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07/12/2018 - 09h55

O amor nos anos de chumbo

”É tarde para saber”, escrito em 1976, foi um dos maiores sucessos do escritor e jornalista gaúcho Josué Guimarães (1921-1986), nascido na cidade de São Jerônimo, filho de um pastor da Igreja Episcopal Brasileira. 

Josué Guimarães foi chefe de gabinete de João Goulart na Secretaria de Justiça do Rio Grande do Sul, vereador e diretor da Agência Nacional. Perseguido pelo regime militar a partir de 1964, foi obrigado a escrever sob pseudônimo e a dar consultoria para empresas privadas nas áreas comercial e publicitária.

Lançou-se na literatura aos 49 anos, consagrando-se como um dos maiores escritores do país. Seu primeiro livro intitulou-se “Os ladrões”, reunindo contos, tendo sido premiado nacionalmente. Depois de Érico Veríssimo, é sem dúvida o escritor mais importante da história recente do Rio Grande do Sul e um dos mais influentes e importantes do país. Os livros da trilogia “A ferro e fogo” são clássicos da literatura brasileira abordando a saga da colonização alemã. Escreveu também outros títulos importantes, como “Camilo Mortágua”, “Dona Anja”, “As muralhas de Jericó”, “Os tambores silenciosos” e “Garibaldi & Manoela -uma história de amor”, entre outros.

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“É tarde para saber” conta a história de amor de dois jovens durante os anos de chumbo da ditadura brasileira. Mariana é filha de um rico empresário simpatizante da ditadura militar, e Cássio, um rapaz de origem humilde. No período mais repressivo do regime, quando todas as manifestações intelectuais e artísticas eram censuradas, quando informantes do governo infiltravam-se entre os jovens nas salas de aula do país e a vida política nada mais era do que um jogo de cartas marcadas, os dois jovens vivem uma grande paixão e a realidade da época faz com que os seus caminhos sejam diferentes.

Segundo o crítico e professor Sérgius Gonzaga, especialista em literatura brasileira, que faz a apresentação da obra, “É tarde para saber” é “mais do que uma bela história de amor adolescente, mais do que um Romeu e Julieta ambientado no Rio de Janeiro de algumas décadas atrás, mais do que um relato de suspense; é uma obra de grande tradição realista brasileira e ocidental, uma obra que, simultaneamente, mostra e desmascara o seu tempo histórico.”

 

Trecho:

“Olhou instintivamente para a porta do corredor interno e deparou com Mariana a observá-la tensa, contraída. Escondeu o jornal amassado entre o corpo e o braço da cadeira e mal conseguiu articular algumas palavras:
-Que faz a minha filha aí? Pensei que estivesse no
quarto, descansando.
Mariana caminhou para junto dela, acercou-se meiga e
num gesto brusco arrancou o jornal que fora escondido. A mãe ainda tentou tirar-lhe o jornal:
-Não há nada, minha filha, afinal por que isso?
Então as lágrimas brotaram grossas dos seus olhos,
sussurrou:
-Minha filha, é tarde para saber!
Mariana aproximou-se da janela, abriu a primeira
página, leu com dificuldade a notícia, viu o retrato de Cássio; ela agora estava com as mãos em garra, a perfurar o jornal.
A mãe rodou a cadeira apressada, Mariana fugiu
para o quarto, ela foi atrás e a meio caminho viu que a filha voltava a correr com alguma coisa na mão fechada, gritou lancinante, não conseguiu impedir que Mariana abrisse a porta, de um safanão, e que descesse com a rapidez de uma pessoa decidida a praticar um gesto desesperado.”

(página 132)

 

DORMINDO BEM

“Por que nós dormimos” (Editora Intrínseca, 400 páginas, R$ 59,90), de autoria do neurocientista e especialista em sono Matthew Walker, oferece um estudo sobre como o sono afeta cada aspecto do bem-estar físico e mental das pessoas. Segundo o autor, é possível aproveitar o sono para melhorar o aprendizado, o humor e os níveis de energia, regular hormônios, prevenir doenças, retardar os efeitos do envelhecimento e aumentar a longevidade. A obra examina também transtornos como a insônia e os malefícios pelo uso de remédios para dormir, oferecendo também alternativas não medicamentosas para se dormir bem todas as noites.

 

MÃES QUE FAZEM MAL

A psicanalista Sílvia Lobo acaba de lançar “Mães que fazem mal” (Editora Pasavento, 160 páginas, R$ 40,00), um estudo a respeito de mães que, involuntariamente, até por excesso de cuidado, acabam fazendo mal para seus filhos e filhas. A partir de estudos e observações de relações entre mães e filhos, obtidos em sua clínica psicanalítica, ela mostra que, muitas vezes, as mães, sem perceber, deixam marcas dolorosas e nocivas nas crianças.

 

UMA TERRA TURBULENTA

O livro chama-se “Caça ao judeu” (Editora Martins Fontes, 460 páginas, R$ 69,00) e narra as aventuras do jornalista Tuvia Tenenbom, que circulou por Israel e pela Autoridade Palestina durante sete meses, em busca de verdades não contadas. Ele trava contato com os habitantes locais e mostra às claras o dia a dia de uma terra das mais turbulentas do planeta.

 

Leituras:

“Na madrugada de 10.02.1894, Zeca Ferreira com um grupo de 700 homens invadiu Santa Cruz, ocupou a Câmara, a Coletoria e o Quartel, prendeu e degolou. Foram dias de pavor para a população, com baixas mútuas, rapinagem solta, gado subtraído dos potreiros, prejuízos estimados entre 100 e 150 contos de réis. Em meado de 1894 chegou a ser celebrada a paz com o serrano Zeca Ferreira, logo por ele quebrada, por influência das forças de Gumercindo Saraiva, com quem contatou em Passo Fundo, quando o Exército Libertador retornava da fracassada invasão a Santa Catarina.”

(Moacyr Flores e Hilda Agnes Hubner Flores, em “Rio Grande do Sul –aspectos da revolução de 1893”, página 106, lançado em 1993).

 

Rodapé:

Já está nas livrarias o livro “Mapa dos dias” (Editora Intrínseca, 448 páginas, R$ 49,90), que é a aguardada continuação da série “O lar da Senhorita Peregrine para crianças peculiares”, de Ransom Riggs. O cenário neste quarto livro da franquia é ainda mais rico, com novas criaturas e mais mistérios que envolvem o mundo peculiar da senhorita Peregrine e seus amigos.

 

Destaques:

PROFUNDO

Autor: Robin York

A história é de Caroline Piasecki, que vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantida. A autora é americana e best-seller do The New York Times e foi indicada ao prêmio Rita, do seguimento sensual e erótico.

Editora Arqueiro. 310 páginas. R$ 34,90.


OPALA

Autor: Paulo Cesar Sandler

Fabricado entre 1968 e 1992, o Opala vendeu cerca de um milhão de unidades. Sua vida longa, a maior entre os carros nacionais, e o sucesso de vendas ilustram o fenômeno que o Opala se tornou. É um dos automóveis mais queridos e preservados do país, com um grande número de exemplares mantidos por fãs. Este livro dá detalhes desta história e apresenta informações técnicas, bem como grande quantidade de imagens. O autor é apaixonado pela história automobilística há mais de quatro décadas e é autor de diversos livros sobre o tema.

Editora Alaúde. 110 páginas. R$ 29,90.    


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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