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12/10/2018 - 03h14

Os contos de Clarice

”Todos os contos” (Editora Rocco, 654 páginas, R$ 69,40), reunindo pela primeira vez os contos de Clarice Lispector, numa iniciativa e organização de Benjamin Moser, é uma obra emblemática. Autor de “Clarice, uma biografia”, Benjamin é mais do que um simples biógrafo. Ele é um verdadeiro apaixonado pela escritora, e não hesita em afirmar: “Clarice foi, simplesmente, o amor de minha vida.”

Ao ser publicado nos Estados Unidos, “Todos os contos” obteve consagração imediata, atraindo a atenção da crítica e conquistando inúmeros novos leitores para Clarice, de renome então restrito à área acadêmica nos EUA. Aclamado pela imprensa internacional, foi incluído na lista dos melhores livros de 2015 do prestigioso jornal The New York Times,

Clarice Lispector decidiu ser escritora aos treze anos de idade e publicou o primeiro livro aos 23, “Perto do coração selvagem”, obra de recursos estilísticos sofisticados que causou enorme impacto ao ser lançada em 1943. Isto em um momento em que a cena literária brasileira era dominada pelo realismo de autores como Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e Jorge Amado.

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Logo após a publicação do romance, Clarice foi morar no exterior, para acompanhar o marido diplomata. Retornou dezesseis anos mais tarde, separada e mãe de dois filhos. Continuou então a lançar seus livros e seu nome se tornou conhecido do grande público quando se destacou com as crônicas veiculadas pelo Jornal do Brasil, no período entre agosto de 1967 e dezembro de 1973.

Foi no conto, no entanto, que Clarice se projetou de modo invulgar, dominando como ninguém este que alguns críticos consideram o mais difícil dos gêneros literários, pelo fato de exigir criatividade, concisão e ritmo irretocáveis.

Com a publicação de “Todos os contos”, têm-se a oportunidade de obter uma visão panorâmica dos trinta e quatro anos de atividade da autora, por intermédio de contos já confirmados como dos melhores da literatura brasileira em todos os tempos.

Segundo o crítico Colm Toibin, “Clarice Lispector tem a habilidade de escrever como se ninguém houvesse escrito antes. Um dos gênios ocultos do século XX, do mesmo time que Flann O’Brien, Borges e Fernando Pessoa, completamente original e brilhante, perturbador e inquietante.”

O biógrafo Benjamin Moser assim diz na apresentação da obra: “A lendariamente bela Clarice Lispector, alta e loura, usando os extravagantes óculos escuros e as bijuterias de uma grande dama carioca de meados do século passado, adequava-se à definição moderna de glamour. Trabalhou como jornalista de moda e sabia muito bem encarnar o papel. Mas é no sentido mais antigo da palavra que Clarice Lispector é glamourosa: como uma feiticeira, literalmente encantadora, um nervoso fantasma que assombra todos os ramos das artes brasileiras.”

 

Trecho:

“Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão, e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.
O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros
contraídos. Em vez de nó na garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência, que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho:
-Cale-se ou expulso a senhora da sala.
Ferida, triunfante, eu respondia em desafio. Pode me
mandar! Ele não mandava, senão estaria me obedecendo. Mas eu o exasperava tanto que se tornara doloroso para mim ser o objeto do ódio daquele homem que de certo modo eu amava.”

(página 261)

 

MAIS VENDIDOS I

A briga continuou em setembro entre dois livros que vêm aparecendo entre os primeiros colocados há várias semanas. Só que desta vez “A sutil arte de ligar o foda-se” assumiu a primeira posição, deixando “As aventuras na Netoland com Luccas Neto” na segunda colocação. O levantamento é da revista virtual PublishNews, em pesquisas feitas em todo o país.

 

MAIS VENDIDOS II

É a seguinte a lista dos dez mais vendidos de setembro de 2018:

1º. “A sutil arte de ligar o foda-se” 36.915
(Mark Manson)

2º. “As aventuras na Netoland com Luccas Neto” 32.413
(Luccas Neto)

3º. “O milagre do amanhã” 17.468
(Hal Elrod)

4º. Seja foda!” 15.325
(Caio Carneiro)

5º. “O poder da autorresponsabilidade” 14.356
(Paulo Vieira)

6º. “Para todos os garotos que já amei” 13.244
Jenny Han

7º. “Me poupe!” 12.173
(Nathalia Arcuri)

8º. “21 lições para o século 21” 11.734
Yuval Noah Harari

9º. “Poesia que transforma” 11.607
Bráulio Bessa

10º. “P.S.: Ainda amo você” 10.552
Jenny Han



ENTENDENDO A ARTE

Em linguagem acessível, estruturado de maneira simples e ricamente ilustrado, “Breve história da arte” (G. Gili, 224 páginas, R$ 79,00), de autoria de Susie Hodge, apresenta ao leitor o mundo da arte, explicando as suas mudanças ao longo do tempo. O livro explora 50 obras fundamentais, relacionando-as aos movimentos, temas e técnicas artísticas mais importantes.

 

Leituras:

“Uma pessoa amiga
Deve ouvir e ser ouvida
Deve aconselhar e pedir conselhos
Deve ajudar e ser ajudada
Deve brincar e aceitar brincadeiras
Deve guardar seus amigos no coração
E esperar que também esteja
No coração de seus amigos.

(Vivian Lüdke Nicolini, em ”Poesias Barão IV”, lançado em 1995).

 

Rodapé:

O consagrado escritor Stephen King leva o leitor ao medo da tecnologia e do terrorismo digital em seu recente livro “Celular” (Suma, 384 páginas, R$ 59,90). De um momento para outro, os telefones celulares tornam-se os responsáveis pelo apocalipse, apagando do cérebro de milhões de pessoas qualquer traço de humanidade, ficando no lugar violência e impulsos destrutivos. Menos um pequeno grupo de pessoas, que luta pela sobrevivência em um mundo rodeado pelo caos, carnificina e humanos reduzidos a instintos básicos.

 

Destaques:

DIZEM POR AÍ

Autora: Jill Mansell

Solteira há pouco, Tilly Cole pede demissão de seu emprego, em Londres, para recomeçar sua vida na pequena cidade de Roxborough, e logo se depara com um turbilhão de fofocas, intrigas e rivalidades envolvendo o homem mais desejado da cidade. A escritora Jill Mansell já vendeu mais de cinco milhões de livros em todo o mundo.

Editora Novo Conceito. 430 páginas. R$ 19,90.

O DUQUE E EU

Autora: Júlia Quinn

Primeiro dos oito livros da série “Os Bridgertons”, é uma bela história sobre o poder do amor, contada com o senso de humor afiado e a sensibilidade que são marcas registradas de Júlia Quinn, autora de 10 milhões de exemplares vendidos. Conta a história de Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, que acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Conquistador, ele tem o firme propósito de nunca se casar. Até que surge a espirituosa Daphne. 

Editora Arqueiro. 264 páginas. R$ 23,90.  


(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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