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13/06/2018 - 10h17

Com licença Poética - Adélia Prado

Com licença poética é um poema que tem a cara feminina do nosso pós-modernismo fim de século. O ano de publicação é 1976. O livro é Bagagem, de Adélia Prado. No texto, o paradigma positivo e negativo de Adélia é Carlos Drummond de Andrade e o canônico Poemas de sete faces. Trata-se de uma produção intertextual. Adélia reescreve o clássico numa inerente explosão de singularidades; assino, atesto, espero, torço e afirmo; De modo expressivo e singular enaltece a diferença de seu ponto de vista, questionando o gênero masculino ao ratificar que o homem não pode falar por uma mulher. A linguagem é comum e cotidiana. No poema a persona poética de Adélia Prado sobreleva a mulher brasileira comum e ressalta sua emancipação cultural e artística. A poesia que reflexiona, pondera, retrata e representa. A poesia do sim.

Bom final de semana e boa leitura.

Por: Tiago Vargas

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Com licença Poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado


 

 

Adélia Prado


Carlos Drummond de Andrade

 


 POEMAS POESIAS VERSOS


Sonho

As vezes
Atrevo-me
A tocar
Em teu rosto
E escrever
Em teu corpo
Lindos versos
De amor

Claudete Silveira

 

No meu silêncio
Mora uns mistérios
E um homem sério
Cala uma criança

Neste silêncio
Se encolhe o tempo
Se ouve o vento
Velo a esperança


a dor tem limite
a alegria não

o infinito é o céu
nunca o chão.
Edison Botelho

 

Parte a minh'alma em pedaços
E atira-os pelo mundo fora;
Pequenas almas que sentem,
Como a grande sente agora!

Chega para encher o mundo
O céu, a terra, os espaços,
Estas almas pequeninas,
Estes pequenos pedaços!

Mesmo assim sendo tão grande
Esta alma, ó sonhos meus!
É pequena pra conter
O fulgor dos olhos teus!

Enio Santos

 

O verso

Quando a noite se anuncia
Do coração recolho palavras
Todas elas choram provas
De tamanha dor e agonia.
Com timidez vão desfilando
Pela página antes tão vazia
E resignadas vão se colocando
No verso cheio de melancolia
Vem o sol e o dia aquece
Toda amargura desaparece
O verso triste cede lugar
Para outro se mostrar mais bonito
Nos meus lábios vem brincar
E explodir de amor no infinito.

Neícla Bernardes

 

Miragem

Entre riscos e risos noturnos,
entre constelações e algarismos dançantes,
vive a mulher fragmentada,
a dividir-se em abstratos sensuais,
a multiplicar-se, nua e multicor.
Enamorada e atrevida, ignora a noite rubra.
Beija, abraça, lambe, acaricia e goza,
goza muitas vezes, estrelas vivas.
Filhas paridas do prazer.

Tereza Du'zai

 

lua do céu
da minha boca
prende prazer
devora deleite
possuída
impulsiva
cheia de graça
se expõe nua
pelo tanto de passagens
de onde vim
de você.

Cris Mb

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