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29/03/2019 - 10h15

Um amável labrador

“Uma divertida história de amor... cheia de entusiasmo canino”. Com esta frase, o consagrado jornal americano “The New York Times” definiu o livro “Marley & eu” (Editora Agir, 284 páginas, R$ 29,90), de John Grogan, que se consagrou como um grande fenômeno literário ao vender cerca de cem milhões de exemplares no mundo todo. E não ficou só nisto. O livro virou um sucesso cinematográfico em 2008, estrelado por Jennifer Aniston e Owen Wilson.

Na verdade, o livro conta a história real de John e Jenny, jovens e apaixonados recém-casados. Vivendo em uma casinha perfeita sem nenhuma preocupação, Jenny, temendo não ter nascido com o dom da maternidade, resolve testar seus instintos maternais antes de pensar em gravidez. Após visitar uma fazenda, escolhem o filhotinho Marley, encantados com a doçura do bichinho. A partir daí a vida daquela família nunca mais seria a mesma.

Marley era um cão único, que arrebentava portas pelo medo de trovões, atravessava paredes de compensado, babava nas visitas, roubava roupas do varal e comia tudo o que via pela frente, incluindo forros de sofás e joias. O casal tenta controlá-lo, mas nada adianta.

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Mas seu coração canino era puro e seu amor e lealdade eram ilimitados. Dividia alegrias e sofrimentos, estava lá quando os bebês chegaram e apoiou a família nas situações mais dramáticas. A história, enfim, como disse o jornal “The New Yorker”, “é uma homenagen tocante e engraçada a um labrador tão leal e amável quanto desobediente.”

O autor John Grogan trabalhou durante mais de quatro anos como colunista do jornal americano “Philadelphia Inquirer”, na Pensilvânia. Certo dia, resolveu contar a história de Marley em suas colunas. Passou a receber centenas de cartas e então escreveu o livro. Foi editor chefe da revista “Organic Gardening”, e trabalhou como repórter, chefe de redação e colunista em jornais em Michigan e na Flórida.

Ganhou inúmeros prêmios e atualmente vive em uma colina cercada de bosques na Pensilvânia com sua mulher, três crianças e uma labradora adorável chamada Gracie.

 

Trecho:

“-A um lindo dia com minha linda família –disse Jenny, erguendo a bebida para um brinde.
Brindamos com um toque de nossas garrafas de cerveja;
os meninos bateram seus copinhos com canudinhos. Foi quando aconteceu. Foi tão rápido, na verdade, que nem sequer nos demos conta do que tinha acontecido. Só sabíamos que em um instante estávamos sentados junto a uma mesa ao ar livre, brindando aquele belíssimo dia e, no seguinte, nossa mesa havia sumido, espatifando-se contra as outras mesas, derrubando pedestres inocentes e guinchando de forma insuportável, arrastada sobre a calçada de concreto. Naquela primeira fração de segundo, nenhum de nós percebeu exatamente o que havia acontecido para que nossa mesa voasse, tentando fugir de nós. Na fração de segundo seguinte, descobri que não fora a mesa que estava assombrada, mas nosso cão. Marley disparara, puxando com todo o peso, esticando a guia como uma corda de piano.
Na fração de segundo seguinte, vi onde Marley queria
ir, arrastando a mesa atrás dele. Quinze metros à frente na calçada, um delicado poodle francês esticava-se ao lado de sua dona, com o nariz empinado.”

(página 177)

 

QUEM MATOU O DRAGÃO?

“A festa do dragão morto” (Editora Melhoramentos, 40 páginas, R$ 55,00) é o livro que marca a estréia na literatura infantil do escritor Santiago Nazarian, autor que já possui diversos títulos endereçados ao público adulto e juvenil. A história é de um dragão que foi morto e, depois de todas as comemorações, o povo queria saber quem o matou. A população soube que o autor da façanha morava na floresta e todos pretendiam encontrá-lo para falar com ele e prestar as homenagens. Mas a supresa foi muito grande. 

 

QUIETINHO

Um leão quietinho, silencioso, que se esconde de todos, é o protagonista de “O leão humilde” (Escrita Fina, 40 páginas, R$ 34,90), do escritor Pereira Lima, lançado na última semana, que instiga as crianças a refletirem sobre a questão da diferença. Ao contrário dos demais leões, que correm pela floreta e são ferozes, levando pavor a outros bichos, ele não vê graça nenhuma em ser o rei das selvas e acaba sendo expulso do bando, restando-lhe a solidão e o exílio.

 

Leituras:

“Não penses que estou reclamando, não. Estou só contando a verdade e contar a verdade não pode fazer mal a ninguém. E a verdade é que a porto-alegrense sou eu; o orgulhoso és tu, mas a porto-alegrense sou eu. Eu já morava nesta cidade quando tu apareceste, o altivo filho de um fazendeiro da fronteira. Faz tempo isto, não é? Petrópolis nem existia, Três Figueiras era mato. Os bondes eram poucos.... Te lembras dos bondes? Bem. Eu era a modesta caixeirinha de um armarinho da Cidade Baixa. Tu, o garboso estudante que varava as madrugadas no Café Central ou no Alto da Bronz, declamando em voz alta os teus poemas. Tu eras o rapaz rico que vinha à loja onde eu trabalhavba, trazendo imensos buquês de rosas.”

(Moacyr Scliar, em “O anão no televisor”, página 27, lançado em 1979).

 

Rodapé:

Lista dos mais vendidos apresentou uma surpresa na última semana, conforme levantamento da revista virtual Publishnews. É “Da favela para o mundo”, com selo da Editora Buzz, do jornalista Eduardo Lyra. Aos 30 anos, ele já foi considerado um dos 30 jovens mais influentes do Brasil e fundou uma ONG que atende mais de 1.800 famílias da periferia com projetos de educação, cultura, esportes e qualificação profissional. O livro dele está em quarto lugar no país na lista de autoajuda e oitavo na lista geral.

 

Destaques:

PAPA HIGHIRTE

Autor: Oduvaldo Vianna Filho 

Conta a história de Juan Maria Guzamón Highirte, conhecido como Papa Highirte, um ex-ditador deposto do governo da fictícia república latino-americana de Alhambra, que vive exilado na também fictícia Mantalva. Escrita em 1968 e só liberada pela censura em 1979, a obra mostra, entre flashbacks e ações em progressão, as discrepâncias entre o discurso oficial e a prática política das repúblicas da América Latina. É um dos mais importantes trabalhos sobre as lutas da esquerda latino-americana contra o autoritarismo, a tortura e a repressão. Trata de três questões básicas: o declínio do populismo caudilhista, a militância das organizações de luta e as transformações econômicas determinadas pela política externa dos Estados Unidos para o continente. Conhecido dramaturgo nacional, sempre ligado à militância política, Oduvado Vianna Filho teve a maioria de suas peças proibida pela censura militar, embora tenham sido premiadas.

Editora Temporal. 116 páginas. R$ 45,00.


QUATRO VELHOS

Autor: Luiz Biajoni 

O autor desenvolve este romance a partir de um boato que ouviu no final dos anos 1980: um morador de uma cidade pequena do interior paulista seria filho bastardo do ditador italiano Benito Mussolini. Ao perguntar sobre ele, o autor descobre três personagens igualmente interessantes que viveram uma história íntima e desconhecida. Nascido em Americana, São Paulo, onde vive, Luiz Biajoni escreveu “A comédia mundana”, “A viagem de James Amaro”, “Elvis & Madona” e “Virgínia Berlim -uma experiência”, entre outros.

Editora Penalux. 169 páginas. R$ 29,90.             


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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