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11/10/2017 - 09h10

A poesia singular de Hilda Hilst

Hilda Hilst foi poetisa, dramaturga e ficcionista. Nasceu na cidade de Jaú, interior do estado de São Paulo, no dia 21 de abril de 1930; foi um dos grandes nomes da literatura brasileira e importante voz feminina na nossa poesia. Embora não tenha caído nas graças do grande público, nem da critica especializada (nunca produziu sob o signo do sucesso comercial, e dificilmente uma edição sua ultrapassou os mil exemplares) que considerava seus textos herméticos, foi agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil e admirada por grandes escritores, entre eles Caio Fernando Abreu e Lygia Fagundes Telles. A temática de sua poesia circundou as ações humanas diversas e complexas; com relevância para a inquietude do ser, a morte, o amor, o sexo, Deus e suas indagações metafísicas (Entre suas experiências literárias, esteve aquilo que ela chamou de “Transcomunicação Instrumental”, quando deixava gravadores ligados por sua chácara, a Casa do Sol, hoje Instituto Hilda Hilst, com o intuito genuíno de gravar vozes de espíritos, demonstrando assim sua clara preocupação com a sobrevivência da alma). Escritora prolífica deixou uma obra vasta e plural; foram mais de quarenta títulos entre poesia, ficção e teatro, traduzidos em países como Itália, Alemanha, França, Portugal, Estados Unidos, Canadá e Argentina. Hilda se foi em 2004, aos 74 anos de idade. No entanto, sua poesia, densa e singular permanece. Para sempre.

Por: Tiago Vargas

 

 

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

 

 

Poemas aos Homens do nosso tempo

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.
 


 
POEMAS POESIAS VERSOS

Um dia me disseram.
Que mulher é sexo frágil
Mas a vida sempre me cobrou que eu fosse infrangível, resistente.
Ensinaram-me que mulher é pra casar e cuidar da família.
Mas a vida me mostrou dentro das casas, mulheres sofridas.
Disseram que eu não devia engordar,
E eu comi silêncio, deixei a voz entalada na garganta.
Submeteram meu psicológico à violência.
Pediram que eu me adequasse.
Perdi meu amor próprio.Na verdade nem o conhecia.
E eu não entendia porque me ensinavam a ser submissa.
Ensinaram-nos a não nos metermos em conversa de homem.
Um dia descobri que eles sempre dirão pra nos calar.
Que tudo que nos ensinaram é uma grande farsa.
Na verdadeos homenstêm medo de mulheres livres.
Pois conhecem a força que ela tem.

Morena Silvestris

 

Flores ao mar

Navegar é preciso
Levantar âncoras
Jogar-se ao mar
Enfrentar os medos
Embarcações frágeis
Travessias tempestuosas...
Talvez ser náufrago
De nossas emoções
Amarras em algum porto
Buscar o Norte
Para onde aponta
Agulha imantada certeira...
Construir certezas absolutas
No vai e vem das marés!

Leonardo Leão

 

Cicatrizes

Minhas ...
Forjadas a ferro
No fundo da alma ...
Da carne, jamais sairá
Manter-se-á
Sempre viva ...
Para nunca ser esquecida ...
Porém
As que mais doem
São as que não vemos ...
Ferem, sem contato
Sem toque, sem mãos ...
Não dormem por nada
Não adianta lamentar
Chorar ou correr ...
Não tem amigo
Que chegue a tempo ...
Não tem poeta que te inspire ...
Não tem como fugir ...
Cicatrizes serão sempre
Cicatrizes ...

Marcelo Batista

 

Poção mágica
Dos lábios pingam beijos
cintilantes
o batom úmido escarlate
despeja sensualidade
A blusa de seda ofegante
arde em seios à mostra
taças de cabernet
me maculam.

Zaira Cantarelli


Aos meus filhos

Um saxofone na madrugada , fria e com névoa.
Uma leve tontura de vinho tinto e seco.
Leveza no peito.
Certeza no olhar
A rua Bonaparte em Paris.
Amnésia total daquelas coisas que nos repartem
Em parte
Pátria e país.
Pais e filhos
Manhãs de chuva em abril
A Juliana e eu.

Emoção que nos invade através das mãos e do silêncio.
Absoluta consciência da felicidade no finito segundo que nosso olhos encontraram o Sena.

Eduardo Florence

 

Contemporaneidade

O desespero e
A última salvação
Nestes tempos.
O ser frente
Aos dilemas
Da existência. ..
O ruído do silêncio
A solidão. ..
A sociedade
Dos anônimos
Proscritos relegados
A sua cruz.
A grande contradição
Pequenas luzes
Que brilham
Teimosas em
Um mar
De escuridão.

FÉLIX KORBERG

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