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17/02/2017 - 11h20

Cinquenta Tons Mais Escuros

Filme ouve críticas ao capítulo anterior e apimenta relações

Fanfics são uma modalidade de obra narrativa, como filmes, contos ou histórias em quadrinho, criadas por fãs. Estes pegam a versão original do enredo e desenvolvem um spin-off, ou derivado, sobre aquele universo conforme a versão do novo autor. Foi desta forma que foi concebido um dos principais fenômenos da literatura dos últimos tempos, a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, da autora inglesa Erika Leonard James.

Crepúsculo sem presas e com sexo
Com uma trilogia de três livros, que alcançaram a vendagem de mais de 40 milhões de exemplares, a obra inicialmente seria apenas uma Fanfic em homenagem a saga "Crepúsculo". Dizem as más línguas que a autora estava entediada com Crepúsculo, pois seus protagonistas, Edward e Bella, não se "pegavam"de verdade. Criou então este novo universo onde o sexo é o eixo de uma obra que pretende apresentar o mundo do sadomasoquismo aos leitores ou espectadores convencionais. Infelizmente, assim como Crepúsculo não é uma história de terror sobre vampiros, Cinquenta Tons arranha pouco a superfície do tal mundo sadomasoquista.
 

Longe dos clássicos eróticos
O primeiro filme da série tem muitas críticas negativas, principalmente de quem não leu os livros, como eu. A ideia que se fazia da trama, antes de entrar no cinema, era que seria um conto erotizado como "O Último Tango em Paris", (Bernardo Bertolucci, 1972, Roma), "Nove semanas e meia de amor" (Adrian Lyne,1986, EUA), "Atração Fatal" (Adrian Lyne, 1988, EUA), ou até mesmo "De olhos bem fechados" (Stanley Kubrick, 1999, EUA).
Cinquenta Tons de Cinza deveria ser um filme que te deixasse no mínimo desconfortável ao assistir as cenas. Fica longe disto, pois apresenta apenas a corte do sadomasoquista bilionário Christian Grey a jovem Anastasia Stelle, usando para isto todo o dinheiro e conhecimento possível. Na primeira fita, as cenas de sexo fervorosas são minimizadas sem partes picantes, sem exposição de partes intimas e obviamente, demonstrando que, embora praticassem sexo selvagem, a camisinha era fundamental. Parecia que os produtores desejavam que o filme pegasse classificação 13 anos para aumentar a bilheteria.

Nudes para todos
O segundo filme, Cinquenta Tons Mais Escuros, observa bem as críticas do primeiro e tenta resolvê-las. Neste temos nudes a vontade, com seios e bundas aparecendo a toda hora. As cenas de sexo também estão mais bem resolvidas, com os atores representando melhor que no primeiro filme. A protagonista aprende inclusive para que serve duas bolinhas presas em uma corrente durante o desenrolar da narrativa. Mas a história entre as cenas de sexo... Bom, esta tem de ser completamente repensada para ter alguma profundidade.

Invertendo papéis
Tons mais escuros nos traz a volta do relacionamento entre Cristian Grey (Jamie Dornan, do seriado Once Upon a Time) e Anastasia Steele (Dakota Johnson de Aliança do Crime, 2015). Se no primeiro filme Grey exige que a protagonista assine um contrato sexual, neste ele é que se dispõe a seguir as regras da moça, sem segredos e obedecendo seus desejos. Tudo para reatar o romance. O bilionário insaciável de Tons de Cinza admite então contar aos poucos seus segredos e até cozinhar e realizar compras no supermercado.

Eu acho que vi um gatinho
São introduzidos alguns elementos quase místicos para apimentar a história como a primeira amante dominadora de Grey, vivida por Kim Basinger, de Nove e meia semanas de amor. Esta tenta aconselhar Ana que é impossível "salvar" Grey. Outro ser quase sobrenatural, chegando inclusive a aparecer e desaparecer de onde é vista, é a ex-namorada Leila Williams, a jovem atriz Bella Heathcote de "Sombras da Noite", 2012. Esta persegue o casal, vandaliza carros, dá tiros, mas obedece lealmente o antigo mestre. Ambos artifícios são utilizados sem uma resolução final, apenas para te deixar com curiosidade para o próximo filme. Quem são estas afinal?

Sexo insolúvel
Cinquenta tons, até agora, me parece uma trama insolúvel pois o que apresenta é uma tentativa enlouquecida de duas pessoas transformarem completamente a personalidade de seu par. Grey é um sádico desesperado em mudar uma menina pueril para torná-la uma serva sexual. Isto porque o problema da virgindade (conforme o protagonista) ele já consegui resolver no primeiro filme.
Não importa que, para completar a metamorfose, tenha de utilizar todo o seu dinheiro e experiência. Na verdade a maior parte das resoluções das crises entre os dois se resolvem desta forma, através do esbanjamento da fortuna de Grey. Flores, carros, joias caras, viagens deslumbrantes, tudo vale para modificar a personalidade de Ana. O pior é que ele consegue sempre o seu intento, fazendo que a menina mude de opinião radicalmente através destes artifícios.
Já Ana quer transformar o sádico bilionário em um dono de casa. Ela pretende ser uma pessoa tão perfeita que consegue inclusive "curar" o masoquista e transformá-lo em seu homem casamenteiro. Talvez seja este o conto de fadas dos novos tempos, mas muito distante da realidade. Personalidades até podem ser aceitas, mas modificadas, acho difícil.

Gritos a vontade
Embora eu não tenha achado um filme fantástico, os gritos das meninas a minha volta, em cada nude de Christian, diziam o contrário. Se você estiver com vontade de ir ao cinema para gritar vale a pena.
Só peço, por favor, não façam um Fanfic do Fanfic Cinquenta tons de cinza. Vai que vire um sucesso. Vou ser obrigado a assistir a versão do cinema e, sinceramente, não sei se tenho saúde para isto.

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