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Edição Impressa
13/09/2017 - 08h47

Entre o erudito e o popular: Federico García Lorca

Poeta e dramaturgo, Federico García Lorca (1898-1936) foi um dos autores fundamentais da poesia do século XX. O espanhol nascido em Granada exerceu influência sobre vários autores/mestres, entre os quais Pablo Neruda.(RomanceroGitano, sua obra mais relevante é um dos livros mais traduzidos em todos os tempos). Sua lírica forte e peculiar abarcou componentes sociais contundentes (cantou através de versos com extrema sensibilidade a alma popular de sua gente num retrato fiel e consciente da distância entre sua família burguesa e o povo andaluz). García Lorca incorporou em seus escritos temas e recursos poéticos que vão das canções populares (flamenco) até a cultura cigana, passando pelo barroco de Góngora e pela arte surrealista de Salvador Dalí. Para o poeta espanhol, o cigano, além de fonte de inspiração, incorporava e sintetizava a marginalização (a alienação do homem pelo próprio homem). Sua poética moveu-se com relevância entre o racional e o visceral, entre o inevitável e o imponderável, numa espécie de tradução literal da angústia; transitou com preeminência entre a dor e o canto da vida.Composto de uma intensidade ímpar revelou um universo semântico e imagético atordoante.No auge de sua produção intelectual (Início da Guerra Civil Espanhola) foi fuzilado por militares franquistas. Poeta das imagens, da musicalidade, da sugestão, da originalidade, da luz interior, do verso espontâneo...Um dos melhores poetas da era contemporânea.

Boa leitura e bom divertimento.

Por: Tiago Vargas



Cata Vento

Vento do sul,
Moreno, ardente,
Que passas sobre minha carne,
Trazendo-me semente
De brilhantes
Olhares, empapado
De flores de laranjeiras.

Federico García Lorca

 

Volta de passeio

Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão até a serpente
e as formas que buscam o cristal,
deixarei crescer meus cabelos.

Com a árvore de cotos que não canta
e o menino com o branco rosto de ovo.

Com os animaizinhos de cabeça rota
e a água esfarrapada dos pés secos.

Com tudo o que tem cansaço surdo-mudo
e borboleta afogada no tinteiro.

Tropeçando com meu rosto diferente de cada dia.
Assassinado pelo céu!
 


 

A rosa
não buscava a aurora:
quase eterna no ramo
buscava outra coisa.

A rosa
não buscava ciência nem sombra:
confim de carne e sonho,
buscava outra coisa.

A rosa
não buscava a rosa:
imóvel pelo céu
buscava outra coisa.

Federico García Lorca


 POEMAS POESIAS VERSOS

Quanto cabe?
Quantos beijos
Cabem numa saudade?
Quantas lágrimas
Num sorriso?
Quantas ausências
Numa só noite?
Quantas tristezas
Nas despedidas?
Mara Garin

 

A rua dos meus sonhos

... Estou voltando pra casa...
Noite clara... Silenciosa... Madrugada fria.
- E as nuvens derramando solidão em minha cabeça.
... O caminho é sempre o mesmo... Longo, escuro.
- E lá vou eu... Cabelo molhado... Mãos nos bolsos... Cigarro nos lábios...
- Vou pensando cambaleando; vou assustado, mas vou sem presa.
Criaturas imaginárias me seguem... Sãominhas loucuras...
- Os bares nos expulsaram...
- E minha casa distante... Só penso no quarto pequeno... Na cama gelada.
... E o frio cortando meu rosto... Nem os cachorros latiam...
- E lá vou eu... Cabelo molhado... Mãos nos bolsos... Cigarro nos lábios...
Cada passo; uma saudade dos amigos que ficaram perdidos.
- E a lua me seguindo... Era madrugada...
... Uma madruga fria.

Jorge Ritter

 

Maestria
A vida fica ali reclusa, imanifesta, dormente
nas sementes sob a terra úmida.
Preparadas para se abrirem e emergirem,
num impulso de maturidade,
elas despertam ao receber energia
não só de si mesmas
mas também do ambiente que as cerca.
Saciadas as primeiras necessidades,
se expandem e buscam a luz,
se prolongando através de brotos novos,
de graça incomparável,
que procuram elementos que os alimentem,
descobrindo novos horizontes
de beleza encantadora.
Trocando energia com o meio em que nascem,
num impulso de continuar,
vão se abrindo para a luz.
Seguem sua experiência de viver crescendo,
buscando caminhos entre as irmãs
que se completam e se perpetuam
numa harmonia infindável.
Cumprem ciclos contínuos e ascendentes
até que finalmente vislumbram-se mães criadoras,
geradoras de flores e frutos perfumados
que novas sementes criam e se propagam.
Assim completam o êxtase da existência
e a satisfação homeostática é plena
enquanto dão mais vida à vida que as gerou.
A produtividade pulsa incessante e eficaz
comandada por uma orquestra
onde participam pássaros, insetos,
dentre outros músicos polinizadores
e dispersores de sementes.
Nesse jardim, o ser humano
pode também ser um maestro
e um dispersor de sementes.
Tarefas não tão fáceis
quando a finalidade
é contribuir com a música
e a harmonia perfeitas.
É preciso intuição,
conhecimento, observação,
paciência, delicadeza
e capacidade de realização.
Para isso basta que saibamos
nos colocar no lugar
que nos é reservado
na Biosfera ou pela Noosfera.
Giselle Marciniak

 

Quando o coração respira
Retenho pensamentos absolutos...
Semeio sonhos com as mãos...
Para fazer brotar poesias.
Melissa Carla StreckBundt

 

Caminhada pela paz

Convido todos para a marcha mundial
Onde a paz do ser humano
É o tema principal
Pelo senso de urgência
Ações de não violências
Seja o nosso ideal

Invoco John Lennon
Tiradentes e outros mais
Na luta por liberdade
E direitos sociais
Presentes na nossa memoria
Unindo nossa historia

A nossa luta de paz
Pra toda humanidade
É feita pelo diálogo
Com interatividade
Cada qual com sua arte
Vem fazer a sua parte
Com mais criatividade.

João Pedro Pedroso Correa

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