Grupo Vieira da Cunha

Parcialmente nublado

Tempo hoje

Min 6 / Max 26 +mais
11/01/2019 - 10h26

Veríssimo e suas ironias

Um dos escritores mais prolíficos e populares do país, Luis Fernando Veríssimo nasceu em 1936 em Porto Alegre, filho do romancista Érico Veríssimo. É autor de best-sellers como “O melhor das comédias da vida privada” e “As mentiras que os homens contam”, e criador de tipos marcantes como a velhinha de Taubaté, Ed Mort, o analista de Bagé, Família Brasil e As cobras. Escreve semanalmente para os jornais O Globo, Estado de São Paulo e Zero Hora e tem livros publicados em quinze países.

Em “Ironias do tempo” (Editora Objetiva, 206 páginas, R$ 49,90), livro lançado em 2018 com escolha e organização de setenta e sete textos de Veríssimo por Adriana e Isabel Falcão, há uma curiosa jornada pelo tempo. Adriana e Isabel, mãe e filha, se debruçaram sobre centenas de crônicas publicadas entre 1998 e 2018, em busca de uma ideia que permearia a seleção.

As duas perceberam, ao elaborar a seleção, que o tempo era o personagem principal em todos os instantâneos dos textos. Daí surgiu “Ironias do tempo”, em que fatos e comportamentos tratados com jeito irônico e cheio de graça do escritor se mantêm atuais ou, pelo contrário, comportamentos que pareciam definitivos podem mudar radicalmente. No fim de tudo, como dizem as duas organizadoras, “passar o tempo com Luis Fernando Veríssimo é uma delícia.”

Publicidade




Adriana Falcão é formada em Arquitetura e é escritora e roteirista. Isabel Falcão, formada em Letras, trabalhou no mercado editorial e hoje é professora de Português e Literatura.

Ao todo, até hoje já são mais de 60 títulos publicados pelo escritor Luis Fernando Veríssimo. Ele viveu parte de sua infância e adolescência nos Estados Unidos com a família, em função de compromissos profissionais assumidos por seu pai. Aos 14 anos, produziu com a irmã Clarissa e um primo um jornal periódico com notícias da família, que era pendurado no banheiro da casa e se chamava “O patentino”.

Em 1956, de volta a Porto Alegre, trabalhou na Editora Globo e depois viveu no Rio de Janeiro, onde trabalhou como tradutor e redator publicitário e conheceu e casou-se com Lúcia, sua esposa até hoje e mãe de seus três filhos. De novo em Porto Alegre, em 1967 integrou a equipe do jornal Zero Hora.

Seu primeiro livro, “O popular”, foi lançado em 1973. Tornou-se nacionalmente conhecido pelas suas crônicas e em 1981 o livro “O analista de Bagé”, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, esgotou sua primeira edição em dois dias, tornando-se fenômeno de vendas em todo o país. Em toda a década de 80 consolidou-se por sua impressionante popularidade, mantendo colunas semanais em vários jornais e lançando pelo menos um livro por ano, sempre nas listas dos mais vendidos.

 

Trecho:

“Não existem mais rainhas loucas, o que é muito ruim para a literatura. Ou muito bom, já que obriga os escritores a inventá-las. Rainhas loucas sempre dão boas personagens. Porque são rainhas e podem fazer tudo e porque são loucas e fazem tudo o que podem. Mas principalmente porque são mulheres, e, portanto, um mistério. Um rei louco faz o esperado, ou o esperado dos homens. Joga-se, nu, de uma torre, na razoável presunção de que o estágio seguinte, depois do poder absoluto, é voar, pois se não existe lei mais democrática do que a lei da gravidade, não poderia haver nada mais antigravitacional do que um rei. Rainhas loucas não fazem o esperado. Se a um rei louco não se deve confiar um exército, pois ele pode confundir um oceano com o inimigo e comandar um afogamento coletivo, o que é previsível, a uma rainha louca não se deve confiar um espelho na mão, pois ela pode destruir um reino.”

(página 30)

 

MAIS VENDIDOS I

Saiu a esperada e definitiva lista dos livros mais vendidos de 2018 em todo o país, segundo levantamento da revista virtual PublishNews, e os números apontam o que já se esperava. “A sutil arte de ligar o foda-se”, da Editora Intrínseca, de autoria de Mark Mason, com expressivos 439.251 exemplares, é o grande campeão, seguido pelo livrão de Luccas Neto, “As aventuras na Netoland”, da Pixel/Ediouro, com 377.036 exemplares. Ainda segundo o levantamento, a categoria que mais vendeu foi a de autoajuda, seguida da infanto-juvenil.

 

MAIS VENDIDOS II

É a seguinte a lista dos dez mais vendidos do ano de 2018:

1º. “A sutil arte de ligar o foda-se” 439.251
(Mark Manson)

2º. “As aventuras na Netoland com Luccas Neto” 377.036
(Luccas Neto)

3º. “O milagre do amanhã” 189.595
(Hal Elrod)

4º. “Seja foda!” 165.595
(Caio Carneiro)

5º. “Combate espiritual” 148.570
(Padre Reginaldo Manzotti)

6º. “Sapiens” 141.825
(Yuval Noah Harari)

7º. “O poder da ação” 141.681
(Paulo Vieira)

8º. “O poder do hábito” 125.664
(Charles Duhigg)

9º. “Felipe Neto –A vida por trás das câmaras” 125.408
(Felipe Neto)

10º. “O poder da autorresponsabilidade” 119.337
(Paulo Vieira)

 

Leituras:

“É o que passo a fazer agora, começando por mim, lembrando como cheguei do interior, de Cachoeira do Sul, para o novo jornal que estava nascendo em Porto Alegre. Faço-o para evocar e homenagear Cândido Norberto e Josué Guimarães, então meus companheiros do Partido Socialista. Na campanha eleitoral daquele ano de 54, havíamos estreitado um convívio que acabou ensejando a oportunidade da minha vinda. Josué era o secretário de redação do novo jornal, Cândido, reeleito deputado, faria uma coluna de rádio com o pseudônimo Panglos. E assim, graças à indicação do Cândido e do Josué, o jovem ex-redator do Jornal do Povo de Cachoeira veio a ser repórter especial de A Hora, sem precisar submeter-se aos duros testes do Capitão Erasmo Nascentes.”

(Lauro Schirmer, cachoeirense nascido em 1928, em “A Hora –Uma revolução na imprensa”, página 07, lançado em 2000).

 

Rodapé:

Todos os anos o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulga a sua lista particular dos seus livros favoritos de 2018. Desta vez, como não poderia deixar de ser, “Minha História”, biografia de sua mulher Michele Obana, ocupou o primeiro lugar da lista. Em segundo lugar na lista está “An american marriage,” de Rayari Jones, ainda sem versão em Português. Em terceiro, “Americanah”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, de autoria de Chimamanda Ngozi Adichie.

 

Destaques:

PAISAGEM BRASILEIRA

Autora: Lya Luft

A consagrada escritora Lya Luft apresenta nesta obra o que ela chama de “uma crônica do espanto”, tendo como norte a educação. Ou a falta de educação. Não apenas a pública, a das escolas, mas também, e sobretudo, a de dentro de casa, a das famílias, a dos lares do Brasil. Dona de várias romances, professora e tradutora, é viúva do linguista Celso Pedro Luft, com quem teve três filhos. Atualmente reside em Porto Alegre com seu companheiro Vicente Britto Pereira, engenheiro e escritor.

Editora Record. 110 páginas. R$ 35,00.


UM TETO TODO SEU

Autora: Virgínia Woolf

Nascida em Londres em 1882, Virgínia Woolf teve uma produção literária excepcional, verdadeiras obras-primas como “Mrs. Dalloway”, “Ao farol” e “As ondas”. Em 1941, após anos de depressão, suicidou-se por afogamento, deixando uma carta ao marido. Neste livro, ela traça um painel da presença feminina na literatura, exaltando as conquistas das escritoras do século XIX e exortando as gerações futuras a trabalhar e construir sua vida sobre esta herança.

Editora Tordesilhas. 188 páginas. R$ 34,00.

(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

  • amigo

É preciso estar logado para deixar o seu comentário. Clique aqui para fazer seu login.

Comentários (0)

  • Nenhum comentário para o conteúdo.

Postagens mais recentes de Blog dos Livros

mais postagens de Blog dos Livros

JP no Facebook