rotos e
esfarrapados,
na chuva abençoada por ti.

Teton Beat

 

Vício

Pensei em abandonar a poesia…
Chega de sonhar fantasia!
Pensei nas rimas toscas, forçadas
Nas efemeridades
Costuradas
E ela não me larga, me vicia
Me ronda à toa, me afaga
Me adaga
Poesia quem és,
Misteriosa refeição
De todo o dia?

Renate Elisabeth Schmidt

 

Mudei
Hoje acordei
Olhei para o reflexo do espelho...
Parei fixei os olhos,
Para todas...
As mulheres
Que existiram dentro de mim,
Me observei e percebi
Que tem várias ainda querendo sair,
Mudei sem perceber
O silêncio me fez me conhecer,
Hoje só resta fragmentos da mulher...
Que fui ontem
E me envolvem...
No decorrer
Dos dias...
Dos anos...
Sem perceber
Eu mudei…

Luciara Lopes

 

Poesia para Maria

Era apenas um sonho distante
uma dúvida
uma inconstância
de repente um ponto
em outro momento um coração
e por fim uma menina
que nos ensinou o milagre da vida.

Para Maria Paula /Rosana Ortiz 

 

A imagem dos sonhos

Imagine a imagem...
digital dos sonhos,
políticos honestos
nitidamente transparentes,
professores valorizados,
saúde para carente,
a educação corrigindo
os erros do passado.
Imagine a imagem...
digital dos sonhos
desconectando o pesadelo
dos fantasmas analógicos,
decodificando a tela
que treme de medo...
diante do sangue vermelho
derramado pelo ódio.
O jornal é o espelho perfeito
refletindo a imperfeição.
Imagine a imagem...
digital dos sonhos,
Mas o mundo real feriu
meus olhos tristonhos.

Cleiton Leal

 

sempre que
invento
constâncias
desapareço
um pouco.

Cris Mb

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