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22/03/2019 - 10h11

O país do novo acadêmico

Com leve humor e ironia profunda em meio a uma atmosfera sufocante, “Não verás país nenhum” (Global Editora, 381 páginas, R$ 55,00) é talvez um dos livros mais emblemáticos de Ignácio de Loyola Brandão, o jornalista e romancista que na última semana foi eleito para a Academia Brasileira de Letras para ocupar a Cadeira 11, que pertenceu ao acadêmico Hélio Jaguaribe.

De fato, lançado em 1981, este romance policial, de aventura e de amor, está em sua 27ª. edição falando de um futuro que já está acontecendo, em que os fatos e realidades são captados por antenas de alta sensibilidade. Por isso, como diz o jornalista Washington Novaes, que faz a apresentação da obra, é tão atual e tão lido, “fora o estilo, que são outros quinhentos.”

A história do livro acontece em São Paulo, num futuro não muito distante, em que Souza, morador de um velho edifício do centro, percebe que tem um furo na mão. Em busca de uma resposta a esse fato inusitado, ele percorre a cidade congestionada, os engarrafamentos transformados em depósitos de ferro velho, em um cenário caótico em que há escassez de alimentos e água, opressão, desastres ecológicos, violência, autoritarismo militar e poluição dos rios, plantas e animais. Logo o país inteiro é envolvido por esta realidade e as pessoas se tornam doentes, estranhas e tomadas de medo generalizado.

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Nascido em Araraquara em 1936, Ignácio de Loyola trabalhou em diversos jornais e revistas e atualmente escreve uma crônica quinzenal para o Estadão. Ele recebeu pelo conjunto de sua obra o Prêmio Machado de Assis em 2016 e publicou mais de 40 livros, entre romances, contos e crônicas.

Filho de um ferroviário, desde pequeno sonhava em conquistar o mundo com sua literatura. A carreira começou em 1965 com “Depois do Sol,” livro de contos no qual já se mostrava um observador curioso da vida na cidade grande. Seu romance “Zero” foi publicado inicialmente em língua italiana e quando saiu no Brasil, em 1975, foi proibido pela censura militar. Depois o livro foi traduzido para o alemão, coreano, espanhol, húngaro e inglês.

O romance “O menino que vendia palavras” ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de 2008. Em 2010 foi agraciado com a comenda da Ordem do Ipiranga pelo Governo do Estado de São Paulo.


Trecho:

“Quando vi a primeira árvore cair, meu pai estava ao meu lado. O barulho foi tão horrível que nem a presença dele impediu o meu susto. Chorei. Agora penso: teria sido pena? Não, seria racionalizar os sentimentos de uma criança. Me lembro até hoje o horror que foi a árvore tombando.
Um gigante desprotegido, os pés cortados, solto de repente, desabando num ruído imenso. Choro, lamento, ódio, socorro, desespero, desamparo. Ao tombar, tive a impressão de que ela procurava se amparar nas outras. Se apoiar em arbustos frágeis, que se ofereciam impotentes.”

(página 141)

 

VIAGEM NO TEMPO

A Editora Zahar está lançando uma edição comentada e anotada de “A máquina do tempo” (200 páginas, R$ 59,90), publicada inicialmente em 1895 e que marcou a estréia do escritor H. G. Wells. O livro é considerado uma das primeiras obras de ficção científica e fundadora do subgênero “viagem no tempo.” Em meio a um jantar, um viajante do tempo retorna para contar a um grupo de amigos a experiência no ano 802701, em que o mundo em ruínas é habitado por raças degeneradas.

 

FOTOGRAFANDO

Uma jornada através da força e da magia da fotografia é o que propõe Joel Meyerowitz, em seu livro “Olhar!” (Editoral GGili, 72 páginas, R$ 99,00). Fazendo referências a mestres da fotografia, como William Eggleston, Mary Ellen Mark e Walter Evans, o autor mostra que é possível através desta arte transformar coisas comuns em momentos cheios de significado.

 

Leituras:

“O dia começava a clarear na cidade de Candelária.
Alguns moradores, ainda sonolentos, debruçavam os rostos sobre as bacias esmaltadas cheias d’água. Outros sorviam os primeiros goles do amargo bem quente. De repente, os que ainda estavam adormecidos foram acordados com o galope dos animais que traziam nos lombos 19 maragatos, dispostos a tomar a cidade de assalto. Eles vinham de Cachoeira do Sul, onde traçaram toda a estratégia do golpe. Pelo menos 500 famílias foram surpreendidas com tiros, relinchar de cavalos e brados enérgicos. Os homens liderados por Waldemar Pinto Porto, o Draia, Martim Lemes e Alcides Bayabar pretendiam sitiar a intendência e prender as autoridades.
O conflito, que durou pouco mais de um dia, teria se
originado das perseguições feitas pelos homens comandados pelo intendente municipal, coronel Albino Lenz. Dentre as muitas que aprontaram neste período de ocupação, Draia contava que teria obrigado o intendente a atravessar o Rio Pardo vestindo apenas ceroulas. Lenz afirma que esse fato nunca ocorreu.”

(Lúcia Porto, em “Rio Grande do Sul – um século de história”, página 82, lançado em 1999).

 

Rodapé:

Padre Reginaldo Manzotti, campeão de vendas no Brasil e costumeiramente integrando as listagens dos mais vendidos, está de livro novo: É “O poder oculto”. Sempre ensinando lições de fé, o padre já tem mais de 4,7 milhões de livros vendidos.

 

Destaques:

AMOR LETAL

Autora: Robin Lafevers 

Terceiro volume da série “O clã das freiras assassinas”, um trilogia rica em detalhes históricos e reviravoltas, que refletem a forte personalidade de protagonistas guerreiras. Conta a história de Annith, uma freira com habilidades com arco e flecha e uma lutadora como nenhuma outra. Querendo ser dona de seu próprio destino, ela foge do convento e encontra Baltazaar, uma das almas condenadas pelas irmãs do convento. A autora foi criada ao redor de uma biblioteca de contos de fadas, mitologias e poesia do século XIX e escreve livros sobre heroínas, deuses e histórias de amor.

Editora Plataforma 21. 440 páginas. R$ 46,90.


APRENDI COM MINHA MÃE

Autora: Cristina Ramalho 

São 52 histórias de mães, escritas por 52 personalidades que vão desde Arnaldo Jabor, Eduardo Suplicy, Luana Piovani até nomes como Ziraldo, Frei Betto, Leila Pinheiro e Luíza Possi, entre muitos outros conhecidos. A jornalista Cristina Ramalho já trabalhou nos jornais O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, o Globo, Folha de São Paulo, além de revistas como Veja, época, Elle e Vogue e é responsável pela coleta dos artigos.

Editora Saraiva. 252 páginas. R$ 42,00.


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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