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08/02/2019 - 10h32

A emoção de uma juíza

“Casamentos podem ser efêmeros, mas separações são eternas,” diz o escritor Alcione Araújo ao fazer a apresentação da obra “A vida não é justa” (Editora HarperCollins, 191 páginas, R$ 32,90), uma seleção de histórias de encontros, desencontros, amor e ódio que emergem em processos de família, contadas com intensa emoção por Andréa Pachá, juíza no Rio de Janeiro desde 1994. 

Ao longo das histórias, a juíza revela-se uma profunda conhecedora da legislação, mas não se resigna à mera aplicação das normas vigentes. Mostra-se um ser humano atento, buscando entender o que as pessoas pensam, superando discordâncias e inseguranças sem se afastar dos limites de sua função. Mas sempre a sensibilidade humana torna-se mais forte do que o peso da toga.

Acumulando experiências de quinze anos em uma Vara de Família, com uma rotina de até dez audiências por dia, a juíza conta histórias de casais em momentos de crise, quando laços de família são desfeitos, amores acabam e inevitavelmente surgem sentimentos de ciúme, culpa, inveja e frustração. Ela mesma diz que “num processo de terapia, a pessoa leva anos para se expor. Mas, diante de um juiz, que ela nunca viu na vida, é capaz de despejar tudo.”

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Em “A vida não é justa”, ela conta que se deparou com casos os mais diversos, em cenas de dramas, comédias e tragédias da vida privada. Interessante ver na obra que ela oferece em lugar da linguagem fria da lei um olhar generoso, deixando escapar dúvidas: “Eu não podia ter feito aquele discurso, principalmente porque não sou juíza para julgar desejos, impulsos e limitações alheios, ” diz, em uma auto-crítica, a respeito de um caso.

Zuenir Ventura, escritor, assim escreveu sobre a obra: “Sabia-se pelo currículo e a opinião de seus pares que Andréa era uma atuante magistrada. O que nem todos sabiam é que ela é também uma sensível cronista, capaz de descrever o que se passa dentro dos personagens, mais do que em volta, e em cujos textos a realidade é tratada como se fosse ficção, misturando riso e prato, desalento, esperança e um discreto humor.”

Antes da magistratura, Andréa Pachá foi roteirista e produtora de teatro. É também autora de “Segredo de Justiça”, publicado em 2014.

 

Trecho:

“Com a mulher ele se entenderia. Era só dizer a verdade.
Quando tudo parecia estar resolvido, emergiu o maior e
mais difícil conflito do processo: Jade estava no corredor. Queria conhecer o pai. Queria passear com ele. Só falava nisso desde o exame de DNA.
-Eu vou registrar, vou pagar a pensão, mas, pelo amor
de Deus, doutora, eu não quero ver a menina.
Fiquei desesperada. Pela primeira vez, em toda a minha
vida profissional, eu não tinha a menor ideia do que podia fazer. Pedi licença ao defensor e convidei Emerson para falar em particular no meu gabinete.
Fiz um apelo verdadeiro:
-Cara, eu imagino o que você está passando e o que está sentindo. Eu não sei como vou dizer para aquela menina linda que se arrumou toda para conhecer o pai que você não quer saber dela. Chamei você aqui porque não tenho coragem de fazer isso.
Ele chorava. Eu chorava.”

(página 98)

 

MAIS VENDIDOS I

Pouco mudou na lista dos mais vendidos de janeiro de 2019, em comparação com os meses do ano de 2018, segundo apuração feita pela revista virtual PublisNews. Permaneceram praticamente os mesmos, a começar pelo campeão em janeiro, que também foi o que mais vendeu no ano passado. Como novidade, aparece na lista “Minha história”, de Michelle Obama, que vem crescendo nas últimas semanas.

 

MAIS VENDIDOS II

É a seguinte a lista dos dez mais vendidos de janeiro de 2019:

1º. “A sutil arte de ligar o foda-se” 41.819
(Mark Manson)

2º. “O milagre do amanhã” 24.487
(Hal Elrod)

3º. Seja foda!” 16.650
(Caio Carneiro)

4º. “As aventuras na Netoland com Luccas Neto” 14.441
(Luccas Neto)

5º. “Me poupe!” 14.186
(Nathalia Arcuri)

6º. “O poder da ação” 13.722
(Paulo Vieira)

7º. “Aprendizados” 13.166
(Gisele Bündchen)

8º. “O poder da autorresponsabilidade” 12.708
(Paulo Vieira)

9º. “Minha história” 9.342
(Michelle Obama)

10º. “O poder do hábito” 9.253
(Charles Duhigg)

 

Leituras:

“Quando saía do rancho, pela meia tarde, o Talho Feio vinha chegando, a meia guampa. Não sei aonde o diabo do meu amiguinho havia arranjado cachaça. Resolveu me afrontar, falando grosso: -Tenente, neste piquete não tem um galo só. Arrede da porta que eu também tenho esporão! –Arredei, sempre fui um homem bem mandado. Quando passou por mim enfiei minha faquinha bem por debaixo do sovaco dele, do lado de montar. Coitadinho do Talho Feio! Não sabia que mulher a gente respeita, até mesmo em revolução. Fizemos um velório lindo, as três chinas ajudaram a chorar, era de cortar o coração. Se o céu existe o Talho Feio anda por lá. Homem bom tava ali mesmo....
Revoluçãozita buena a de 93!”

(Apparício Silva Rillo, em “Assim escrevem os gaúchos” página 147, lançado em 1976).

 

Rodapé:

A Sesi-SP Editora estará lançando nas livrarias neste mês de fevereiro a obra completa de Monteiro Lobato, que está em domínio público desde primeiro de janeiro deste ano. A editora vai publicar desde os títulos mais populares até os pouco conhecidos, como “Emília no País da Gramática,” “Aritmética da Emília” e “Geografia da Dona Benta”. Ao todo, até julho serão colocados no mercado 27 títulos.

 

Destaques:

70 LIÇÕES DE JORNALISMO


Autor: Roberto Hirao

Nesta coletânea de 70 textos, o autor apresenta observações críticas e rigorosas sobre o material que chega todo dia ao leitor do jornal, nos mais variados assuntos: política, esportes, cultura ou cotidiano. Ombudsman da Folha da Tarde de 1992 a 1994, Roberto Hirao acompanha nos textos a história recente do Brasil, neste trabalho que é considerado fundamental para a discussão do papel do jornalismo.

Publifolha. 209 páginas. R$ 39,90.

MEMÓRIAS DE UM CASAMENTO

Autor: Louis Begley

Em meio ao luto pela perda da esposa e da filha, o octogenário Philip reencontra uma mulher deslumbrante de seu passado: Lucy, herdeira de uma família nobre e tradicional, que foi uma jovem apaixonante e conquistou muitos homens, inclusive o próprio Philip. O livro é um olhar profundo sobre uma classe e seus privilégios, numa trama que se desenrola entre Paris e Nova Iorque, Long Island e Newport. Segundo o The Washington Post, “entre os escritores contemporâneos, Begley talvez seja o crítico mais sagaz e devastador do sistema de classes da sociedade americana.”

Editora Companhia das Letras. 194 páginas. R$ 44,90.  


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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