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Edição Impressa
11/01/2017 - 11h13

Intertextualidade Poética

Leminski, Kafka, Neruda, Quintana, Carpinejar, Pessoa, Bandeira, Martin Fierro, Adélia Prado, Florbela Espanca, Cecília Meireles, Cora Coralina...

Todos estes autores e personagens se fazem presente neste post do blog da poesia; é a diversidade literária que nos enriquece, que acrescenta, multiplica. A poesia que faz homenagem, que presta tributo, que influencia (onde cada poeta encontra sua própria respiração de mundo, seu próprio fluxo); a poesia plural que reside na simplicidade aparente do verso, na inteligência e na singeleza que lhe é peculiar.


Esse perfil associativo proposto remete diretamente a temática intertextual.
Intertextualidade é o recurso entre textos, ou seja, é a influencia e a relação que se estabelece um sobre outro. É o diálogo entre autores e personagens. Essa referência pode ser explícita ou implícita, tanto em nível de conteúdo ou forma (às vezes simultâneos).

Poema de Carlos Drummond de Andrade

 

Um bom poema é um simulacro na vida de alguém; com sua grandeza e sua fragilidade.

É a poesia invulgar na busca do incomum. Enfim. Com nossos autores e nossas influencias.

Boa leitura, boas reflexões e bom divertimento.
Por Tiago Vargas

 

 

Poesia poemas versos

BAGAGEM

carrego florbelas e adélias
fernandos e marios
clarices e coralinas
cecílias e pablos

carrego prosa e poesia
para perto de lugares distantes

Marion Cruz

 

 

Preparo a mesa
Com Leminski, língua
Haicais ao ponto
Mergulhados em vodka
Amor e refluxo

A incandescência do silêncio
Flambou o último verso
Servido em tempero forte
De polaco kamikase

Antes que este haicai
me devore
Te degusto com hashi

Cris M Branco

Gregor Sansa

Olhei pro canto a parede estava esburacada
Nela o relógio impaciente me fitava
Meu corpo tenso gemia e suava
O teto cada vez mais me atormentava
A luz sorrateira espreitava o quarto
Cada vez mais gregor eu me tornava

Tentei em vão fechar os olhos voltar no tempo
Esperando que tudo não passasse de uma ilusão
Torcendo para voltar para minha monotonia
Esperando que seja apenas mais um dia

Já passava das 6 eu ainda não existia
O espelho que servia de enfeite me seguia
Meu rosto magro as pernas tontas eu cambaleando
Tentando em vão fugir deste quarto
Mas cada vez mais sansa eu me tornava.

Teton Beat

 

Tadeo Isidoro Cruz

Quando escutou o grito:
“não ando com covardes”
sentiu-se um ex-condenado.
O corpo frouxo retomou vigor,
jurou para si, outra vez
“se escapar me endireito”.
Os que o perseguiam
agora lutavam entre si.
Não via nem era visto,
cercado no matorral espinhoso,
agora alguém o defendia,
os sabres tilintavam,
como talheres num jantar,
onde era ele o prato principal.
Tomado de dor e raiva
sacou adaga e pulou como fera,
na escuridão os soldados caíam,
o relvado era um charco.
“Vamos, amigo! vamos”.
Os cavalos vagos foram tomados,
no tropel apressado um disse:
- gracias, me chamo Martin Fierro.

Bagual Silvestris

 

Então

A la Manuel Bandeira


Quando o féretro partiu
Os rapazes que estavam na tacabaria
Olharam para o viúvo
De-mo-ra-da-men-te
Buscavam no sofrimento do outro
Algum consolo inútil
Para sua vidinhas sem graça.

Mauro Ulrich


carpintaria das ideias, o que seria?
carpe diem, aproveite o dia
Estórias reais! Ele Fabrício fabrica.

Pensamentos, xingamentos, eu te amo: seus passatempos
psicanalista para com vidas alheias
pichador de frases não ditas, bem ditas, malditas.
Irreverente, a gente logo sente.

Louco de desatar
versos controversos, decerto há
Esdrúxulo, extravagante, pensante

Careca de saber, de falar, de pensar
djavaneando devagar
cantarolando caetano
eu prefiro carpinejar.

César Roos

 

 

FANTÁSTICO ESTRANHO

Eu sou a mais extraordinária história
Que Poe não contou.
Sou o traço louco
Que Dalí não traçou.
Sou o espaço desconhecido
Que Alexandre não conquistou.
Eu sou a vida viva
Que Aquiles poupou.

Eu sou a mais simples transformação
Que Darwin não previu.
Eu sou o centro
A ilusão perdida
Sou sua vida
Sou a sorte perdida
A solução química
Da sua paixão descabida.
... Sou tudo isso. Eu sou concreto.

Jorge Ritter

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