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07/06/2019 - 10h14

Encarando a solidão

Somos uma espécie de porco-espinho, dizia o filósofo Arthur Schopenhauer. Por quê? O frio do inverno (ou da solidão) nos castiga e, para buscar o calor do corpo alheio, ficamos próximos dos outros. Efeito inevitável do movimento: os espinhos nos perfuram e causam dor (e os nossos a eles). O incômodo nos afasta e ficamos isolados novamente. O frio aumenta, e tentamos voltar ao convívio com o mesmo resultado.

A metáfora do filósofo alemão trata do dilema humano: solitários, somos livres, porém passamos frio. A dois ou em grupo as diferenças causam dores. Obviamente, teríamos de achar uma distância segura, que trouxesse o calor necessário e evitasse o ataque. Qual a barreira mínima entre dois humanos espinhentos?

Este é um dos fios da meada que o historiador Leandro Karnal, um dos intelectuais mais influentes do país, toma como foco no livro “O dilema do porco-espinho” (Editora Planeta, 191 páginas, R$ 36,90), uma obra em que o autor, a partir de referências filosóficas ou religiosas, relacionadas a fatos históricos ou a romances, faz uma saborosa reflexão sobre a natureza de viver só –ainda que por pouco tempo.

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Ele apresenta na obra como a solidão é encarada no cinema, na literatura, na música e nas artes. Mostra que ela pode ser uma luz e que, em alguns casos, Deus revela-se aos solitários. Segundo o livro de Gênesis, Deus teria dito: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e corresponda.”

Um dos mais requisitados palestrantes do país, Leandro Karnal é doutor em História Cultural e professor na Unicamp. Alguns de seus livros estão entre os mais vendidos, como “Crer ou não crer”, “O inferno somos nós” e “Diálogo de culturas”. É colunista semanal no jornal Estado de São Paulo e Zero Hora. Tornou-se também um grande influenciador digital: sua página no facebook tem mais de 1,4 milhão de seguidores e possui o seu próprio canal no youtube (“Prazer, Karnal”).

 

Trecho:

“Nas relações com pessoas que você ama ou amou, por mais que elas sejam ou tenham sido intensas, certamente há ou houve algum tipo de atrito. Se existem almas gêmeas, nunca são univitelinas, apenas fraternas, próximas; não xipófagas, similares, e nunca fac-similares.
Aqui lanço a minha ideia, querida leitora ou estimado
leitor. Recapitulo: a solidão pode ser um exercício contemplativo muito bom e um ponto de crescimento. O convívio também pode ser rico pela diferença e pelo atrito em si.”

(página 55)

 

PARA QUEM TEM PRESSA

Oitavo título da coleção que foi um sucesso em vendas e que já vendeu mais de 450 mil exemplares, segundo a editora, “A história da astrologia para quem tem pressa” (Editora Valentina, 200 páginas, R$ 34,90) traça, em 11 capítulos, um panorama acessível sobre o surgimento e a evolução do conhecimento astrológico. Foi escrito por uma das maiores autoridades brasileiras no tema, Waldemar Falcão.

 

LAMPIÃO E MARIA BONITA

Romance de estreia de Victoria Shorr, “Os últimos dias de Lampião e Maria Bonita” (Editora Griphus, 258 páginas, R$ 49,90) conta a história desses bandoleiros famosos que dominaram o Nordeste do Brasil entre 1922 e 1938. Junto com o seu grupo de cangaceiros fora da lei, os dois foram durante anos os bandidos mais procurados do país e justificavam seus atos como ajuda aos pobres e oprimidos que os admiravam e temiam. O livro relata a história do casal, do ponto de vista de Maria Bonita.

 

Leituras:

“Na minha maneira de sentir e de pensar, e de sempre externar o que sinto e o que penso, sem me preocupar com suscetibilidades, lavro o meu protesto e escrevo o meu libelo contra esse estado de coisas, vibrando em cada rua da minha cidade pacata, esta clarinada de alerta, que espero ressoe e continue a ressoar à concha auditiva das autoridades, como a eterna voz do mar no ventre nacarado dos búzios.”

(Fernandes Barbosa, em “Para aonde marcha o Brasil?, página 8, lançado em 1978).

 

Rodapé:

A Editora Máquina de Livros está lançando “Toca o barco” (176 páginas, R$ 44,90), apresentando histórias e bastidores contados por 32 colegas que trabalharam com o jornalista Ricardo Boechat, morto em um acidente aéreo em fevereiro deste ano. São textos inéditos dos colegas José Simão, Ancelmo Gois, Leilane Neubart, Fernando Mitre, Datena, Milton Neves, Sérgio Pugliese, entre outros. Ricardo Boechat foi um dos mais brilhantes jornalistas do país e construiu uma legião de admiradores ao longo de 50 anos de atuação em jornais, televisão e principalmente no rádio.

 

Destaques:

AMIGA –DEIXA DE SER TROUXA

Autor: Eduardo Camargo e Felipe Oliveira 

O livro se propõe a ensinar todo o passo a passo sobre o mundo dos relacionamentos, seja apenas aquela pegada básica por trás da mesa do chefe ou um pedido de casamento com direito a jantar à luz de velas. Criação dos dois autores, a “Diva Depressão” nasceu em julho de 2012 através do facebook, onde já tem cerca de dois milhões de fãs. Destilou seu veneno rapidamente pelas redes e se tornou um viral no universo feminino. Agora virou livro.

Editora Matrix. 143 páginas. R$ 29,90.

OS SEGREDOS DA MENTE MILIONÁRIA

Autor: T. Harv Eker 

O autor apresenta um conjunto de crenças que cada um alimenta desse a infância e que molda o destino financeiro, quase sempre levando para uma situação difícil. Mostra como substituir uma mentalidade destrutiva, que talvez nem se perceba, por modos de pensar e agir que distinguem os ricos das demais pessoas. A ideia é fazer o seu dinheiro trabalhar para você tanto quanto você trabalha para ele. O autor é responsável pela Peak Potentials Training, uma das mais bem-sucedidas empresas de treinamento pessoal dos Estados Unidos. Mais de 250 mil pessoas já assistiram às suas palestras.

Editora Sextante. 175 páginas. R$ 29,90. 

(Com a colaboração de Viveiro Cultural)      

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