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14/06/2019 - 10h30

A voz do milênio

Natural do Rio de Janeiro, do bairro de Água Santa, ela recebeu o título de “Voz do Milênio”, atribuído pela BBC de Londres. A história da mulher e cantora Elza Soares está sendo contada agora pela narrativa do jornalista Zeca Camargo, em “Elza” (Editora Leya, 377 páginas, R$ 59,90), uma história que fala sobre um ícone da música e da cultura brasileira.

Entrar na vida de Elza, como diz o autor, “é uma experiência transformadora: impossível chegar ao fim como se começou; muitas histórias, muitas alegrias, tristezas também, na verdade, um turbilhão de sentimentos que se abrem quase exigindo nosso posicionamento, pelas insuperáveis barreiras superadas, pela força e coragem inigualáveis desta mulher do fim do mundo.”

No livro, um fato narrado marca o nascimento da estrela: a ida de Elza ao programa de calouros de Ary Barroso, importante compositor e apresentador de rádio das décadas de 1930 e 1960. Vestida com uma roupa improvisada, a menina da favela arrancou risadas da plateia. Ary Barroso, que provocava todos os calouros, lançou a pergunta de forma impiedosa: “O que você veio fazer aqui?” “Vim cantar!”. “De que planeta você veio?” E Elza, com a tenacidade de quem sabia onde chegaria com tamanha obstinação, respondeu de uma tacada só: “Do planeta fome”. Elza cantou e ganhou a nota máxima e muito mesmo ainda estava por vir. Depois, o Brasil se curvou a sua voz e ao seu carisma.

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O livro conta detalhes sobre o envolvimento da cantora com Garricha, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, um grande amor que viveu por 17 anos e que está presente em grande parte de suas lembranças. Ela encontrou o jogador nos anos 1960, quando já tinha se casado, tido seis filhos, perdido dois e ficado viúva.

Zeca Camargo é jornalista e apresentador de televisão e tem escrito livros sobre suas andanças pelo mundo, entre eles “A fantástica volta ao mundo” e “Isso aqui é seu.” Nascido em Uberaba, José Carlos Brito de Ávila Camargo dirige “É de casa” e já comandou “No limite” e “Fantástico.” Iniciou sua carreira como repórter no mundo da música em 1987, quando trabalhava na Folha de São Paulo.

 

Trecho:

“Uma noiva deveria se comportar no seu casamento, a não ser que ela fosse uma garota de 13 anos que respondia pelo apelido de Cabritinha.
Elza não tinha muita noção do que estava acontecendo.
Forçada, aos 13 anos, a se casar com um homem –que também não era muito mais que um garoto- ela não teve muita opção. Na certidão de casamento, ela tinha a idade legal para casar. Mas isso não passava de um arranjo: uma maioridade conseguida por meio de uma emancipação –que até hoje confunde repórteres (e biógrafos) na hora de cravar a idade de Elza Soares. Ficar solteira, depois do que havia acontecido –ou melhor, do que seu pai achava que tinha acontecido - não era mesmo uma possibilidade. E assim ela foi para a festa do seu matrimônio achando que era mais uma desculpa para brincar que um compromisso de união.”

(página 36)

 

MAIS VENDIDOS I

No mês de abril de 2019, segundo apuração da revista virtual PublisNews, “O poder oculto”, do padre Reginaldo Manzotti, estava na terceira colocação entre os mais vendidos no país. Pois em maio ele pulou para o primeiro lugar, com mais de 43 mil exemplares vendidos, e, pelo jeito, encaminha-se para ser o campeão do ano. Vale lembrar sobre o padre que em 2017 o seu livro “Batalha espiritual” foi o mais vendido do ano, com 138 mil exemplares, e em 2018 seu “Combate espiritual” esteve sempre na frente e fechou o ano na quinta colocação, com 148 mil exemplares. A história de sucesso parece se repetir agora com “O poder oculto”, em que conduz o leitor a uma jornada de descoberta interior para que possa encontrar a felicidade.

 

MAIS VENDIDOS II

É a seguinte a lista dos dez mais de maio de 2019:

1º. “O poder oculto” 43.443
(Padre Reginaldo Manzotti)

2º. “A sutil arte de ligar o fod*-se” 39.851
(Mark Manson)

3º. “O milagre da manhã” 33.208
(Hal Elrod)

4º. “Brincando com Luccas Neto” 25.497
(Luccas Neto)

5º. “Seja foda!” 25.358
(Caio Carneiro)

6º. “O poder da autorresponsabilidade” 17.161
(T. Harv Eker)

7º. “Do mil ao milhão” 16.166
(Thiago Nigro)

8º. “Me poupe!” 14.156
(Nathalia Arcuri)

9º. “Mais esperto que o diabo” 12.042
(Napoleon Hill)

10º. “DNA milionário” 11.493
(Elainne Ourives)

 

Leituras:

“Aqui é o oeste do Cerro do Botucaraí e deslindo extensas quadras de arroz já nascido e que ocupam praticamente todo o lado norte destes fundões da terra. Ao sul, logo no que finda a várzea, estão as vacas e os touros comendo a coxilha. Seguem-se os morros enfumaçados como plano de fundo, e entre todos eles é o Cerro do Botucaraí o que se destaca com sua imagem de águia calada e suas penas de pedras arvorecidas.”

(Sérgio Jacaré, em em “O primeiro e o segundo homem,” página 9, lançado em 1981).

 

Rodapé:

Na sua edição de quarta-feira, dia cinco de junho, o Diário Oficial da União trouxe o veto presidencial ao projeto de lei 95 de 2017, que tinha por objetivo alterar a Lei do Livro (Lei 10.753) para incluir, no rol de ações para difusão do livro incumbidas pelo Poder Executivo, a realização de concursos regionais visando a descoberta de novos autores. Na justificativa do veto, o presidente Jair Bolsonaro argumentou que, depois de ouvir os ministérios da Educação e da Economia, vetou a matéria por “inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público” e ainda porque o projeto “aumenta despesas públicas sem o cancelamento de outras despesas obrigatórias.”

 

Destaques:

SOMBRIO ERMO TURVO

Autora: Veronica Stigger 

Apresenta um conjunto variado de contos, causos, poemas, epifanias, diálogos teatrais e textos diversos. Nascida em Porto Alegre em 1973, e vivendo em São Paulo desde 2001, Verônica é doutora em teoria e crítica da arte e autora de mais de uma dezena de livros. Por suas obras, recebeu os prêmios São Paulo de Literatura, Machado de Assis, Jabuti e Açorianos, entre outros.

Editora Todavia. 143 páginas. R$ 49,90.

HISTÓRIAS PARA QUEM GOSTA DE CONTAR HISTÓRIAS

Autor: Cássio Pantaleoni 

Segundo o autor, neste livro há histórias que assumem decididamente a sua função mais importante, ou seja, “revitalizar as questões que mais nos ocupam neste século: a finitude, a angústia, o prazer imediato, o tempo subjetivo e –em termos nietzschianos – a morte de Deus.” Mas ele ressalva que “tudo pode ser aproveitado como simples entretenimento e talvez o próprio pensar seja nada mais que um entretenimento natural...”

Editora 8Inverso. 102 páginas. R$ 34,00. 


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)    

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