Grupo Vieira da Cunha

Trovoadas esparsas

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Edição Impressa
11/07/2018 - 10h24

Diogo de Souza Lindenmaier/Bagual Silvestris

Diogo de Souza Lindenmaier ou Bagual Silvestris é professor, estudante, aventureiro, músico (vocalista da banda de rock Os Garbonas) e Poeta. Licenciado em Biologia pela Ulbra, especialista em Botânica pela UNISC e UFRGS, bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, mestre em Geografia e doutorando em Educação em Ciências pela mesma Instituição. Nasceu em 1980 em Cachoeira do Sul, cresceu no bairro Gonçalves nas imediações da estação rodoviária. Estudou em escolas públicas. É autor de dois livros “Querer poder’’ (2014) e “O comedor de Pedra’’ (2010)”. Também é integrante dos Poetas do Vale, no qual publicou nas edições VII, VIII e IX. Entre suas influências estão escritores como Luiz de Miranda, Armindo Trevisan e Félix Korberg. Poeta pungente e inventivo. De escrita fluida. Perspicaz. Genuinamente singular. Ao mesmo tempo mordaz e sutil. Lembra-se de ter lido na página literária um poema que falava sobre um leão-baio que rondava a cidade e se escondia no morro do cascalho. Tinha sete anos na época. Ficou impressionado... Eis com vocês, o vencedor do XXI Prêmio Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas, edição 2018.

Por: Tiago Vargas

 

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Olfatus
Sentido sorriso, bendito
faz sentir a suavidade
da pequena de cabelos negros
e pele serena
grande almanescência
nasceu na Lagoa do Segredo
a oeste da Cachoeira
quando caminha
que movimentos!
pura bondade da natureza
que dano não deves fazer
a um coração.
 


 

Vento nosso

Nas ruas da minha aldeia o vento dorme
às vezes ele envolve algum cão
em outras tantas não
quem sabe um bêbado caído
lá o vento vá como agasalho
pegando força na curva do rio
é o ofício do sopro da terra
quando entra às ruas da cidadela
que é só cicatriz na paisagem
ventania vira aragem
acaricia ou bate
e que assim seja
temos ao menos o vento.

Diogode Souza Lindenmaier
1 º Lugar
XXI Prêmio Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas

 

Cantar é preciso

Cantante, ande!
Cante!
Se não cantares,
Não haverá quem cante.
Se não andar
Não haverá o que cantar
Então, ande!
Cante!
Cante porque ao andar
O canto salva o caminhante.
As agruras o canto branda
No caminho menos se anda
Somente quando andante
Aquele que cante adiante
Tempos difíceis vem
Caminhante, vamos!
Cantando e andando, adiante.
Sinto fé no amanhã
Por isso agora canto.
Cantante, ande!
Cante!
Se não cantares,
Não haverá quem cante.


 

O silêncio dos sensatos

A coragem não é como a covardia,
embora o covarde a tenha.
Há que se ter coragem em ser assim.
A covardia, essa ignomínia,
não é como o medo.
Que não é o oposto da coragem,
que não teme a covardia.
Mas há a coragem covarde!,
aquela coragem rasa, efeito da multidão,
empurrada pela empolgação da inércia,
naqueles movimentos de manada...
Nestes momentos, se fez de tudo, meu amigos!
Parece ter sido assim, a história pouco varia.
O ovo da serpente eclodiu novamente , e
lá vamos nós nos tapar de dor,
e olhar para o outro lado da rua,
nos apartando em tantos outros,
que no fundo são nós.
Teremos mesmo que parir a noite e o silêncio?
E desejar ser como Eles, que não nos querem?
Pelo amor de seja lá quem for:
Não é hora do silêncio dos sensatos!

 

Travessia

Minha cidade tem um rio
Ele lava e tudo leva
Consome gente e traz terra.
Ontem o cruzei a nado,
Era como atravessar o universo
Noutro tempo espaço.
Transpor um oceano
Obstáculo imposto a todos,
Por tanto tempo.
Ele é um canal
O sangue da mãe Terra,
Sumo das nuvens.
Meu rio é um mito
Isso é coisa grande,
Minha aldeia tem um rio
E ontem o cruzei a nado
Braço após braço
Em sucessivos abraços.
O Jacuí é meu Tejo
O rio da minha vida.
Meu rio é uma lenda,
Todos os Homens do passado
Tremeram ao cruzá-lo,
Sim, eu também senti,
Tantos foram absorvidos,
Tragados e partidos.
O rio enlaça a cidade
A urbe indolente o abraça.
E ele não é uno,
São seres em conjunção
Naturais, metafísicos, invisíveis.
Deuses e demônios,
Índios mortos,
Vozes silenciosas,
Sobreposição de coisas indizíveis
Que nos foge a compreensão
Mas, é um rio
Um rio é um rio
Como o Ganges, o tigre, o Tejo.
Seriam apenas rios
Não fossem magnos canais
No baixio dos terrenos
Para onde derramam as águas do céu.
Cruzei meu rio a nado,
Com medo de não voltar
Abraço pós braço
Na água turva,
Desse tempo em que vivo
Assim o rio da minha cidade
Corre silencioso
Em múrmuros
No eterno caminho
Rumo ao mar.

 

Todos os poemas são de autoria de Bagual Silvestris

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