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06/12/2017 - 09h56

Murilo Mendes

 

Murilo Monteiro Mendes, ou apenas, Murilo Mendes. Foi um de nossos mais importantes e destacado poeta (considerado mestre por João Cabral de Melo Neto); representante da geração de 1930, conhecida também como segunda geração modernista. O poeta nasceu no dia 13 de maio de 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Seus principais livros foram, “A Poesia em Pânico”, “As Metamorfoses” e “Poesia-Liberdade”. Invulgar recusou-se as formas usuais de produção literária. Foi barroco e surrealista, moderno e tradicional, sempre mantendo uma independência autoral e um certo desprezo pelo enquadramento dos manifestos. Trata-se de um autor peculiar, de escrita primitiva, cuja obra se impõe pela qualidade e pela diferença. A linguagem fragmentada de seus textos, a simbologia própria e as imagens insólitas convertidas em palavra e/ou versos fizeram do mineiro um autor de vanguarda. Outras marcas em sua poética são a presença constante e intensa de metáforas, a dilaceração do eu em conflito e o uso abusivo de contrastes (abstrato/concreto, realidade/mito, lucidez/delírio). Ler Murilo Mendes é sentir a vida num segundo, é sorver a existência num instante de incandescência, vivacidade e arrebatamento.

Boa leitura e bom divertimento.

Por: Tiago Vargas

 




Estudo para uma ondina
Esta manhã o mar acumula ao teu pé rosas de areia,
Balançando as conchas de teus quadris.
Ele te chama para longas navegações:
Tua boca, tuas pernas teu sexo teus olhos escutaram.

Só teus ouvidos é que não escutaram, ondina.
Minha mão lúcida sacode a floresta do teu maiô.
Ao longe ouço a trompa da caçada às sereias
E um peixe vermelho faz todo o oceano tremer.

Tens quinze anos porque já tens vinte e sete,
tens um ano apenas...
Agora mesmo nasceste da espuma,
E na incisão do ar líquido alcanças o amor dos elementos.
Murilo Mendes


 

 POEMAS POESIAS VERSOS

Procurando o Amor?

Não vá ao caderno
de tabuada.
Ah...fosse ele, previsível
como um cálculo.
Alguma chance,talvez,
num livro de poemas,
num filme
ou num coletivo bem lotado.
Procurando o amor?
Não abra a porta
das Ciências Exatas.
Não estará matriculado por lá.
Vive numa rua sem saída
de uma cidade
em que nunca fomos.
Ou guardado numa gaveta
cuja chave perdemos
numa distração imperdoável.
Quer encontrar o amor
- de cara lavada -
chinelos e pijama,
sentindo-se em casa?
Vá folhear
o diário dos loucos.

Magali Vidal Domingues

 

Machadiana

Não sei o que dizer
nem como.
Também não bebo.
Apenas
me pergunto
e me persigo

na busca das palavras.

Porém descubro
enfim
dissimulada e oblíqua
que a melhor fórmula
são olhos de cigana

Cecilia Kemel

 

A partida

Durante muito tempo
Eu me perguntei por que você havia ido embora
Sem nem ter tentado
Porque não me deu uma chance
De te mostrar que o amor é muito mais
Que beijos quentes
Ou olhares repletos de desejos.
Eu me perguntava
Porque você não queria arriscar
Porque não me deixava te amar.
Eu queria te cuidar, te curar,
Queria te ter em meus braços.
Mas você foi embora,
Levou meu coração junto
E nem disse adeus.
Mas quando eu finalmente entendi
Porque você havia ido embora
Eu desisti, porque, eu queria te amar
Mas só eu te amar, não era o suficiente.

Rafaela Christine

 

Castigo

Esqueci aberta
A porta que levava ao coração
Há muito tempo trancado
Preso de castigo
Qualquer um poderia ter entrado
Mas foi você quem chegou
Em silêncio, sem ruído algum
Rompeu a corrente que o prendia
Quando percebi, já era!
Tarde demais!
Você tinha meu coração
Completamente dominado
Na palma da sua mão.

Neícla Bernardes
(3º Lugar, Categoria Poemas- X concurso de contos, crônicas e poesias2017/CAPOLAT)

 

A árvore centenária
se cansou e caiu
sobre chalé da
zona central
Dava-me sombra
no calor do meio dia
terapia nos amanheceres
ao catar suas folhas
de outono
Paravam minuanos
protegendo o velho rancho
Porém naquele finados
de ventos uivantes
mais fortes do que
sua vontade e força de viver
e de seu tronco e raiz
ora fragilizados
com ares de sim à vida

Jorge Rosa

 

Gosto dos loucos

Eu vejo os que cortam
Converso com os que brigam
Não tenho respostas prontas
Se escrevo poemas?
Não tenho grandes argumentos
Nunca fui grande, nem desejo ser
Queria voltar no tempo
Escrever sem ouvidos
Brincar sem ser oprimido
Falar de um luar diferente
Não morri indigente.
Um beijo discreto
Sem nada concreto
Um abraço de filho.
Um brinquedo mordido
Algumas palavras soltas.

Bedermino Betat Leite

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