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06/01/2017 - 11h15

Passageiros

Primeiro Sci-fi de 2017 é misto de aventura e romance

Em 1992 Mel Gibson foi astro de um filme chamado "Eternamente Jovem". Nele o protagonista é congelado em uma câmara criogênica por cinquenta anos. Na película, quando um cientista é perguntado para que serviria tal aparelho, este responde com outra pergunta. "Imagine até onde conseguiremos chegar, se nossos astronautas puderem ser congelados".

Um quarto de século depois, a Ficção Científica "Passageiros" consegue responder em parte esta pergunta.

Despertador Adiantado

"Passageiros" conta a história da Nave Avalon que deveria levar cinco mil passageiros da terra até uma planeta habitável, distante 120 anos do nosso.

Para que isto aconteça estas pessoas deverão percorrer a enorme distância em sono criogênico. Basicamente se congela a pessoa durante a longa viagem e a acorda quando chegar ao destino.

Esta lógica já foi aproveitada em outras ficções, como Buck Rogers, Avatar e Planeta dos Macacos. Diferentemente destes contos, no novo filme um dos passageiros acorda por mal funcionamento da Câmara. Isto acontece com apenas trinta anos de viagem. Faltariam noventa anos antes da hora certa.

Numa Gaiola Dourada

O "sortudo" é o engenheiro mecânico Jim Preston, vivido por Chris Pratt. Este se vê obrigado a viver em uma nave fantástica, parecida com a da animação Wall-e.

Nela existem dezenas de atividades maravilhosas, a diferença é que na Avallon Jim está na mais completa solidão. Esta situação muda quando outra passageira, a escritora Aurora Lane, protagonizada por Jennifer Lawrence, também é acordada.

A partir dai podemos observar a construção da relação entre estas duas pessoas num cenário ao mesmo tempo altamente tecnológico e estéril.

Três Filmes em Um

O filme é dividido em três atos: A primeira parte é praticamente uma comédia dramática, vivida pelo mecânico Jim. Lembra a série televisiva "O Último Homem da Terra", da Fox.

Jim tem de tudo na nave, mas para que serve mesmo se ele está sozinho, e terá de passar toda sua vida assim, a segunda parte,já com Aurora, é um romance entre o casal de protagonistas, tentando sintonizar suas personalidades diferentes. Ajustando seus erros e acertos.

Já no ato final vamos para um filme de aventura, numa tentativa desesperada dos protagonistas em descobrir os problemas da nave e salvá-la, bem como a tripulação em animação suspensa.

Os emergentes comandam

O elenco do filme segura bem a trama. Não poderia ser diferente, pois os protagonistas são considerados os principais emergentes das fitas de aventura e ficção dos últimos anos. Chris Pratt é o líder da franquia Guardiões da Galáxia e do novo Jurassic World.

Já Jennifer Lawrence comanda a nova fase de X-men e viveu a revolucionária Katniss Everden de Jogos Vorazes.

A dupla conta ainda com a ajuda do veterano Laurence Fishburne, de Matrix, vivendo o oficial Gus Mancuso, numa pequena, mas importante, participação.

No espaço ninguém pode ouvir você se afogar

Quanto aos efeitos especiais, que sempre interessam a quem assiste um filme deste tipo, não é preciso se preocupar. A Nave é grandiosa e consegue, mesmo num ambiente fechado, apresentar lindas imagens aos espectadores.

Destaque para o momento em que vemos como funciona a água em gravidade zero na visão do diretor.

Por falar em diretor, podemos dizer que o Norueguês Morten Tyldum, de "Jogo da Imitação", cumpre bem seu papel e entrega um filme amarradinho, um bom conto.

Diversão apenas

Não espere no entanto um sci-fi cabeça deste filme. A proposta é bem água com açúcar, um romance espacial apenas. Existe alguns momentos que emula enquadramentos de câmera de 2001- Odisseia no espaço, talvez como homenagem.

Há questionamentos que também são retirados deste clássico, como se um robô pode mentir. De profundo fica nisto.

Vale a diversão, mas em dez anos não passará de um top da Sessão da Tarde. Para ter certeza disto sem envelhecermos só com uma câmara criogênica e dormindo até lá...

Depois da experiência de Mel Gibson e de Passageiros, sinceramente, não parece uma boa ideia.

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