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   Caderno Vida & Saúde - 7 e 8/9/2002

Sexualidade: Dá para ter relações durante a gravidez?

“Tenho medo de machucar o bebê”, você certamente já ouviu alguém dizer. Embora saiba que este receio não tem fundamento, muitas vezes ele acaba servindo para justificar o desinteresse pelo sexo. Há grávidas também que experimentam um tal sentimento de plenitude, que a inclusão de uma outra pessoa, o companheiro, não é necessária. Basta que existam ela mesma e o bebê que carrega dentro de si. Ao contrário, existem aquelas cujo impulso sexual aumenta durante os nove meses. Como se o fato de se sentirem férteis representasse um elo a mais, ligando-as ao parceiro e atiçando o desejo. E a diversidade não pára por aí. É fácil encontrar quem oscile de um extremo a outro: sexo a toda hora, sexo raramente. Ou então as que se sentiram bastante sensuais nos primeiros tempos, para esfriarem depois, quase por completo.

Emoção e atração
O turbilhão de sensações vividas durante a espera de um filho não é privilégio da mulher. Depois da euforia com a notícia, o futuro pai se debate entre mil novas preocupações. Uma das principais certamente é esta: “Darei conta de todos os compromissos financeiros, materiais e emocionais envolvidos no futuro que me espera?”. Eles também demonstram reações contraditórias diante da gravidez. Muitos homens garantem que jamais se sentiram tão atraídos pelo corpo da mulher, enquanto uma boa parte se comporta de forma contemplativa, como se estivesse diante de um ser sagrado. Não raro, se reportam a uma sensação estranha: é como se houvesse um terceiro participando do ato sexual.

Períodos delicados
O primeiro trimestre, geralmente, é marcado por alterações que afetam a tranqüilidade e a disposição da mulher, como enjôos e vômitos. No terceiro, já com a forma e o funcionamento do seu corpo bastante modificados, ela está ainda sujeita a preocupações, como o medo do parto e a segurança do neném. O quarto, o quinto e o sexto meses, marcados por mais estabilidade, são considerados ideais para que os parceiros grávidos retomem, de modo semelhante ou até melhor do que antes, seu relacionamento íntimo. Muitos casais enfrentaram dificuldades e descobriram que podem ser superadas. Não se assuste, porém, se alguém disser que nunca teve uma atividade sexual tão intensa quanto na gravidez.

Cuca e cansaço
Fatores inconscientes, como a noção de que o sexo existe para a reprodução, também contribuem para o afastamento sexual dos casais grávidos. Estando a mulher à espera de um bebê, o sexo seria entendido como dispensável. O cansaço não deixa de ser outro fator de risco respeitável. Há situações em que um dos parceiros precisa de repouso, deixando o sexo de ser sua prioridade. Mas este momento passageiro nem sempre decreta a distância física do casal. Afinal, carinho e aconchego têm muito valor.
Nessas horas, além do amor e do carinho, requisitos como disciplina e organização também devem fazer parte da vida em comum. Assim como garantem a sobrevivência das instituições, eles ajudam o casamento (também uma associação) a se organizar. É dessa forma que o casal consegue administrar seu tempo diante das inúmeras solicitações do dia-a-dia. E pode garantir espaço para uma vida sexual prazerosa e saudável.

Soluções explícitas
Quem vive problemas deve buscar orientação com o obstetra, o psicólogo ou o sexólogo. Também costuma ser valiosa a troca de experiências com um grupo de gestantes. O importante é que o casal aceite o sexo fora do modelo convencional, baseado na necessidade pura e simples do orgasmo. Livres de tabus, eles podem manter a vida sexual de maneira criativa, equilibrando seus desejos com as reais possibilidades desta fase de espera do bebê. Parceiros disponíveis para identificar e solucionar dificuldades passam por constantes transformações. E saem ganhando cumplicidade e união.

Nada como antes
A gestação modifica inevitavelmente uma relação, revelando aos parceiros um de seus fundamentos mais sólidos: eles podem ser a fonte de uma nova vida. Esta realidade de agora parece ter a magia de não deixar nada como antes. A intensidade do desejo e as formas de exprimi-lo, é claro, não escapam deste momento de transformação. Não há mandamentos, fórmulas, regras fixas. Cada casal descobrirá a sua linguagem, uma freqüência e uma maneira própria de viver os encontros de amor. É bom lembrar que a sexualidade humana é sempre uma experiência sujeita a mutações, sensível aos humores do momento, imprevisível, variável, incerta. E isso vale para todos, e não só para os grávidos.

Nove meses de amor. E por que não?
Nesse momento marcante, o sexo pode ganhar um sentido de realização e plenitude, difícil de ser vivido em outras oportunidades. Quanto mais positiva a visão do casal em torno da gestação, mais significado terá sua vida sexual. Há quem use essa fase para justificar problemas anteriores (e de outras origens) em seu relacionamento íntimo. Para recuperar o fio da meada e remover a real inibição ligada ao seu erotismo é importante que sejam sinceros e, sempre que possível, busquem uma ajuda especializada.
Mesmo em pleno terceiro milênio, observa-se uma queda significativa das relações sexuais durante o período de gravidez. Isto ocorre devido a razões psíquicas, morais, emocionais e principalmente pelo medo de machucar o bebê com o pênis. Embora esta preocupação seja normal, não existe qualquer perigo de que isso aconteça, pois o pênis não chega nem perto do bebê. Durante a relação sexual, o bebê fica muito bem protegido pelo líquido amniótico, pelos fortes músculos do útero e por um tampão mucoso espesso que fecha o colo do útero.
Em princípio, qualquer mulher grávida, com exceção das que apresentam casos como placenta prévia, sangramento, história de abortos espontâneos e em que a gravidez é considerada de alto risco, pode manter relações sexuais. Entretanto, se por algum outro motivo o médico proibir o sexo com penetração, o casal pode e deve procurar outras fontes de prazer. A masturbação e o sexo oral, por exemplo, são ótimos substitutos. Mas é importante ficar atenta. Qualquer alteração, como sangramentos persistentes e dores durante o ato sexual, deve ser comunicada ao médico com urgência.

O sexo fica proibido nestes casos
Sangramentos vaginais
- Na maioria das vezes, não envolvem riscos, mas é bom conversar com seu médico.
Placenta baixa - Pode ser aconselhável uma abstinência sexual temporária.
Contrações antes da hora (em geral, no segundo trimestre) - Através de um exame, o obstetra avalia se o colo do útero está dilatado por uma laceração prévia, o que causa uma sensação de peso no períneo, entre outros sintomas. Neste caso, opta por fechá-lo artificialmente (cerclagem), recomendando abstinência em período a ser definido por ele.
Trabalho de parto prematuro - Se há esta ameaça em torno do sétimo ou do oitavo mês, a gestante é medicada. O médico pode pedir ainda exames que registrem a ocorrência de contrações. Aconselha-se evitar relações sexuais até o nascimento do bebê.

Dificuldades podem ser contornadas

As maiores dificuldades para o sexo na gravidez costumam ser atribuídas a mudanças físicas da mulher, como o aumento dos seios ou a maior produção de secreção vaginal. Essas dificuldades, no entanto, podem estar sendo influenciadas por desinformação, crenças e preconceitos, como:
A chamada síndrome da Virgem Maria - Trata-se da inibição do homem para manter relacionamento sexual com uma pessoa que, prestes a se tornar mãe, ele considera santa.
O conflito da maternidade - É outra reação freqüente no homem, que vê na parceira grávida o reflexo da própria mãe. Nas primeiras semanas depois do parto, ela também corre o risco de ser absorvida, quase inteiramente, por esse papel.
As supostas limitações físicas que a gravidez impõe à sexualidade e ao prazer - Acreditando que causarão prejuízos à gestação, os parceiros se inibem e quase sempre se retraem.
O medo de machucar o bebê - Este entendimento que, segundo os especialistas, é um engano comum, pode ser observado até em pessoas consideradas bem esclarecidas.

Caminhos do prazer
Durante a gravidez, a mulher sofre inúmeras transformações físicas e psicológicas, o que faz com que cada fase seja bastante diferente da outra. Estas transformações, além de alterarem muito a sexualidade da mulher, também podem interferir no ritmo sexual do casal. Para alguns casais, a gravidez significa um desligamento total do sexo, enquanto para outros representa um dos melhores períodos do relacionamento sexual, porque é justamente nela que se pode fazer sexo sem se preocupar em tomar pílulas ou usar qualquer outro tipo de anticoncepcional.

Mudanças durante a gravidez
No primeiro trimestre, geralmente a mulher perde a vontade de fazer sexo e se afasta fisicamente do parceiro, porque tem medo de um possível aborto, os enjôos e as náuseas ficam mais freqüentes, seus seios ficam doloridos e muitos outros desconfortos aparecem. Quanto ao homem, além de várias outras razões, às vezes acaba perdendo o desejo por sexo porque vê sua mulher apenas como mãe, deixando de considerá-la também como parceira sexual, ou então encara a gravidez como sinônimo de fragilidade, e isso faz ele se sentir na obrigação de se distanciar física e sexualmente, a fim de proteger a mamãe e o bebê. O desinteresse sexual por parte de qualquer um que seja é compreensível. Mas nesta fase, uma boa conversa para que os dois possam expressar seus desejos e sentimentos pode diminuir a distância física. Além disso, outras formas de demonstrar amor e afeto mútuo, como, por exemplo, os carinhos, os abraços e uma massagem a dois nunca devem ser esquecidos.
No segundo trimestre, com a gravidez já estabilizada, a maioria das mulheres sente uma melhora significativa na disposição, e algumas delas percebem até um aumento da libido. Esta é a grande oportunidade para retornar à vida sexual e experimentar novas sensações, pois a elevação da irrigação sangüínea, do volume de água e das secreções vaginais fazem com que a vulva aumente de tamanho e fique mais lubrificada, tornando a penetração muito mais fácil. Diante disto, posições que antes pareciam praticamente impossíveis podem acabar se tornando preferidas e muito prazerosas para o casal. Por outro lado, uma dificuldade relacionada à beleza física pode levar a mulher a se afastar dos relacionamentos sexuais, uma vez que ela não estará se sentindo atraente, já que o padrão atual de beleza diz respeito a um corpo escultural, e a mulher estará lidando com um corpo “provisório” muito diferente dos modelos de beleza. Deste modo, muitas mulheres acreditam que não conseguirão despertar o desejo do parceiro e acabam se afastando dos relacionamentos sexuais por medo de serem rejeitadas. Novamente o diálogo é algo muito importante para auxiliar nesse momento.
Quando a mulher entra no terceiro trimestre, geralmente a indisposição volta devido ao inchaço das pernas e pés, da difícil respiração e do cansaço que vem mais rápido. Estes e muitos outros fatores, como a preocupação com o parto, costumam esfriar novamente a relação, e nesta época vale mais uma vez lembrar que o diálogo continua sendo muito importante. Se a mulher decidir por não fazer sexo porque não está se sentindo bem, sua decisão deve ser respeitada pelo parceiro. Afinal, é ela quem está carregando o bebê e, mais do que ninguém, sabe o quanto esta tarefa é difícil. Caso a mulher esteja se sentindo bem disposta e a gravidez transcorrendo normalmente, nada impede que o casal tenha relações sexuais nesta fase. Entretanto, nas duas últimas semanas, as posições que favoreçam a penetração profunda não são recomendadas. O fato de a barriga estar consideravelmente grande faz a mulher perder um pouco da sua mobilidade e, conseqüentemente, a capacidade de assumir algumas posições durante o ato sexual. Mas isso pode e deve ser considerado como mais um estímulo à busca de uma variedade de novas posições.
Após o parto, independente de qual tipo seja, o resguardo de 40 dias é necessário e, nesta fase, o sexo com penetração deve ser evitado, dando lugar ao sexo manual e oral leve. Mas depois deste período, a vida sexual normal deve ser retomada.
n Algumas mulheres podem sentir, durante a fase de amamentação, um certo desconforto ao fazerem o sexo com penetração. Isto ocorre em razão do desequilíbrio hormonal, que provoca uma diminuição da lubrificação vaginal. Mas este desconforto pode ser amenizado com o auxílio de lubrificantes à base de água indicados pelo médico.



Beleza: Os cuidados da boa maquiagem

Ser bonita não significa ser jovem. Não é certo ficar deprimida porque está ficando mais velha. Isto é um pensamento americano. Na Europa, confiança, sensualidade, caráter e personalidade fazem parte da beleza. É preciso crescer internamente para gostar das próprias rugas, porque elas fazem a expressão e o caráter. Elas contam histórias.
Cosméticos e técnicas corretas ajudam, mas também não é obrigatório descartar a possibilidade de cirurgia a laser ou injeções de colágeno para tornar as rugas menos aparentes e a pele mais jovem. Mas é preciso ter cuidado, porque cirurgias podem alterar a aparência também.

Aqui vão algumas dicas de profissionais sobre beleza e cosméticos:
1. Um grande erro que as mulheres cometem é usar muita base para esconder as rugas, que somente as aumenta. Evite as rugas quando passar base e a utilize esparsamente em outras partes do rosto.
2. Não passe base ao redor dos olhos. Utilize algo para disfarçar as olheiras, mas evite os cantos dos olhos onde há mais rugas. Use um creme que reflita a luz sem aumentar a textura. E fixe com pó translúcido leve.
3. Não exagere na base se quiser equilibrar o tom da pele. Aplique a base com esponja e espalhe bem ou utilize um hidratante com tinta se preferir não usar base.
4. Aplique a maquiagem usando luz natural de frente para a janela.
5. Os maiores erros são negligenciar os cuidados com a pele ou exagerar colocando vários cremes e hidratantes em excesso.
6. Outro erro comum é a esfoliação excessiva, geralmente combinando ácido retinóico ou vitamina C com outro produto como ácido glicólico. Mas muitos produtos já contêm esfoliantes, por isso leia as bulas e evite-os se já estiver usando ácido retinóico ou vitamina C.
7. Conforme a mulher vai ficando mais velha, a pele perde sua coloração natural. Mas a maquiagem pode ajudar a restaurar uma cor saudável. Use hidratante com tintura que deixe levemente bronzeado ou creme que devolva a cor para as bochechas.
8. Cinza é uma cor fantástica para sombra para os olhos, pois vai com todas as cores de olhos.
9. Os lábios se tornam finos com a idade, por isso, batom escuro parece deixar mais velha. Use algo mais colorido do que bege, como um tom pêssego ou um tom de rosa que não tenha muito vermelho.
10. Prefira creme para sombras e para as bochechas e não pó.

Diagnóstico

Fobia social atinge até 10% da população
Cerca de 10% da população pode ter fobia social e, para estas pessoas, falar em público ou encontrar estranhos pode ser uma experiência muito difícil. O medo mais comum relatado por pessoas com a doença é o de falar em público. A fobia mais rara é a de comer ou beber em algum lugar onde alguém possa ver, sentido por cerca de 4,2%. Cerca de 60% das pessoas dizem que não tinham a fobia social desde muito antes do diagnóstico, enquanto 28% têm de um a três tipos de medo. Apenas 3% tinham sete ou mais tipos de medo social.
Muitas pessoas têm medos. A questão é se esses medos interferem na vida social, profissional ou diária, ou se a pessoa é realmente perturbada pelo fato de ter fobia social. Um quinto das pessoas com fobia social admite que o medo interfere em sua educação ou trabalho. Considerando que a fobia social geralmente começa na infância ou na adolescência, sendo acompanhada com freqüência por depressão e uso de drogas, isso deveria aumentar a atenção sobre uma eventual colaboração coordenada entre saúde pública e fobia social. O tratamento para a fobia social é eficaz. As duas melhores formas são o tratamento com drogas antidepressivas, conhecidas como inibidores seletivos de reabsorção de serotonina, e a terapia comportamental cognitiva.

SUS inicia, em outubro, tratamento gratuito contra o fumo
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que inicia em outubro a distribuição de produtos à base de nicotina (gomas de mascar a adesivos) e medicamentos com bupropiona, para tratamento de combate ao fumo. Para receber os remédios, os interessados devem se submeter a um programa completo de combate ao fumo desenvolvido pelo SUS. Somente os mais dependentes receberão os medicamentos gratuitamente.
Durante o programa, os pacientes serão divididos em grupos e orientados a identificar e evitar as situações que os levam a acender um cigarro. Atualmente há cerca de 30 milhões de fumantes no Brasil. O cigarro é diretamente responsável por 30% das mortes por câncer e 90% das mortes por câncer de pulmão, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). 25% das mortes por doença coronariana, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e um quarto das mortes por doença cerebrovascular também estão associados ao tabaco.

O vício pela internet

É claro que a internet mudou a maneira pela qual nós nos comunicamos, para obter informações, conversar com amigos e até mesmo para procurar romances e relacionamentos. Porém algumas pessoas estão expostas ao risco maior de desenvolver uma doença que é chamada desordem da adicção à internet. Há vários relacionamentos que surgiram após jogos de cartas ou após diálogos em chats específicos, o problema é quando alguém usa a internet para evitar contatos humanos reais. Pode ser que o desejo seja o de ficar utilizando todos os recursos tecnológicos de jogos de ação, visitas constantes a sites de pornografia ou simplesmente ficar on-line sem ter o que mais fazer com o próprio tempo. As pessoas solitárias e com baixa auto-estima gostam de ficar escondidas e costumam fantasiar a respeito de onde são, o que fazem, criando novas identidades à busca de emoções que não conseguem obter em seu dia-a-dia.
As pessoas mais atingidas costumam ter depressão associada, sem carreiras profissionais ou abaixo daquelas que gostariam. Pessoas de meia-idade estão em maior risco de desenvolvê-la. O tratamento conta muito com a boa vontade do paciente em aceitar o diagnóstico, que será tratado da mesma maneira que outros vícios, tentando mudar comportamentos e dando suporte para que o paciente perceba seus prejuízos e quais as vantagens que poderá voltar a obter, caso consiga se desligar da tela do seu computador.

Alimentação: Por dentro da lata

Espalhados pelas prateleiras dos supermercados, os entalados são uma grande tentação para o consumidor. Afinal, basta colocá-los no carrinho, levá-los para casa e, na hora de servir, abrir a lata. Além da praticidade, contam com a vantagem do longo prazo de validade, que pode variar de seis meses a dois anos. E por incrível que pareça, muitos enlatados conseguem manter o mesmo conteúdo de vitaminas A e D, proteína, gordura e carboidratos que os existentes nos outros produtos.
As frutas e os vegetais enlatados, por exemplo, preservam maior quantidade de vitamina C do que os alimentos semelhantes comprados como frescos nos supermercados. “Isso porque os alimentos frescos ficam armazenados por muito tempo nos locais de venda e, ainda, são cozidos em demasia ao serem preparados em casa. Assim, eles perdem os nutrientes”, explica Cibele Crispim, nutricionista da RG Nutri. Dessa forma, teríamos um motivo justo para elegermos os enlatados como a alimentação ideal. No entanto, por dentro da lata do leite condensado, da seleta de legumes, da salsicha, entre outros, há uma quantidade enorme de substâncias químicas que são adicionadas para garantir a conservação, o sabor, o cheiro e a cor desses alimentos.

Cuidados com os enlatados
Antes de levar um produto enlatado para casa ou mesmo depois de aberto, alguns detalhes devem ser observados para que não apresentem riscos à saúde:
Verifique sempre a data de validade. Produtos vencidos podem ser muito perigosos e fazer mal.
Leia atentamente o rótulo da embalagem, que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, precisará trazer informações claras e em português sobre prazo de validade, quantidade, composição e o nome e endereço do fabricante ou exportador.
Nada de comprar uma lata amassada. Qualquer furinho, por minúsculo que seja, é o suficiente para abrir passagem para as bactérias entrarem e contaminarem o alimento.
Latas estufadas, nem pensar. Isso indica que algo deu errado na conservação e os micróbios se reproduziram, passando a ocupar mais espaço. Por isso, a embalagem fica estufada.
Lave bem as latas com água e sabão antes de armazená-las ou abri-las para evitar que os germes entrem em contato com os alimentos.
Depois de abrir a lata, coloque o conteúdo numa vasilha de plástico ou vidro com tampa e guarde na geladeira para conservar por mais tempo.
O palmito merece cuidados especiais. Pesquisas mostraram que o alimento, principalmente se for enlatado, é propício à contaminação por botulismo e outras bactérias. Antes de ir à mesa, deve ser fervido por 15 minutos em água filtrada. Além disso, na hora de guardá-lo na geladeira, é bom tirá-lo da lata e colocá-lo num recipiente de vidro ou plástico, junto com a salmoura.

Onde mora o perigo
Nos chamados aditivos. É aí que mora o perigo. Apesar de todos os aditivos utilizados no mercado serem aprovados pela Vigilância Sanitária, especula-se que várias dessas substâncias sejam cancerígenas. “Até hoje nada foi comprovado”, diz a nutricionista. “No entanto, o contato do alimento com a lata pode levar à contaminação por chumbo ou alumínio, metais usados na vedação da embalagem e que, a longo prazo, podem, sim, causar alguns problemas à saúde”, alerta.
“Toda química faz mal se ingerida em exagero, mas não há testes de laboratório que confirmem isso”, explica o médico nutrólogo João Curvo. Segundo ele, os enlatados, assim como qualquer outro produto industrializado, devem ser consumidos como quebra-galho, não diariamente. É bom lembrar também que muitas pessoas podem ter alergia a alguma dessas substâncias. Por isso, é sempre bom verificar o rótulo para saber o que se está levando para casa.
Mais preocupante que os aditivos é o botulismo, uma doença causada por uma bactéria que se desenvolve em lugares nos quais não existe ar, como nas latas. “Quando a tampa da lata estiver estufada, fique longe. Isso é sinal de que o alimento está contaminado pela bactéria”, alerta Curvo. Apesar de ser uma doença rara, pode levar à morte em apenas 24 horas se a pessoa não tratar rapidamente. Os sintomas mais comuns são fraqueza muscular, boca seca, dificuldade respiratória e visão embaralhada. Inicialmente, também pode causar náuseas e vômitos.

Saiba para que servem os aditivos
Conservantes - Esse aditivo retarda a multiplicação de micróbios, fazendo com que o alimento demore mais para estragar.
Corantes - Eles dão aquela cor rosada à salsicha em lata. Sem a presença deles, esse alimento ficaria completamente esbranquiçado. Os corantes artificiais são os grandes causadores das alergias. Por isso, prefira os produtos com corantes naturais, como o urucum.
Espessantes - Aumentam a consistência dos produtos enlatados. São indispensáveis, por exemplo, no creme de leite, que ficaria ralo sem a presença desse aditivo.
Acidulantes - Além de conservarem o produto, eles tornam o seu sabor mais ácido e mais agradável. Sua presença ajuda a inibir a proliferação de bactérias.
Antioxidantes - Evitam que o alimento se deteriore em contato com o ar.
Edulcorantes ou adoçantes - Costumam atrair muito o consumidor por não conter calorias. Mas é bom ter cuidado. Alguns deles, como a sacarina e o ciclamato, podem ser cancerígenos se consumidos com muita freqüência.
Estabilizantes - Ajudam a conservar os alimentos, impedindo que estraguem com o tempo.

Seu corpo: Uma questão de hábito

Mais de 43 milhões de brasileiros sofrem de prisão de ventre. As mulheres são as maiores vítimas. De cada 10 pessoas com o problema, seis são do sexo feminino. Os responsáveis são os hormônios do ciclo menstrual, que, não se sabe o motivo, deixam o intestino preguiçoso. Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe um dado novo em relação ao problema. A correria típica das grandes cidades piora o mal-estar. “Com a falta de tempo, o intestino é ignorado. Resultado: dor na barriga, gases e alterações de humor”, explica o gastroenterologista Moacir Vilela. Entre os principais culpados pelo transtorno estão as mudanças na alimentação, dieta pobre em fibras, pouco consumo de água, falta de atividades físicas e estresse. Tudo isso é capaz de diminuir a freqüência das contrações abdominais, os movimentos que eliminam o que sobrou dos alimentos. Se esses movimentos ficam menos intensos, os resíduos circulam por mais tempo pelo intestino. Então, eles vão perdendo líquido e as fezes endurecem. O resultado são náuseas, cólicas e sangramentos, devido ao esforço que se faz quando se vai ao banheiro.
Segundo a proctologista (especialidade que cuida dos intestinos) Angelita Gama, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, cada pessoa tem o seu ritmo para ir ao banheiro. No entanto, se surgir desconforto e dor abdominal, é aconselhável procurar um médico. E quando o intestino fica pelo menos quatro dias sem trabalhar, é sinal de que algo vai mal.

Principais causas
Alimentação inadequada

Comer poucas quantidades de fibras nas refeições.
Comer grandes quantidades de alimentos industrializados (macarrão, etc), que não produzem resíduos.
Beber pouca quantidade de líquido.
Comer em horários irregulares.
Inibição do reflexo da evacuação
Hábito de “segurar” a evacuação por pessoas durante o trabalho, viagens, etc. * Pessoas com “vergonha” de evacuar fora de casa.
Vidacom pouca atividade física. A falta de exercício e a vida sedentária levam à diminuição dos movimentos intestinais, causando sensível redução do reflexo da evacuação.

Cardápio que alivia

A dieta a seguir é rica em fibras e líquidos e, portanto, ajuda o intestino trabalhar. Você pode segui-la sempre que sentir a prisão de ventre.
Café da manhã: granola com iogurte e um mamão-papaia médio. Ou um copo de suco de laranja e duas torradas de glúten com mel.
Almoço: salada de alface-americana, cenoura e beterraba raladas, frango ensopado, escarola refogada e arroz integral. Uvas ou duas laranjas de sobremesa.
Jantar: salada de alface-crespa com fundo de alcachofra, filé de peixe grelhado e duas colheres de arroz integral. Abacaxi ou melancia de sobremesa.

Laxantes nunca
Quem tem prisão de ventre corre mais risco de desenvolver hemorróidas e câncer de intestino. As duas doenças dependem muito mais da predisposição genética, mas as fezes endurecidas criam fissuras no intestino, o que aumenta o risco de elas aparecerem. O uso de laxantes não ajuda. Pelo contrário, atrapalha. Essas substâncias, mesmo as ditas naturais, irritam a parede intestinal. Com o tempo, lesam as terminações nervosas e diminuem os movimentos que empurram as fezes.
Cuidar bem da alimentação e fazer exercícios regulares é importante para reeducar o intestino. Mas o fundamental é não deixar para depois quando a vontade de ir ao banheiro aparecer. Ao anular os pedidos que o organismo faz, o cérebro entende a mensagem que vem do intestino como um aviso de que “não é hora nem local”. Daí, o próximo ciclo de contrações fica inibido e mais demorado.

Dicas para educar o intestino

Crie um ritual - Se você é da turma dos que sofrem com a prisão de ventre, uma estratégia para superar o desconforto é identificar os horários em que o intestino funciona bem. Pegue um livro, vá ao banheiro e fique lá até resolver a questão.
Mexa-se - A atividade física regular condiciona os músculos do abdome. Com eles em forma, as contrações ficam mais vigorosas.
Coma devagar - Não adianta adotar uma alimentação saudável e continuar comendo de forma apressada. Mastigue a comida várias vezes para que o bolo alimentar, que dá origem às fezes, se forme rápido.
Beba muita água - Em torno de dois litros por dia. Os líquidos funcionam como lubrificante para a parede dos intestinos, ajudando no deslocamento dos resíduos.

Muita atenção com a fibromialgia
Ela afeta 5% da população mundial, não tem causa conhecida, não produz alterações fisiológicas verificáveis em exame e divide opiniões de médicos. Trata-se da fibromialgia (literalmente, dor das fibras musculares), uma doença reconhecida apenas em 1990 e que ainda é pouco familiar até mesmo para os médicos. Nos Estados Unidos, ela representa 30% das consultas nos reumatologistas e de 5% a 10% nos clínicos-gerais. No Brasil ainda não há estudos semelhantes.
A síndrome atinge principalmente mulheres acima de 40 anos (há apenas um homem para cada nove portadoras da síndrome nessa faixa etária), mas também há casos em crianças. Segundo o reumatologista e imunologista Morton Scheinberg, do Hospital Albert Einstein, não se sabe se as mudanças hormonais estão entre os fatores que desencadeiam a doença.
Como ainda não existe exame laboratorial que a comprove, o diagnóstico tem de ser feito a partir dos sintomas relatados pelo paciente e de um exame clínico. “Ele precisa se queixar de dor difusa há mais de três meses, ter distúrbio na qualidade do sono e apresentar sensibilidade à dor em pelo menos 11 dos 18 pontos do exame clínico”, afirma o médico Jamil Natour, chefe da disciplina de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Natour afirma que a doença pode levar a problemas emocionais, como a depressão. Segundo ele, 30% dos pacientes fibromiálgicos são deprimidos. “Imagine o que é a vida de uma pessoa que não dorme direito, tem dor o tempo todo e os médicos não conseguem descobrir o que é”, diz.

Como se diagnostica
Por meio de exame clínico e das queixas do paciente. Existem 18 pontos no corpo sensíveis à dor. Considera-se fibromialgia se houver sensibilidade em pelo menos 11 deles

SAIBA MAIS SOBRE FIBROMIALGIA
O que é
É uma doença reumática crônica, sem causa definida, que provoca dores musculares e no tecido fibroso (ligamentos e tendões)
Sintomas
Dor generalizada pelo corpo por, pelo menos, três meses
Sono inquieto, superficial e não restaurador
Cansaço, perda de energia e diminuição da resistência a exercícios físicos
Formigamento e dormência nos braços, nas pernas, no rosto e, sobretudo, nas mãos e nos pés
Disfunções intestinais
Depressão e ansiedade crônicas
Dificuldade de concentração e de realizar tarefas cotidianas
Cefaléia
Sensação de inchaço nas articulações
Rigidez muscular
Desconforto diante de mudanças bruscas de temperatura e sensibilidade a frio e calor intensos

Tipos de tratamento
Uso de antidepressivos tricíclicos para aumentar a vida útil da serotonina. A dosagem é menor que a dada a pacientes com depressão e tem efeito analgésico e de relaxante muscular
Uso de analgésico leve para interromper o ciclo da dor. Indicado em casos de crises agudas, tem efeito temporário
Exercícios físicos de baixo impacto (sobretudo caminhadas ou natação) para aumentar a produção de endorfina e melhorar a oxigenação muscular
Alongamento para aliviar a sensação de dor provocada pela contração muscular excessiva, comum em pacientes com fibromialgia
Acupuntura para melhorar a qualidade do sono, estimular a produção de serotonina e endorfina e combater a depressão e a ansiedade
Redução das situações de estresse, procurando fazer pequenas pausas de descanso ao longo do dia para evitar a fadiga
Técnicas de relaxamento: ioga, meditação, massagem e hidroterapia (a água também ameniza a dor)

Caminhada pode ajudar os doentes
Um estudo realizado por pesquisadores da Unifesp mostra que uma caminhada de apenas 40 minutos pode ajudar portadores de fibromialgia. O exercício, de acordo com o trabalho, mostrou ser mais eficaz do que o alongamento, prática mais indicada no tratamento convencional, cuja eficácia já foi relatada na literatura médica. As participantes da pesquisa, 80 mulheres com a doença, foram divididas em dois grupos: um fazia alongamento três vezes por semana e o outro caminhava, com a mesma freqüência.
Segundo Jamil Natour, que orientou o trabalho, de autoria de Valéria Valin, o grupo de mulheres da caminhada teve uma melhora maior que o grupo do alongamento, diferença medida por uma escala de dor. Além disso, outros problemas associados à doença diminuíram, como o cansaço, a depressão e a ansiedade. A próxima etapa do estudo será comparar os resultados das caminhadas com os de exercícios realizados na piscina. A idéia é verificar se a água causa alguma alteração nos resultados.

Diagnóstico é difícil
Como os sintomas da fibromialgia são parecidos com os de outras doenças (osteoporose, tendinite, artrite reumatóide, hipotireoidismo, esclerose múltipla, entre outras), muitos médicos não conseguem diagnosticá-la. Além do subdiagnóstico, Natour teme que haja um superdiagnóstico da síndrome e que os médicos ignorem as outras possíveis doenças associadas, que precisam de tratamentos específicos.
Morton Scheinberg tem a mesma opinião. Segundo ele, é preciso pelo menos duas consultas para dar um diagnóstico correto de fibromialgia. “Nem tudo o que dói é fibromialgia”, afirma. De acordo com ele, antes do diagnóstico, o médico precisa se certificar, por meio de exames laboratoriais e de imagem, de que não existem alterações que possam sugerir outras doenças.
A causa da doença não é conhecida, mas existem tratamentos que podem garantir a qualidade de vida do paciente. Os especialistas indicam antidepressivos em baixas doses e analgésicos, além da prática de exercícios de alongamento e caminhadas, acompanhados por fisioterapeutas. De acordo com o acupunturista Hong Jin Pai, do Centro da Dor do Hospital das Clínicas, os fibromiálgicos têm menos neurotransmissores do que as outras pessoas.

Fatores de risco
Falta de condicionamento físico
Mudanças hormonais
Estresse e traumas emocionais
Doenças infecciosas
Hereditariedade

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