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12/04/2019 - 09h58

O cervejeiro Ewald

Luiz Carlos Schroeder, pai de quatro mulheres e um homem, é paranaense de Todelo e cursou Direito na UFPR, em Curitiba. Foi advogado, vereador, professor universitário e juiz do trabalho e atualmente reside na zona rural da serra gaúcha, onde escreve e cuida de lavandas e oliveiras. 

Pois Schroeder escreveu e acaba de lançar “Ewald, um alemão” (Editora BesouroBox, 191 páginas, R$ 48,00), livro em que resgata, com rara sensibilidade, a história de seu pai, um descendente de mestres-cervejeiros alemães que no início da década de 1950 deixou o Rio Grande do Sul e, em meio à floresta do Oeste do Paraná, instalou sua pequena indústria de bebidas em uma recém-criada comunidade de gaúchos.

Ele o descreve como alto e de ombros largos, forte como uma araucária, mais de um metro e oitenta e cem quilos, um gigante. Diz que no semblante tinha a sisudez de um elevado militar prussiano ou o sorriso de um soldado raso em dia de soldo. Um homem espontâneo, capaz de comer churrasco de costela gorda com as mãos e magret de pato com talhares de prata. No pulso esquerdo, o Ômega; na mão direita, entre os dedos indicador e médio, invariavelmente, um Minister. Fumava muito, mais de quarenta por dia.

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Conta que Ewald nascera na colônia alemã de Cerro Branco, então distrito de Cachoeira do Sul, no Vale do Rio Jacuí, e passara a infância entre a fábrica de cerveja e o rio, o Botucaraí, que corria nos fundos da casa. Aos dez anos, sabia os segredos de fabricação e, aos quinze, em uma carroça de seis cavalos, viajava para entregar pedidos em Santa Cruz do Sul.

Utilizando-se de uma prodigiosa memória, contando de forma simples e sincera detalhes de cenas de sua infância, apontando datas, nomes e lugares, Schroeder, sem meias palavras, apresenta seu pai como um homem com qualidades e defeitos, mas acima de tudo alegre e generoso, numa experiência rica e única que teve em sua vida. “Embora tenha apanhado muito –e alguns dos castigos doeram não só fisicamente, mas também na alma, porque injustos- tenho dele as melhores lembranças,” rememora.

E acrescenta: “No contraste entre a rigidez germânica e suas espirituosas tiradas, ficou-me a imagem de um homem alegre; na contradição entre sua alegria e a severidade paterna, deixou como recordação o seu bom humor; no paradoxo entre o homem bem-humorado e o pai austero, restou-me o generoso”, confessa.

Ao final do livro, tomado pela emoção, Schroeder relata como aos dez anos tomou conhecimento da doença do pai e da proximidade da sua morte, que trouxe tristeza, tempos de extrema dificuldade e incertezas à família. Recorda que em uma noite antes de dormir colocou o pijama e deitou ao seu lado na cama de casal. O pai passou o braço sob o seu pescoço e ambos ficaram aconchegados, um ouvindo a respiração do outro, sem nenhuma palavra, sabendo que era o início da despedida e que a cena não ia mais acontecer. “Aquele braço por debaixo do meu corpo é mais do que um abraço, é a expressão do carinho que naquela noite ele tem para me dar,” relembra.

 

Trecho:

“Embarcou no primeiro trem, o noturno, e fez baldeação, em Santa Maria. Na manhã seguinte, um dia qualquer de julho de 1944, desceu na estação de Cachoeira do Sul. Horas depois, estava empregado como motorista de caminhão de uma grande casa de comércio. Três anos mais tarde, aos vinte e sete de idade, caixeiro-viajante, percorria a região central do Rio Grande do Sul e, dando carona, conheceu a mulher que seria sua esposa, ela também de origem germânica. A moça era filha do ferreiro e da proprietária daquela casa de negócios na zona rural, a que tanto vendia tecidos e botas quanto louças e panelas, sal e açúcar, velas e querosene. Casaram-se em novembro de 1949, ele às vésperas dos trinta anos, ela logo depois de fazer vinte. Na festa, que durou duas noites, não faltaram música de sopro nem cerveja de barril e refrigerante de Tamanduá. Quatro anos mais tarde, com duas filhas, mudam-se para o Paraná e, em Cristo Rei, abrem uma fábrica de gasosas.”

(página 18)

 

MAIS VENDIDOS I

A novidade da lista dos mais vendidos de março de 2019, segundo apuração da revista virtual PublisNews, é a presença marcante de “O poder oculto”, do padre Reginaldo Manzotti, que nem figurava entre os dez mais de fevereiro. O livro está na quarta posição, com quase 15 mil exemplares vendidos, o que é uma novidade importante este mês, e fala sobre um profundo itinerário de descoberta interior, um treinamento especial, ou, ainda, um coaching, para o encontro com a verdadeira felicidade, que é Deus.

 

MAIS VENDIDOS II

É a seguinte a lista dos dez mais de março de 2019:

1º. “A sutil arte de ligar o foda-se” 43.979
(Mark Manson)

2º. “O milagre da manhã” 32.266
(Hal Elrod)

3º. “Seja foda!” 18.935
(Caio Carneiro)

4º. “Me poupe!” 17.062
(Nathalia Arcuri)

5º. “O poder oculto” 14.988
(Padre Reginaldo Manzotti)

6º. “O poder da ação” 14.939
(Paulo Vieira)

7º. “As aventuras na Netoland com Luccas Neto” 12.625
(Luccas Neto)

8º. “Do mil ao milhão” 12.037
(Thiago Nigro)

9º. “O poder do hábito” 11.471
(Charles Duhigg)

10º. “O poder da autorresponsabilidade” 10.641
(T. Harv Eker)

 

Leituras:

“Uma grande festa foi preparada, com as duas famílias presentes e com a gurizada do Reino toda convidada. Como os dois eram conhecidos em todos os rincões, gente de todas as querências apareceu para o lindo festejo.
A festa toda foi muito bagual! Charque, costelão 12
horas, puchero, puxa-puxa de melado, compotas de todos os tipos de frutas.... Cardápio pra lá de variado.”

(R. S. Keller e Márcio Melgareco, em “Capitão dos Rios & Prenda dos Pampas”, página 30, lançado em 2017).

 

Rodapé:

O youtuber Luccas Neto está de volta às livrarias e bancas de jornal com “Brincando com Luccas Neto”, sua mais recente publicação que traz ideias de programas para a criançada se entreter no tempo livre, seja em um dia de sol ou de chuva. Ao preço de R$ 24,90, com 64 páginas, o livro apresenta jogos, caça-palavras, liga-pontos, enigmas, labirintos e jogos diversos. Luccas Neto é um sucesso entre a criançada, acumulando mais de 22 milhões de inscritos em seu canal, com mais de 5 bilhões de visualizações.

 

Destaques:

O ÚLTIMO LEITOR

Autor: David Toscana 

O livro é uma reflexão sobre o ato de ler, sobre a magia da literatura e a inevitável comunhão que existe entre ela e a realidade. Nascido em 1961, em Monterrey, México, David Toscana é aclamado como um dos mais sagazes e originais escritores de sua geração. Sua obra foi traduzida para o alemão, árabe, grego, inglês, sérvio, sueco e, agora, está estreando em português.

Editora Casa da Palavra. 159 páginas. R$ 32,00.

ENTRE LÁGRIMAS E RISOS

Autora: Elaine dos Santos 

Resultado da tese de doutorado da autora, a obra apresenta um estudo a respeito do teatro itinerante, fazendo-o sobre o viés dos textos melodramáticos representados durante os anos de 1940 a 1980 e que, na atualidade, caíram em desuso, como resultado da concorrência, especialmente as telenovelas. Elaine dos Santos teve passagem como coordenadora de curso da Ulbra/Cachoeira do Sul.

Editora Dialogar. 299 páginas. R$ 40,00.


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)    

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