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09/03/2018 - 09h34

Entre a culpa e a verdade

Quando Joe escolhe Carl Iverson como tema de seu trabalho de redação na faculdade, tudo que espera é ter uma história interessante para contar. Preso durante três décadas após ter sido condenado pelo estupro e assassinato de uma menina de 14 anos, Iverson está com um câncer em estágio avançado e passa seus últimos meses de vida cumprindo liberdade condicional em um asilo. Em busca de redenção, o veterano do Vietnã encontra no jovem uma chance de contar sua história e, pela primeira vez, ser sincero quanto aos três alicerces que mudaram sua vida: uma guerra, uma garota e um assassinato.

Conforme escuta os relatos do ex-combatente e se familiariza com o caso que o levou à prisão tantos anos antes, Joe, junto com a vizinha, decide investigar os detalhes por trás da morte da adolescente. Perdido em sua própria realidade de culpa e empatia, o estudante se vê cada vez mais próximo de Iverson, usando a tarefa de escrever o relato biográfico do velho como desculpa para fugir de seu desestruturado núcleo familiar e buscar uma forma de se afastar dos abusos da infância e de uma mãe que não sabe como cuidar dos filhos.

Multipremiado, o advogado criminalista americano Allen Eskens constrói em “A vida que enterramos” (Editora Intrínseca, 272 páginas, R$ 39,90) uma trama que não só conseguiu se tornar um best-seller como ganhou o “Barry Award” de melhor romance original de literatura policial e foi finalista do “Edgar Award,” mais importante premiação do gênero de mistério. O autor trabalha o suspense alinhado com descrições objetivas e personagens complexos, para criar uma narrativa sobre a busca pela verdade e sobre os traumas que carregamos até o fim da vida.

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Allen Eskens é formado em Jornalismo e Direito e vive em Minesota, onde trabalha há 25 anos como advogado criminalista. “A vida que enterramos” é seu romance de estreia e foi traduzido para 16 idiomas, tendo os direitos adquiridos para uma adaptação cinematográfica.

 

Trecho:

“Uma nevasca intensa começou a cair e, quando saímos do restaurante, o carro de Lila estava coberto por três centímetros de neve. Ela e Jeremy entraram no carro enquanto eu fiquei do lado de fora para limpar a neve das janelas. Eu não conseguia parar de sorrir. Com aquele dinheiro, eu poderia estudar e cuidar de Jeremy. Enquanto limpava o para-brisa, fui preenchido por uma incrível sensação de leveza. Um jovem casal entrou no restaurante, liberando uma onda de ar quente misturado com o aroma de produtos frescos. O aroma foi levado por uma brisa leve e rodopiou ao redor da minha cabeça. Aquilo me fez parar e lembrar de algo que Carl me dissera: o paraíso podia ser aqui, na Terra.
Peguei um punhado de neve com a mão sem luva e
observei enquanto derretia. Senti a frieza contra e pele morna e observei os flocos cristalinos se transformando em gotas d’água escorrendo pelo meu pulso, evaporando-se a uma nova existência. Fechei os olhos e ouvi a música da brisa murmurando entre os pinheiros ali perto, pontuada pelo chilrear de alguns pássaros escondidos nas árvores. Inspirei o ar frio de dezembro e fiquei perfeitamente imóvel, saboreando a sensação, o som e o cheiro do mundo ao meu redor, coisas que me passariam despercebidas se eu nunca tivesse conhecido Carl Iverson.”

(página 270)

 

O GÊNIO NEWTON

Toda a genialidade da obra de Isaac Newton (1642-1717) está em “Newton” (Estação Liberdade, 304 páginas, R$ 49,00), de Marco Panza, livro em que o autor mostra os aspectos mais relevantes da vida deste famoso matemático, físico, teólogo, historiador, alquimista e político. Newton apontou as leis que governam os fenômenos da natureza, dando uma nova concepção ao mundo.

 

O FILÓSOFO ROUSSEAU

As suas ideias influenciaram a Revolução Francesa ao propagar que a liberdade era o valor supremo do homem. Jean-Jacques Rousseau, um dos maiores filósofos iluministas da humanidade, antirracionalista e crítico da civilização, escreveu inúmeras obras, entre elas “Os devaneios do caminhante solitário” (128 páginas, R$ 45,90), lançado agora pela Editora Edipro, considerado seu testamento sobre a natureza do homem e dele próprio. Escrito nos últimos anos de sua vida, entre 1776 e 1778, a obra é dividida em dez caminhadas meditativas do autor, em cada uma delas abordando um tema, desde a mentira, a felicidade, a solidão e a hipocrisia. Ele também recorda a sua vida, reafirmando seus princípios filosóficos.

 

PARA OS JOVENS

13 contos inéditos compõe o livro “O sol da cabeça”, do jovem escritor carioca Geovani Martins, falando sobre a vida dos jovens vítimas de segregação racial de comunidades do país. Com selo da Editora Companhia das Letras, o livro foi lançado no começo deste mês, retratando o realismo impactante do país através dos olhos deste escritor que nasceu em Bangu, morou na Rocinha e vive atualmente no Vidigal.

 

JAPONESES

Também lançada neste início de mês em São Paulo a obra “Retratos da Infância na Imigração japonesa ao Brasil” (Editora Narrativa Um, 144 páginas, R$ 20,00), de Mônica Musatti Cytrynowicz e Roney Cytrynowitcz. Aborda a história da imigração japonesa no Brasil a partir de uma pesquisa histórica completa, incluindo 250 fotografias desde 1908.


Leituras:

“Em nove de março de 1865 nasce em Pelotas, João
Simões Lopes Neto; ao que se sabe esse homem foi o primeiro escritor gaúcho a publicar um livro (Contos Gauchescos e Lendas do Sul).
Em nove de março de 1889, o decreto imperial 10.202 cria no Rio de Janeiro o Imperial Colégio Militar.
Em nove de março de 1941, em Cachoeira ocorreu a abertura da I Festa do Arroz.”

(Otávio Peixoto de Melo, em “Tropeando Datas,” página 18, lançado em 1977).

 

Rodapé:

Três vezes indicada para o Prêmio Nobel da Paz, ganhadora de uma série de prêmios no Brasil e no exterior, Zilda Arns, a fundadora da Pastoral da Criança, que tirou o Brasil do vergonhoso mapa da mortalidade infantil e inspirou instituições humanitárias do mundo inteiro, ganhou uma biografia assinada pelo conhecido jornalista Ernesto Rodrigues. “Zilda Arns – uma biografia” (Editora Rocco, 288 páginas, R$ 34,90) oferece ao leitor um retrato completo de uma personalidade carismática, que enfrentou profundos dramas pessoais, como a morte precoce do marido e a perda de uma filha.

 

Destaques:

POLIANA MOÇA

Autora: Eleanor H. Porter 

Contando a história de Poliana, uma jovem órfã de pai e mãe que enfrenta muitas dificuldades, este livro é considerado um clássico e foi lido por muitas gerações. Ao resgatar valores como respeito e solidariedade, a obra desencadeou nos Estados Unidos e no mundo na época(1913-1915) uma impressionante onda de esperança, otimismo, boa vontade e sensibilidade às questões alheias. Eleanor Porter nasceu em 1868 em Litleton, Estados Unidos, e faleceu em 1920. Seus romances sentimentais, alegres e jovens alcançaram grande êxito. O nome Poliana, simbolizando bondade e capacidade de vencer obstáculos, foi dado para hotéis, restaurantes, lojas, casas de chá e, principalmente, para crianças.

Editora Ediouro. 223 páginas. R$ 24,90.

O ADULTO

Autora: Gillian Flynn 

Da mesma autora de “Garota exemplar”, que já vendeu mais de dez milhões de livros em todo o mundo e deu origem ao filme do mesmo nome, “O adulto” conta a história de uma jovem que ganha a vida praticando pequenas fraudes até que um dia algo tenebroso está à espreita e ela precisa descobrir onde o mal se esconde para escapar dele. A autora é jornalista americana e já escreveu também “Objetos cortantes” e “Lugares escuros.”

Editora Intrínseca. 59 páginas. R$ 24,90.

(Com a colaboração de Viveiro Cultural)

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