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04/01/2019 - 09h06

O homem que previa o futuro

Júlio Verne foi um dos maiores escritores franceses de todos os tempos e um dos mais influentes da literatura mundial, tendo recebido a Legião da Honra (1882) do governo francês e desfrutado em vida de enorme popularidade. Além de grande escritor de romances de aventuras, é tido como um dos pais da ficção científica, já que seus escritos anteciparam equipamentos que só surgiram dezenas de anos depois, como a televisão, submarino, nave espacial, fax, etc...

O livro “A volta ao mundo em oitenta dias” (Editora L&PM, 252 páginas, R$ 21,90), escrito em 1873, é sua obra mais célebre, onde narra as peripécias de Phileas Fogg, seu personagem mais famoso, e sua exótica aposta, em que se compromete a fazer a volta ao mundo em oitenta dias.

Escreveu, entre dezenas de outros livros, “Viagem ao centro da terra” (1864), “Da Terra à Lua” (1865), “Vinte mil léguas submarinas” (1869), “A ilha misteriosa” (1874) e “Cinco semanas num balão” (1862). Nasceu em Nantes, França, em 8 de fevereiro de 1828, filho do advogado Pierre Verne e de Sophie.

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O sucesso de Júlio Verne se deve muito em razão do bom humor, da alegria e da imaginação que põe nos textos. O seu mundo nas histórias é extraordinário e fraterno, o que torna os livros extremamente agradáveis. Ele trabalhou até o fim de seus dias mas a partir de 1902 a visão ficou ofuscada pela catarata. Morreu em 24 de março de 1905, na casa que tinha em Amiens, onde foi eleito conselheiro municipal. 

O livro “Cinco semanas em um balão”, seu primeiro grande sucesso, apresentava o relato de viagem à África. A história continha detalhes de coordenadas geográficas, culturas, animais, etc...., que os leitores se perguntavam se era ficção ou um relato verídico. Na verdade, nunca havia estado em um balão ou viajado à África. Toda a história veio de sua imaginação e capacidade de pesquisa, em uma época em que as informações eram poucas e difíceis.

Em 1856, conheceu Honorina-Anne-Hébé Morel, viúva de vinte e seis anos, mãe de duas meninas. Casaram-se em 1857 e, em 1861, nasceu Michel Jules Verne, único filho do autor. Michel era considerado um rapaz rebelde e não seguia as orientações do pai, que, então, mandou o filho, aos 16 anos, em uma viagem de instrução em um navio por 18 meses, com esperança que a disciplina a bordo e a vida no mar corrigissem o seu caráter rebelde, mas de nada adiantou.

Em março de 1886, Júlio Verne foi atingido por dois tiros quando chegava em casa, desferidos pelo seu sobrinho Gaston. Ficou gravemente ferido e coxo nos últimos 19 anos de vida. Não se sabe o motivo do atentado, mas Gaston foi considerado louco e internado até o final da vida. Este episódio serviu para aproximar pai e filho e Michel passou a encarar a vida com mais seriedade.

 

Trecho:

“Evidentemente, o casamento realizou-se quarenta e oito horas mais tarde, e Chavemestra, belíssimo, esplendoroso, deslumbrante, dele tomou parte como testemunha da noiva. Afinal, não fora ele o seu redentor? E, assim, não lhe era devida essa honra?
Sem embargo, no dia seguinte, às primeiras horas,
Chavemestra bateu estrondosamente à porta de seu amo.
A porta se abriu e o impassível cavalheiro apareceu.
-Que aconteceu, Chavemestra?
-O que aconteceu! Aconteceu que eu acabei de saber...
-O que, afinal?
-Que nós poderíamos ter feito a volta ao mundo em
apenas setenta e oito dias!”

(página 249)

 

O TERROR REUNIDO

A Editora Companhia das Letras está lançando “Contos clássicos de terror” (408 páginas, R$ 59,90), com 19 textos que vão desde Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Edgar Allan Poe a Stephen King. A seleção é de Julio Jeha e traz ainda uma história inédita no Brasil de autoria de H. P. Lovecraft. As narrativas são impressionantes. 

 

PESSOAS MELHORES

O último livro de Augusto Cury chama-se “Prisioneiros da mente” (Editora HarperCollins, 320 páginas, R$ 34,90), contando a história de Theo Ferster, um poderoso empresário do Vale do Silício, filho de um sobrevivente do holocausto. Apesar de ser mundialmente reconhecido e se tornado um dos homens mais ricos do mundo, ele descobre que as pessoas têm seus presídios mentais e vê que sua família é um perfeito exemplo disso, pois são verdadeiros mendigos emocionais. Ao saber que está à beira da morte, Theo reúne os filhos e anuncia o que vai fazer com sua fortuna, pretendendo torná-los pessoas melhores.

 

PRESOS NA CAVERNA

Obra do jornalista Rodrigo Carvalho, “Os meninos da caverna” (Globo Livros, 192 páginas, R$ 39,90) aborda a história dos 12 garotos e o técnico que ficaram presos em uma caverna em uma província ao norte da Tailândia. O autor mostra um olhar sensível e diferente sobre a história que aconteceu em julho de 2018, bem na época da Copa do Mundo da Rússia.

 

Leituras:

“Cachoeira, 16 –Dr. Assis Brasil.
Em resposta à vossa circular de hoje, diremos: apoiamos
resolução tomada. Podeis contar com o nosso franco e decidido concurso.
Os intendentes Dr. Afonso Pereira da Silva, Augusto
Castilhos, João Loreto de Carvalho e Silva, Laurindo Teixeira Machado, Antônio Pereira Fortes.

(Gustavo Moritz, em “Acontecimentos políticos do Rio Grande do Sul”, página 262, lançado em 2005, transcrevendo telegrama de Cachoeira endereçado à Junta Governativa e ao General Barreto Leite, em novembro de 1891).

 

Rodapé:

A consagrada escritora Nélida Piñon recebeu no último dia 20 da Universidade de Évora, em Portugal, o Prêmio Vergílio Ferreira. A premiação acontece desde 1997 e dá reconhecimento ao conjunto da obra de autores de língua portuguesa.

 

Destaques:

MANHÃ TRANSFIGURADA

Autor: Luis Antônio de Assis Brasil 

Na tentativa de romper com o destino que lhe fora imposto, Camila se rebela num grito desesperado por sua independência como mulher. Contrariando as rígidas normas de comportamento vigentes no Rio Grande do Sul do século XVIII, ela quer ser dona de seu próprio corpo. É a tragédia de um improvável triângulo amoroso entre uma mulher recém-casada, um escrivão da igreja e um sacerdote, em uma sociedade patriarcal e autoritária. Com diversas obras publicadas, Assis Brasil é um dos maiores escritores do Rio Grande do Sul, com publicações em Portugal, França e Espanha.

Editora L & PM. 123 páginas. R$ 16,90.


AREIA NOS DENTES

Autor: Antônio Xerxenesky 

Em seu apartamento na cidade do México, um velho, entre uma dose e outra de tequila, escreve a história de seus antepassados. É uma trama de rivalidade entre duas famílias, os Ramirez e os Marlowes, em um remoto povoado do Velho Oeste. Nascido em 1984, o autor é porto-alegrense e escreveu diversos livros de contos. Este é seu primeiro romance.

Editora Isto não é uma editora. 141 páginas. R$ 25,00.    


(Com a colaboração de Viveiro Cultural) 

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